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A consolidação do modelo híbrido, a pressão pelo retorno ao presencial e a intensificação da disputa por talentos reposicionaram o escritório no centro das decisões corporativas. Mais do que metragem ou localização, a experiência do colaborador passou a influenciar diretamente escolhas de ocupação e investimentos em imóveis corporativos.
Para Thais Trentin, fundadora e CVO da Workplace Arquitetura, esse movimento reflete uma mudança estrutural: a arquitetura corporativa deixou de ser uma etapa final de mudança de endereço para se tornar uma ferramenta estratégica de negócio.
Depois de um ano que ela define como “desafiador, mas extremamente intencional”, a empresa completou agora em 2025 sete anos revendo seu próprio posicionamento. Segundo Thais, esse processo trouxe clareza: o escritório não é apenas infraestrutura — é cultura materializada.
“O futuro do trabalho são as pessoas. O papel do escritório é ser uma ferramenta estratégica da empresa, quase um salário emocional. Então acho que o papel do design, o papel do arquiteto, é enxergar e traduzir o negócio. Porque no fim um CNPJ é constituído por muitos CPFs”, explica.
Na visão da executiva, a diversidade geracional e as diferentes expectativas sobre trabalho tornaram o ambiente físico um elemento-chave de conexão. Mais do que estimular a presença, o escritório precisa justificar o deslocamento, reforçar pertencimento e comunicar valores de forma clara.
Ela compara o papel do arquiteto ao de alguém capaz de enxergar a empresa de maneira sistêmica, traduzindo gestão, processos e cultura em espaço físico. Essa coerência, segundo Thais, tornou-se ainda mais urgente com o avanço do retorno presencial — muitas vezes impulsionado por limitações na gestão do trabalho remoto.
“O ambiente devolve tudo aquilo que recebe. Se o espaço é cuidado, a pessoa se sente cuidada. E quando ela se sente pertencente, ela engaja.”
A busca por engajamento, produtividade e retenção impulsiona outro movimento: o abandono da lógica de layouts padronizados. Para Thais, escritórios eficientes funcionam como um menu de experiências, capazes de acomodar diferentes comportamentos e demandas ao longo do dia.
Ela cita a coexistência de áreas de foco absoluto, zonas silenciosas, salas informais para trocas rápidas, arquibancadas colaborativas, ambientes que estimulam criatividade e espaços mais formais voltados à tomada de decisão. O ponto central não está em seguir tendências, mas em coerência.
“O espaço precisa ser mais interessante do que interesseiro. O que funciona para uma empresa não funciona necessariamente para outra.”
A executiva também critica modelos estereotipados importados de outros mercados, defendendo projetos alinhados à identidade e ao momento de cada organização. Segundo ela, nada de replicar modelos estereotipados, como “o escritório com tobogã” importado do Vale do Silício.
Outro ponto recorrente na discussão é a percepção da arquitetura como despesa. Para Thais, a lógica deveria ser inversa: o valor está na capacidade de transformar espaço em ativo estratégico.
“É a diferença entre comprar um projeto e terceirizar uma dor de cabeça.”
Essa visão está refletida na nova promessa da Workplace: transformar espaços corporativos em investimentos vivos. Na prática, isso significa assumir que o ambiente de trabalho influencia comportamento, conexões, performance e prosperidade em sentido amplo.
“Se não for para ser legal, é melhor nem ser. Pessoa feliz não traz problema — ela produz, se conecta e transborda.”











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