Se inscreva para ficar por dentro das novidades do mercado imobiliário, dos eventos, notícias e análises!

Para começar essa análise, precisamos voltar ao princípio: o que é o tão falado cap rate?
Capitalization rate, ou simplesmente cap rate, significa taxa de capitalização de um ativo. Em termos simples, essa taxa indica quanto um imóvel gera de renda anual em relação ao seu valor de mercado, ou seja, é o rendimento percentual do ativo ao longo de um ano.
O cap rate é amplamente utilizado para comparar investimentos, avaliar preços de ativos e analisar o equilíbrio entre risco e retorno em uma aquisição. No senso comum, costuma-se associar um cap rate alto a um investimento mais rentável, o que à primeira vista parece positivo.
No entanto, nem sempre é bem assim. Como ressaltou Marcos Baroni, Head de Fundos Imobiliários da Suno Research, “o cap rate indica alguma coisa, mas ele não indica tudo”, destacando que avaliá-lo isoladamente pode levar a interpretações equivocadas.
Um cap rate elevado normalmente decorre de um preço de venda mais baixo. Em outras palavras, o imóvel está sendo negociado “barato” em relação à renda que gera. Isso pode parecer vantajoso, mas só faz sentido se a localização, o perfil do inquilino e a previsibilidade da renda forem sólidos.
Marcos reforça essa necessidade de contexto: “Não dá para dizer se uma operação foi boa ou ruim exclusivamente pelo cap rate. Existem riscos, termos e condições da aquisição que precisam ser ponderados.”
O mercado ajusta o valor dos imóveis conforme seu risco e sua atratividade: quanto mais seguro e desejado o ativo, menor tende a ser seu cap rate, já que há mais investidores dispostos a pagar caro por estabilidade.
Por isso, é possível afirmar que um cap rate alto é positivo apenas quando está associado a um ativo robusto. Como explicou o entrevistado:
“Às vezes um gestor compra um imóvel com cap rate baixo e a compra é criticada, mas ele está apostando que os aluguéis estão defasados e serão realocados em valores melhores. O inverso também acontece: um cap rate alto pode estar ligado a um contrato esticado demais, perto do vencimento ou com risco de crédito maior.”
Ou seja, o cap rate conversa diretamente com os fundamentos da região e do ativo. Vacância estrutural, liquidez, risco de inadimplência e ciclo do mercado são fatores que “explicam” o número e não o contrário.
Outra interpretação comum é a de que cap rates menores são sempre “piores”. Isso também não é verdade. Ativos prime, como os de Faria Lima, tendem a ter cap rates menores porque carregam uma camada adicional de proteção: representam reserva de valor.
Marcos trouxe esse ponto com clareza:
“Ao comprar um imóvel na Faria Lima, a chance de você ter perda de dinheiro é baixa. O retorno não é necessariamente o mais alto, mas é estável. Ele funciona como proteção patrimonial.”
Segundo ele, essa lógica vale não apenas para escritórios classe A+, mas para shoppings consolidados e galpões muito bem localizados:
“Todos os tipos de imóveis têm seus ativos premium. Um galpão raio 15km ou um shopping com fluxo consolidado também pode ter cap rate mais baixo por carregar proteção patrimonial e liquidez elevada.”
Outro cuidado ao analisar transações imobiliárias é entender a diferença entre o cap de entrada e o cap estabilizado. Em muitos casos, compras parceladas ou seller financing distorcem o cap rate inicial.
Sobre isso, Marcos observa:
“O modelo de compra parcelada gera uma diferença entre o cap de entrada e o cap estabilizado. Normalmente não fica tão bom quanto o número inicial, mas também não é tão ruim quanto parece.”
Ele explica que, em ambientes de juros altos, esse tipo de estruturação virou alternativa relevante para fundos:
“Com Selic a 15%, não faz sentido alocar em cap rate de 9%. O parcelamento dá um respiro para que, em dois anos, com juros mais baixos, o ativo estabilizado fique mais alinhado ao retorno de mercado.”











Se inscreva para ficar por dentro das novidades do mercado imobiliário, dos eventos, notícias e análises!
