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Empreender costuma nascer de um desejo simples: ter liberdade. Liberdade financeira, de tempo, de escolha ou de propósito. Mas, para Marília Carvalhinha, a realidade muitas vezes segue o caminho oposto. No NXT Podcast, a empresária e consultora foi recebida por Giancarlo Nicastro para falar sobre como o empreendedorismo pode acabar se transformando em uma prisão emocional silenciosa.
Ao longo da conversa, Marília explica que conforme a empresa cresce, aumentam também as expectativas, as responsabilidades e as pressões externas. Funcionários, fornecedores, clientes, investidores e metas passam a fazer parte da vida do fundador de forma permanente.
“Em algum momento, o empreendedor é capturado para dentro do negócio. Ele vira uma parte necessária da operação e não consegue mais se desconectar.”
Outro ponto abordado foi a distância entre a imagem de sucesso e os bastidores das empresas. Marília comentou que muitas marcas parecem extremamente saudáveis por fora, mas escondem fundadores exaustos, pressionados e emocionalmente desgastados.
Para ela, existe um esforço constante para sustentar uma aparência de crescimento e estabilidade, principalmente em um ambiente onde imagem, validação e percepção têm tanto valor.
“Tem empresas que parecem extremamente bem-sucedidas por fora. Escritório bonito, marca forte, crescimento. Mas quando você vai nos bastidores, o fundador está exausto, pressionado e completamente perdido.”
A discussão também passou pelo impacto das redes sociais e da cultura de performance. Segundo Marília, hoje as pessoas vivem administrando percepção o tempo inteiro — seja no trabalho, na moda ou na vida pessoal.
Durante o episódio, Marília também refletiu sobre ambição, ego e o vazio que muitas vezes acompanha a busca por sucesso. Para ela, muitos empreendedores acreditam que construir algo grande vai resolver questões internas, mas acabam apenas ocupando o vazio com mais trabalho, pressão e responsabilidade.
“Negócio também é uma forma de preencher vazio existencial. Porque ele te ocupa o tempo inteiro, até quando te angustia.”
Apesar do tom crítico, a conversa não trata o empreendedorismo como algo negativo. O foco está na consciência sobre o processo — entender os custos emocionais da construção de uma empresa e perceber quando o trabalho deixa de ser ferramenta e passa a consumir completamente a vida de alguém











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