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Por operar com produtos de alto valor agregado e que atendem à uma demanda de consumidores bastante exigente, a operação logística do setor automotivo possui necessidades únicas e estratégicas que a diferenciam das demais categorias na hora da armazenagem e do transporte dos produtos.
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No Brasil, segundo fontes consultadas pelo REsource, o desafio para suprir essas demandas, que já era grande, se tornou ainda maior com a chegada das montadoras chinesas e seus veículos eletrificados. Somado a eles, fabricantes que já atuavam no país também vêm anunciando novos investimentos.
De acordo com informações divulgadas por marcas como BYD, General Motors, Hyundai, Honda, Mitsubishi, Stellantis, Toyota e Volkswagen, o investimento total no mercado automotivo brasileiro deve ultrapassar os R$ 76 bilhões nos próximos anos. O montante servirá para modernização e ampliação de fábricas, implementação de novas plantas produtivas, desenvolvimento de tecnologias, importação de veículos e, claro, na cadeia logística do setor como um todo.
Para o especialista em comércio exterior e diretor de relações institucionais da AGL Cargo, Jackson Campos, a infraestrutura de transporte no Brasil — rodovias, ferrovias e portos — segue como um dos maiores entraves para a cadeia logística automotiva.
"A qualidade inadequada das estradas e a capacidade portuária insuficiente levam a dificuldades no apoio ao aumento dos volumes de veículos importados e dos seus componentes. Além disso, é importante a integração eficaz da cadeia de abastecimento; os fabricantes chineses trazem uma nova dinâmica ao mercado que exige rápida adaptação dos fornecedores e distribuidores locais", comenta.
A AGL Cargo é um relevante player deste mercado e atende cerca de 40% das empresas do setor automotivo que operam no Brasil. A companhia atua, principalmente, com o frete internacional e os despachos aduaneiros.
Outro grande desafio da logística de veículos está na necessidade de cumprimento às rígidas regulamentações locais e na burocracia como um todo, o que na avaliação de Jackson atrasa as operações, aumenta os custos operacionais e acaba sobrecarregando o preço final dos automóveis.
"Diferente de outros setores, como o de bens industriais, a logística automotiva possui características únicas. Uma delas é a variedade de itens, que vão desde peças pequenas à grandes estruturas. Esse diferencial exige um sistema mais eficiente e preciso", explica o especialista.
Ainda segundo Jackson, uma alternativa relevante nesse cenário é o fato das empresas de logística e das montadoras de automóveis trabalharem com sistemas de produção que funcionam numa base Just-in-Time (JIT), com os componentes chegando à linha de produção no momento exato em que são necessários. "Isto elimina a necessidade de grandes estoques, mas valoriza a logística que nunca fica atrasada", acrescenta.
Dados do Market Analytics, da SiiLA, referentes ao segundo trimestre deste ano, mostram que, atualmente, a indústria automotiva ocupa 1,1 milhão de metros quadrados em condomínios logísticos de classes A+, A e B no País, o que representa um aumento de 43% em relação ao mesmo período de 2018.
Dentre as montadoras, destacam-se a Ford, que ocupa 95,3 mil metros quadrados; a Mercedes-Benz, que foi uma das companhias que mais locaram espaços no 1º semestre de 2023, com 83 mil metros quadrados ocupados; a Renault Nissan, com 68,7 mil metros quadrados; a General Motors, ocupante de 41,9 mil metros quadrados; e a CAOA Chery, que ocupa 26,1 mil metros quadrados (veja o ranking completo abaixo).
Como pode se imaginar, o armazenamento dos veículos demanda grandes áreas logísticas, seja em galpões locados pelas empresas do ramo ou pelas próprias fabricantes que, em muitos casos, se utilizam de seus próprios pátios para estocar os automóveis. Além disso, o nível de segurança desses "armazéns" deve ser alto, a fim de evitar roubos ou danos aos veículos.
"Manter os veículos em condições ambientais adequadas e protegidos das intempéries e das alterações climáticas é necessário para a sua manutenção", diz Jackson, da AGL Cargo.
O especialista orienta, ainda, o uso de tecnologias avançadas de gestão logística, como sistemas de rastreamento e automação de armazéns, que podem melhorar a eficiência e reduzir erros. Também é importante capacitar os profissionais de logística nas especificidades do setor automotivo.
"A colaboração com o governo e outras entidades em infraestruturas de transporte ajuda a reduzir estrangulamentos logísticos", complementa.
No caso das importadoras de carros, sejam elas empresas que atuam nesse segmento ou fabricantes que estão desembarcando no Brasil, a exemplo das montadoras chinesas, um dos fatores mais relevantes para uma logística adequada está na proximidade dos pátios e estoques.
"No que tange a veículos já montados (CBU – complete built up), o Brasil tem uma boa infraestrutura nos portos para recebimento de veículos, bem como pátios próximos destes para uso das montadoras importadoras de veículos", avalia o diretor de corporate transformation da consultoria Alvarez & Marsal, David Wong.
A companhia global possui clientes do setor automotivo em seu portfólio, mas por questões de confidencialidade de contratos, não pode citar os nomes das empresas.
Para as chinesas, o desafio pode ser ainda maior. Segundo Wong, entre o embarque dos veículos na China até a chegada aos pátios das montadoras, o tempo médio gasto varia entre 35 a 45 dias. Para economizar tempo, as fabricantes do país asiático podem mover o veículo para pátios alfandegados logo após sua chegada ao porto. Dessa maneira, elas realizam o desembaraço aduaneiro somente após a concretização da venda para a concessionária, postergando, inclusive, o pagamento dos tributos envolvidos na importação do automóvel montado.
"O tempo médio que um veículo fica parado nos pátios das montadoras já depende de muitas variáveis. Entre elas a frequência de embarques, tamanho dos lotes nos navios, ritmo de venda no mercado nacional. Mas o objetivo tradicional é de manter cerca de 15 a 20 dias de estoque médio no ciclo em posse das montadoras", orienta.
Wong lembra também que é preciso se ater, ao menos na atualidade, à transformação do setor automotivo com a implementação do programa MOVER — lançado pelo Governo Federal no último mês de junho. A nova política industrial para a área de mobilidade tem a premissa de estimular investimentos em novas rotas tecnológicas e aumenta as exigências de descarbonização da frota automotiva brasileira.
"Os produtos locais e do Mercosul passarão a ser híbridos ou elétricos. Tais produtos irão requerer alguns componentes importados que ainda não são produzidos no Brasil, e talvez nunca sejam. Essa logística de importação de componentes deve aumentar até que a indústria nacional inicie a sua produção, o que afetará custos até lá", aponta Wong.
Para o diretor, diante da nova realidade, será necessário fazer não só a localização dos componentes, mas também preparar este aumento da necessidade logística para mitigar impactos nos custos finais dos produtos, ressalta.











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