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O mercado de condomínios logísticos no Brasil registrou mais de 898 mil m² de absorção bruta de empreendimentos de classes A+, A e B no terceiro trimestre, segundo o Market Analytics da SiiLA. Esse volume chama a atenção, uma vez que a taxa de vacância está em queda e os inquilinos começam a disputar por espaços mais eficientes para otimizar suas operações logísticas.
Uma modalidade em destaque no mercado de ativos logísticos é o modelo built to suit (BTS). Esse tipo de contrato, que em uma tradução literal significa "construído para servir", permite que o imóvel seja desenvolvido sob medida para as especificações do locatário.
No cenário atual, de baixo estoque vago e uma crescente demanda por imóveis de qualidade, o BTS se apresenta como uma solução atrativa tanto para desenvolvedores e investidores, que já iniciam o projeto com um contrato de locação firmado, quanto para inquilinos, que conseguem personalizar o espaço de acordo com seus negócios.
Luiz Felipe, Manager de Capital Markets & Desmobilização da Colliers, destaca as características exclusivas do modelo BTS, como contratos de longa duração, indenização em caso de rescisão, não enquadramento na Lei do Inquilinato e ausência de revisional de aluguel.
“Uma operação BTS consiste na celebração de um negócio jurídico no qual uma das partes (locador) adquire um terreno e constrói um empreendimento imobiliário conforme os objetivos, necessidades e padrões determinados pela outra parte (locatário), que aluga o empreendimento por prazo determinado, com garantias de permanência até o fim do contrato”, explica.
Segundo Felipe, o formato atípico de contrato possibilita a recuperação dos investimentos. No fim do contrato, “o locatário pode negociar a locação para permanecer no espaço, já que possui o direito de preferência, ou até explorar a opção de compra do imóvel a valores de mercado”, acrescenta o especialista.
Para os inquilinos, essa capacidade de personalizar o desenvolvimento do imóvel, é um diferencial importante, pois possibilita que empresas com necessidades estruturais específicas, como indústrias ou centros logísticos, operem em um espaço adequado às suas demandas.
Um exemplo desse modelo ocorreu em 2021 com a L’Oréal, que fez uma operação de Request For Proposal (RFP), apresentando suas necessidades ao mercado e deixando aberta a possibilidade de propostas.
“O processo de RFP foi iniciado em janeiro de 2021 e concluído em seis meses, com a negociação e concretização da locação pela Colliers”, relembra Felipe.
A construção do galpão sob medida foi realizada pela BR Properties em parceria com o BBP. Considerando as especificidades da L’Oréal, o empreendimento BBP Gaia Théia foi 100% ocupado pela empresa, onde permanece até hoje.
Uma característica comum de um empreendimento BTS é o fato de ser um galpão isolado. Recentemente, em agosto, a construção de um ativo de 38 mil m² para o Mercado Livre em Cravinhos ficou pronta.
A operação da varejista argentina vai render ao proprietário – o fundo ALZR11 – 12 anos de aluguéis e vai representar aos cotistas R$ 0,09 por cota mensalmente. Segundo o documento divulgado, o valor de aluguel vigente é de R$ 1 milhão.
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