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Beatriz, de 19 anos, e Julia, de 21, trabalham como atendentes e mesmo com a rotina corrida, aproveitaram o fim do expediente para passar em algumas lojas do Shopping Metrô Tucuruvi, na Zona Norte de São Paulo. O passeio era despretensioso, sem um objetivo claro de compras, como explicou Julia “Eu compro quase tudo online. Vou ao shopping mais para lazer, como ir ao cinema ou comer, não para comprar”.
Embora pareça um desafio reter a atenção do público mais jovem, com hábitos totalmente voltados para o digital, nas lojas físicas, as empresas encontram oportunidade exatamente onde a praticidade do online falha: garantindo experiências.
E a tendência de vender experiências se consolida nos números, as vendas para área de lazer dos shoppings casse B foram de R$ 288/m², no quarto trimestre de 2017, para R$ 433/m² no mesmo período em 2025. A do setor de alimentação foi de R$ 2.372/m² para R$ 3.319/m² enquanto vestuário saiu de R$ 1.458/m² para R$ 2.165/m².
As estimativas mostram um aumento de aproximadamente 50,3% dentro desse panorama para o setor de lazer. Alimentação e vestuário seguem com 39,9% e 48,5%, respectivamente.
No mercado brasileiro, os shoppings de classe B dominam o mercado, sendo os mais numéricos e com maiores aderências.
A NielsenIQ fez um estudo de consumo da Geração Z, aqueles nascidos de 1997 a 2012, que apontou compradores mais racionais, 47% dos jovens planejam suas compras e 59% evitam desperdício. Essa população representa hoje 25% da população global, sendo 169 milhões somente na América Latina.
Com 90% desses jovens conectados as plataformas online, o mercado tenta entender como capturar e fidelizar aqueles que, segundo a estimativa da NielsenIQ, será a geração mais populosa de todos os tempos até 2030 e superará o índice de consumo da Geração X (1965 – 1980) até 2032.
Para o diretor executivo da SYN, Ricardo Loducca, a migração de “centro de compras” para plataforma de experiências combina o melhor dos dois mundos para os jovens em busca de conexão “Os shoppings passaram a testar e consolidar espaços de apelo direto para públicos jovens: arenas gamer, eventos de cultura geek, encontros com creators... Esse comportamento empurrou o setor para mais gastronomia, eventos, ativações e serviços, e menos dependência exclusiva do varejo tradicional.”
Nessa nova perspectiva, o modelo de “corredores de lojas” com grandes nomes do mercado deixou de ser o suficiente para brilhar os olhos das novas gerações, e o caminho é se reinventar dentro das estruturas tradicionais.
Loducca vê a migração já acelerada como uma oportunidade, porém ressalta que o mercado deve focar a experiência de todos os setores “A atração atual depende menos de “ter lojas” e mais de ter motivo para estar ali. A Gen Z enxerga o shopping como ponte entre online e offline, valoriza testar produtos, comparar preços ao vivo, produzir conteúdo para redes e frequentar ambientes com alimentação, cultura, games e entretenimento”.











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