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O mercado paulista de escritórios corporativos é composto por 20 regiões, das quais 11 são consideradas CBDs, os principais polos de negócios da cidade. Porém, outras áreas também merecem atenção, já que algumas estão há quase dez anos sem receber novos empreendimentos.
Uma análise realizada pela equipe de inteligência da SiiLA, com base nos dados do Market Analytics, revela que seis regiões não recebem novo estoque há, no mínimo, quatro anos. O levantamento considera as entregas de edifícios das classes A+, A e B. Os dados mostram regiões que seguem como as preferidas do mercado, outras que vêm observando um aumento no ritmo de entregas e algumas que estão, praticamente, esquecidas.
Apesar da forte concentração de lançamentos em polos como Faria Lima, Itaim e Pinheiros, há regiões de São Paulo que ficaram para trás na chegada de novos empreendimentos.
O caso...
Fora do eixo central, a situação também se repete. A Marginal Tietê está há oito anos sem novos edifícios e não tem nenhum projeto no horizonte. No Paraíso, a última entrega foi em 2018 e também não há previsão de lançamentos.
Alphaville e Santo Amaro registraram suas últimas entregas em 2020, mas, embora apareçam no radar de novos estoques, ainda não têm cronograma definido, já que os proprietários aguardam pré-locações para finalizar as obras e obter o habite-se.
Já o Centro completou quatro anos sem estoque adicional e segue sem perspectivas de renovação.
A análise não mostrou apenas os locais mais deficitários, mas também aqueles que vêm se destacando pelo volume de entregas. Pinheiros, por exemplo, foi a região que mais recebeu novo estoque nos últimos quatro anos, com cerca de 163 mil m².
Outro destaque é a Barra Funda que, apesar de não ser um CBD, aparece em segundo lugar, com 103 mil m², impulsionada por projetos como o Brasília Square Offices (48,6 mil m²) e o Edifício Arquipeo (55,3 mil m²).
Esse contraste evidencia uma desaceleração localizada. Enquanto alguns corredores corporativos seguem recebendo investimentos robustos, parte da cidade enfrenta um hiato prolongado de novas entregas — um sinal de que incorporadores e investidores têm priorizado áreas de maior liquidez e valorização, deixando outras regiões em compasso de espera.
Esses movimentos, no entanto, são cíclicos. O Tatuapé, por exemplo, nunca foi tradicionalmente atraente para grandes empresas, mas acabou se tornando terreno fértil para novos investimentos. A Porte lidera o projeto urbanístico conhecido como Eixo Platina, que vem transformando a zona leste e já entregou o Platina 220, maior edifício da cidade até o momento. Além disso, a região recebeu o Almagah, primeiro classe A do bairro, e deve abrigar em breve o megaprojeto Urman São Paulo.
Ao REsource, Igor Melro, diretor comercial da Porte, explica que o projeto Eixo Platina busca criar um polo de desenvolvimento socioeconômico na região Leste de São Paulo, integrando moradia, trabalho, saúde, lazer, cultura e serviços para melhorar a qualidade de vida local.
“A iniciativa visa suprir a carência de um eixo de desenvolvimento na região, que concentra 38% da população da cidade, mas não oferece as mesmas oportunidades de emprego e infraestrutura de áreas já consolidadas, como a Avenida Paulista ou a Berrini, por exemplo. Com isso, o Eixo Platina pretende colaborar para que mais de 2 milhões de pessoas deixem de se deslocar diariamente para outras partes da cidade e tenham opções na região que vivem”, explica.
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