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Grandes empresas exigem grandes profissionais por trás de suas decisões, e com Hilton Rejman não foi diferente. Hoje ele é presidente da Brookfield Properties Brasil, mas sua jornada começou como um jovem arquiteto sonhador, recém-formado pela FAU-USP.
“Me formei em arquitetura e urbanismo na USP e saí de lá direto para trabalhar em escritórios de arquitetura. Fazia de tudo um pouco: casas, prédios residenciais, escritórios, comunicação visual, exposições na Bienal, lojas, agências bancárias. O escritório era bem multidisciplinar, então eu tive contato com muitas frentes”, relembra Rejman.
Foi por acaso que o arquiteto entrou no mundo do real estate. Rejman recebeu uma proposta para trabalhar na então Richard Ellis, que mais tarde se tornaria CBRE, e decidiu aceitar o desafio.
“Fui à entrevista e foi engraçado: eu estava de jeans, tênis e camiseta, roupa de obra. Cheguei lá e estava todo mundo de terno e gravata”, lembra, entre risos.
Na CBRE, ele teve seu primeiro contato com o lado financeiro do mercado imobiliário. “Eu conhecia a arquitetura, o desenvolvimento, mas ali aprendi sobre viabilidade financeira. Foi onde comecei a entender o negócio como um todo.”
A vontade de aprofundar esse conhecimento o levou a fazer um MBA com foco em real estate na USP, especialmente voltado à área financeira. “O curso abordava a estruturação de negócios e modelos financeiros. Fiz justamente para reforçar esse lado e entender melhor os investimentos”, explica.
Após a CBRE, Rejman passou pela Bolsa de Imóveis, que define como uma “grande escola”, até receber o convite de Nessim Sarfati para integrar a Cyrela.
Na época, a Cyrela havia feito uma joint venture com a argentina IRSA, dando origem à Brasil Realty, focada em ativos comerciais. Foi a porta de entrada de Rejman na empresa, onde permaneceu por 20 anos.
“Quando entrei, a Cyrela ainda era uma empresa de porte médio, focada no residencial. Começava ali sua atuação em imóveis comerciais. Participei de todo o crescimento da empresa entre 1996 e 2016”, diz.
Em 2005, a Cyrela realizou seu IPO. Dois anos depois, promoveu o spin-off dos ativos comerciais, criando a Cyrela Commercial Properties (CCP), que passou a receber investimentos do CPPIB, fundo de pensão canadense. Rejman participou ativamente de todo o processo.
Em 2008, a CCP firmou uma joint venture com a Prologis para desenvolver parques logísticos no Brasil. Ao mesmo tempo, a empresa dava os primeiros passos em projetos de prédios na Faria Lima, galpões em Cajamar e shopping centers em São Paulo e no Rio.
A condução dos negócios pelo Hilton na CPP chamou a atenção de Roberto Perroni, então no CPPIB. Quando Perroni foi contratado pela Brookfield para estruturar a área de Properties, convidou Rejman para fazer parte da nova empreitada.
“Na Brookfield, começamos comprando sete ativos. Depois, adquirimos mais 12. Também investimos fortemente em galpões logísticos. Chegamos a ter mais de dez shopping centers no portfólio, embora hoje o foco esteja em lajes corporativas e ativos logísticos”, conta.
Desde 2016 na empresa, Rejman está há nove anos na Brookfield e hoje comanda uma das maiores gestoras de propriedades do país.
Apesar do cargo, o executivo preserva um estilo leve. Ao longo da entrevista, estava sempre sorridente, demonstrando prazer em falar do trabalho e da equipe.
Para ele, liderar vai além de resultados. “O que sustenta o dia a dia é gostar do que se faz. A cultura da Brookfield valoriza um ambiente leve, colaborativo. Aqui, não tem ninguém puxando o tapete de ninguém”, afirma. “Cada um sabe seu papel e entrega com responsabilidade. Isso faz diferença.”
Fora do escritório, ele destaca a importância da família para manter o equilíbrio. “Sou uma outra pessoa em casa. Estar com minha esposa e filhos me ajuda a relaxar. Lazer também é fundamental: viajar, ir ao cinema, à praia, praticar esportes.”
Depois de lesões nos joelhos que o afastaram do futebol, Rejman encontrou no tênis uma nova paixão. “Jogo para desestressar. Solto o braço e mando a bola longe”, brinca. “Às vezes o professor pede calma, mas eu gosto é de bater forte na bolinha.”
Ao ser questionado sobre o que diria a um estudante de arquitetura que deseja seguir seus passos, Rejman recorre aos conselhos que dá aos próprios filhos.
“Estude muito, faça tudo com excelência e seja correto. Essas três coisas me trouxeram até aqui. Muitas oportunidades vieram por indicação de quem confiava no meu trabalho e na minha postura ética.”
Ele também aconselha os jovens a não entrarem em disputas de ego. “Não precisa ficar tentando mostrar serviço. Quem trabalha de verdade, mais cedo ou mais tarde, será notado. A gente sempre sabe quem tem futuro — e quem não tem.”
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