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No último mês, a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania aprovou o Projeto de Lei 6014/2013, que institui a Inspeção Predial Obrigatória em edifícios públicos e privados, exceto residências unifamiliares. A medida altera diretamente a gestão de ativos imobiliários, afetando práticas de governança, valuation, operação e mitigação de riscos em empreendimentos corporativos.
Para entender melhor o impacto da proposta, o REsource entrevistou Rejane Berezovsky, vice-coordenadora da Câmara de Inspeção Predial e autora do livro Check Up Predial: Guia da Boa Manutenção.Logo no início da conversa, Berezovsky destaca a motivação
central da lei: a falta de cultura de manutenção preventiva no Brasil.
“Isso faz com que pequenos problemas evoluam para situações de risco e
custos muito maiores. A lei vem para criar um processo contínuo de verificação
da condição real do edifício algo que já é consolidado em países europeus e nos
Estados Unidos.”
Ela explica que o modelo atual, baseado em ações emergenciais, é justamente
o que encarece reformas. E exemplifica:
Para o segmento corporativo, a especialista prevê efeitos positivos. Problemas recorrentes em edifícios comerciais, como subdimensionamento elétrico ou hidráulico, falhas de impermeabilização e patologias de fachada, tendem a se tornar menos frequentes.
“Ainda vemos muita maquiagem em laudos superficiais e a inspeção evita comprar um ativo diferente do que está sendo apresentado. Com a lei, ela passa a integrar o compliance das transações: empresas e investidores vão exigir laudos para negociar, trazendo previsibilidade e confiabilidade aos ativos.”A lei também deve influenciar operações de retrofit e
adaptações às novas demandas, como a crescente instalação de carregadores para
veículos elétricos.
“O retrofit deixa de ser apenas maquiagem para reposicionamento e passa a
atender a demandas técnicas. Nas regiões mais valorizadas, ele seguirá servindo
ao mercado, mas também será impulsionado por questões estruturais e de
manutenção que a inspeção vai evidenciar.”
Sobre os carros elétricos, ela enfatiza:
“Carro elétrico não é só instalar uma tomada. Envolve cálculo de demanda de
energia, temperatura, isolamento, normas do Corpo de Bombeiros e riscos de
incêndio. Muitos prédios ainda não entenderam a complexidade disso. A inspeção
predial traz esse tema para dentro da gestão técnica do edifício.”











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