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Na última terça-feira (15), a SiiLA promoveu o Commercial Real Estate in Focus, um evento dedicado ao mercado de real estate comercial brasileiro. Realizado no Allianz Parque, em São Paulo, com apoio da WTorre, o encontro reuniu especialistas do setor em dois módulos: um focado em escritórios e outro no segmento logístico.
Um dos destaques da programação foi a participação de Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, que trouxe uma análise sobre os impactos da guerra comercial entre Estados Unidos e China, além das perspectivas econômicas para o setor.
“Quando observamos os custos pelo INCC, percebemos tanto mão de obra quanto materiais em trajetória de alta. Em 2023 e no início de 2024, o custo da mão de obra chegou a favorecer o mercado, mas agora já registramos aumentos acima de 10%. No caso dos materiais, o impacto é diretamente influenciado pelo câmbio, pela tensão comercial entre Estados Unidos e China, além da própria pressão da mão de obra e dos juros. Com esse cenário, a expectativa é que, por volta de junho, os custos ultrapassem 15% e permaneçam nesse patamar até o fim do ano. Os juros, por sua vez, continuam sendo uma variável que vai influenciar fortemente o comportamento do mercado”, detalhou Sung.
Na sequência, o CEO da SiiLA, Giancarlo Nicastro, mediou um painel sobre o mercado de escritórios com Bruno Chohfi, diretor da CH3, Natalia Landi, vice-presidente do Patria, e Paula Casarini, diretora-geral da Colliers no Brasil.
O debate começou com Nicastro apresentando dados sobre o mercado de escritórios das classes A+, A e B nas regiões centrais de São Paulo, com especial atenção ao eixo Faria Lima, que concentra alguns dos preços mais altos do país.
Natalia Landi destacou que, embora os valores surpreendam alguns inquilinos, a região consolidou um novo patamar de preços. “Quando as revisionais do ano passado chegaram, havia inquilinos que ainda pagavam R$ 180 por metro quadrado, números que já não fazem sentido para a Faria Lima. Apesar do choque inicial, com aluguéis superando os R$ 300 por metro quadrado, o mercado compreendeu que estar aqui é um diferencial. Se as empresas querem permanecer, elas pagam para isso”, afirmou.
Paula Casarini reforçou a visão de Landi, destacando que a Faria Lima é um mercado “para poucos” e que, por abrigar uma concentração de empresas do setor financeiro, de seguros e de real estate (FIRE), acaba influenciando positivamente os bairros ao redor.
“A região gera reflexos para áreas adjacentes, como o Itaim, onde o Infinity Tower é um exemplo. Há uma demanda constante por espaços bem localizados e com metragens adequadas, especialmente em áreas como Itaim e Rebouças. Já a Chucri Zaidan até compete em alguns aspectos, mas quando o fator é localização, a Faria Lima ainda reina absoluta”, afirmou Casarini.
Bruno Chohfi, por sua vez, destacou o retrofit como uma estratégia eficiente para acessar mercados premium de forma mais competitiva, citando o Bravo! Paulista como exemplo.
“Para entrar em regiões mais densas, muitas vezes é mais barato e prático fazer o retrofit de um edifício já existente. Um prédio classe B ou inferior pode, após a reforma, subir de categoria e se adequar às exigências de grandes empresas”, explicou.
O painel também discutiu a flexibilidade dos contratos, cada vez mais demandada pelas empresas que buscam se adaptar aos novos modelos de trabalho. Casarini pontuou que o mercado tem se afastado dos contratos longos e rígidos, com as empresas priorizando opções que permitam mais agilidade e liberdade.
Já Landi ponderou que essa flexibilidade não se aplica igualmente a todas as regiões. “Na Faria Lima, buscamos previsibilidade. Ninguém quer surpresas em um mercado consolidado como esse. Já em áreas com maior vacância, os proprietários acabam flexibilizando mais para reduzir os espaços vagos”, afirmou.
Chohfi completou dizendo que os contratos mais curtos refletem a busca das empresas por um modelo de ocupação ideal, em meio às mudanças provocadas pelo trabalho híbrido. “Ainda estamos vivendo uma fase de experimentação. As empresas oscilam entre o modelo remoto e o presencial, mas é possível sentir que o desejo de ter um espaço físico, para manter a cultura e fortalecer o time, continua presente.”
Outro tópico abordado no evento foi o movimento de empresas em direção a novas regiões. Landi destacou que, enquanto a Faria Lima se consolidou como polo financeiro, bairros como Pinheiros e a Rebouças estão atraindo grandes empresas de tecnologia — entre elas, Amazon e Netflix.
“Já observamos um movimento de dispersão. A Rebouças e Pinheiros, por exemplo, estão se firmando como polos tecnológicos. A Vila Leopoldina também chama atenção, com grandes terrenos e estruturas que favorecem modelos de campus corporativo”, afirmou.
Casarini complementou, mencionando a Vila Madalena como outra alternativa que desperta o interesse de empresas por oferecer um ambiente mais descontraído, longe da pressão do mercado corporativo tradicional.
Por fim, o painel abordou a limitação de oferta de imóveis corporativos de grande porte. Casarini citou o caso da Amazon, que optou pela pré-locação do Biosquare, um edifício monousuário, ao perceber a dificuldade de encontrar espaços amplos na cidade.
“Imagine encontrar um prédio de 40 mil metros quadrados vazio em São Paulo. Não é comum. A Amazon viu essa oportunidade e não deixou passar. Olhando para frente, para 2026 e 2027, quantos prédios desse porte estão previstos? Talvez quatro, não mais do que isso. A oferta ainda é bastante restrita”, concluiu.
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