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Recentemente, o Banco Master foi alvo de diversas manchetes: pedidos de falência, venda de portfólio e duas tentativas de compra. Porém, o capítulo mais recente envolve uma investigação sobre a venda de títulos de crédito falsos e o possível encerramento de suas atividades.
A ação da Polícia Federal (PF) prendeu Daniel Vorcaro, presidente da instituição financeira, nesta terça-feira (18), dias após o anúncio de que o Master estava sendo vendido ao Grupo Fictor e a um consórcio de investidores dos Emirados Árabes Unidos.
Com impacto quase imediato, o Banco Central anunciou a liquidação extrajudicial, a interrupção do funcionamento, a compra foi cancelada e foi feita a retirada da instituição do Sistema Financeiro Nacional (SFN), como explica Renan Silva, professor de economia e mercado financeiro do Ibmec Brasília.
“Liquidação extrajudicial é um regime especial decretado pelo Bacen quando uma instituição financeira deixa de ter condições de operar com segurança, por problemas graves de solvência, liquidez, governança ou cumprimento regulatório. Na prática, é o encerramento ordenado da instituição, com a nomeação de um liquidante para vender ativos e pagar credores conforme a ordem de prioridades prevista em lei”, explica.
Além do mercado financeiro, a situação do Banco Master também pode afetar o mercado imobiliário paulista. A instituição foi responsável pela segunda maior locação de 2024, o que coloca em cheque 14 mil m² no Auri Plaza, na região da Vila Olímpia.
“Infelizmente, não há futuro para o Banco Master. Nessas condições, as operações estão impossibilitadas devido a problemas de ordem econômico-financeira e à ausência de um plano viável de recuperação”, comenta Renan Silva.
Com o futuro incerto, a possível desocupação do Auri Plaza deve injetar 14,4 mil m² no mercado da Vila Olímpia, elevando a vacância da região, no segmento A+ e A, com impacto de 7,2 pontos percentuais.
O luxo pago por Vorcaro, R$ 3,9 milhões mensais, deixará para trás um rombo contratual. O acordo assinado era de 10 anos, fechado em março de 2024, e seria mantido até 2034. Com apenas 20 meses cumpridos, a possível devolução precoce deixará de movimentar, no mínimo, R$ 390 milhões, sem considerar correções, multas e descontos, um valor impossível de ser replicado no curto prazo.
Seguros locatícios e multas serão aplicadas, porém os pagamentos deverão ser realizados segundo a prioridade exigida pelo Bacen após a liquidação do banco.
Então um dos prédios mais caros da região, agora retorna de maneira forçada ao mercado. Isso torna o Auri Plaza um ativo perfeito para renegociações, descontos forçados e uma reprecificação amarga, mas impossível de se ignorar.
A companhia, por meio da Blue Bank, no mesmo período em que locou o imóvel na Vila Olímpia, também firmou uma locação no Birmann 32, na Faria Lima. Ao todo, em 2024, a empresa de Vorcaro ocupou 22 mil m². O futuro da Blue Bank ainda é incerto, pois a companhia tentou realizar uma cisão com a instituição financeira em outubro. Assim, os andares do B32 permanecem locados por enquanto.
Porém, do outro lado da Faria Lima, na torre B do Pátio Victor Malzoni, o Banco Master mantém 1,8 mil m² desde 2018, quando ainda se chamava Banco Máxima. A mudança de nome também ocorreu após uma investigação da PF em 2020.
Com outros escritórios espalhados pelo Rio de Janeiro e Porto Alegre, a brutalidade da liquidação da empresa de Vorcaro será sentida não apenas pelos acionistas, mas também pelos proprietários dos edifícios premium de São Paulo.
Faria Lima e Vila Olímpia já provaram inúmeras vezes que conseguem absorver choques e o setor financeiro também. Mas toda a situação deixa um recado claro: nem o mercado imobiliário mais premium está imune à degradação de uma instituição financeira. Agora resta esperar.








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