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SEU DINHEIRO - Existe uma história que é repetida em todo aniversário de Alphaville, bairro planejado localizado nos municípios de Barueri e Santana de Parnaíba: a de que, quando procurado pelos dois engenheiros que adquiriram o terreno em 1973, o então prefeito de Barueri, Guilherme Guglielmo — ou Perereca —, teria dito que não queria saber de residências no local, mas sim de empresas.
O objetivo do veto à construção de casas era mudar o status do município de cidade-dormitório para polo econômico. E, sendo a história verdadeira ou não, os dois idealizadores do bairro, os sócios Yojiro Takaoka e Renato Albuquerque, de fato focaram em indústrias não poluentes para ocupar o terreno, que fica a apenas 34 quilômetros do centro de São Paulo.
Mas a ironia é que justamente o diretor da primeira companhia a se instalar no local em 1975, a Hewlett Packard (HP), foi responsável por sugerir a construção de um residencial para os executivos não precisarem fazer a viagem da capital até o bairro todos os dias e pudessem viver perto do trabalho.
Naquele mesmo ano foi criado o Residencial 1 em um modelo de condomínios fechados de alto padrão que passaria a ser replicado e dominaria os poucos mais de 16 quilômetros quadrados da região.
De todo modo, o sonho do prefeito Perereca de criar um polo industrial não morreu com a expansão dos residenciais. Com a ajuda de incentivos fiscais, um centro empresarial se formou no bairro com escritórios de nomes como a própria HP, Netflix, Adidas e Azul.
Ainda assim, foram as casas de luxo que se tornaram a característica mais marcante de Alphaville 50 anos depois. Enquanto isso, os escritórios registram vacância em níveis históricos e afetam negativamente fundos imobiliários de lajes corporativas que apostaram no bairro como alternativa a São Paulo.
A vacância nos prédios comerciais de Alphaville não é um fenômeno novo, diga-se de passagem. Segundo um levantamento da SiiLA feito a pedido do Seu Dinheiro, a taxa de desocupação dos escritórios de alto padrão — classes A e A+ — era de 24,23% no quarto trimestre de 2019.
Ou seja, mesmo antes do início da pandemia de covid-19, que levou muitas companhias a fecharem escritórios e adotarem o trabalho remoto, Alphaville já sofria com vários prédios parcialmente vazios.
O problema é que, desde então, os espaços desocupados crescem consistentemente e o aluguel também recua, pois os proprietários têm pouco poder na negociação com os potenciais locatários.
E nem mesmo a queda no número de empresas em home office e a volta ao trabalho presencial se refletiram na região, que chegou ao terceiro trimestre deste ano com 33,31% de vacância e preço médio por metro quadrado das locações ainda abaixo do período pré-pandêmico.
O movimento é o oposto do que ocorre em determinadas regiões da capital paulista, onde os índices de desocupação recuam desde o início do ano passado. Na região da Faria Lima, por exemplo, a vacância chegou a 12% no auge da pandemia, no início de 2021, mas já baixou para a casa dos 5,2% no segundo trimestre deste ano.
Para Mauro Lima, sócio-diretor da área de real estate da Inter Asset, a trajetória oposta nas lajes em áreas já dominadas por escritórios na capital e na grande São Paulo é natural, pois a retomada sempre começa pelo “filé mignon” do mercado e se expande para outras regiões menos aquecidas ainda dentro da metrópole, como as avenidas Chucri Zaidan e Rebouças.
“Alphaville é um ótimo empreendimento residencial, as casas do continuam sendo maravilhosas. O serviço que eles têm por lá em termos de restaurantes, de padarias e de farmácias também é super legal, mas não é um endereço óbvio de escritórios, então as empresas acabam dando prioridade para São Paulo.”
Nem mesmo os gestores que não têm problemas de vacância se mostram muito animados com o potencial do bairro. Um dos fundos da RBR Asset, o RBR Properties (RRBR11), é dono de 5,6% um imóvel em Alphaville. O Edifício Pravda está 100% ocupado, mas Caio Castro, sócio e membro do comitê de investimentos, conta que a exposição só ocorreu pela demanda de um inquilino importante.
“Estamos tranquilos com o imóvel pois há uma demanda grande para os serviços do locatário, pagamos barato no imóvel e essa é uma laje pequena dentro do portfólio, mas a região tem uma vacância historicamente elevada”, diz.







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