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O Grupo Toky, holding criada após a união entre a tradicional varejista de móveis e decoração, Tok&Stok e a Mobly, entrou com pedido de recuperação judicial em São Paulo, tentando reorganizar uma dívida estimada em cerca de R$ 1,1 bilhão.
Depois de anos tentando “montar” uma solução financeira, aparentemente sem manual de instruções, o grupo agora busca ganhar tempo para renegociar débitos, preservar operações e evitar que a conta chegue inteira para fornecedores, bancos e investidores.
A situação já vinha dando sinais de desgaste há algum tempo. A Tok&Stok enfrentava fechamento de lojas, problemas de liquidez, estoques apertados e dificuldades para manter a operação em pé. A fusão com a Mobly, anunciada como uma tentativa de modernizar e ganhar escala, acabou virando mais um móvel bonito na apresentação, mas complicado na hora de montar e sustentar.
Em comunicado ao mercado, a companhia atribuiu a crise ao ambiente macroeconômico: juros e créditos altos, além da retração no consumo de itens discricionários. Traduzindo: o brasileiro parou de comprar mesa lateral de R$ 2 mil para priorizar o básico.
O mercado reagiu sem muita decoração. As ações TOKY3 despencaram mais de 40% após o anúncio da recuperação judicial.
Em meio ao processo de recuperação judicial, o Grupo Toky está desmontando a sua linha de comando. Os fundadores Victor Pereira Noda, Marcelo Rodrigues Marques e Mário Fernandes Filho deixaram seus cargos na gestão da companhia, poucos dias após o grupo admitir a gravidade da crise financeira.
No fato relevante divulgado ao mercado, a empresa afirma que a troca ocorreu “sem objeção e sem causa”. Apesar da saída da diretoria, os fundadores permanecerão no Conselho de Administração, acompanhando a estratégia da companhia enquanto a nova gestão tenta reorganizar uma operação pressionada por dívidas bilionárias, consumo enfraquecido e um mercado que já não compra crescimento com a mesma facilidade de alguns anos atrás.
Quem agora está responsável por remontar o grupo é André Ferreira Peixoto, como Diretor Presidente, Fabio Ferrante, como Diretor Financeiro e de Relações com Investidores, e Daniel Passos de Melo, como Diretor de Operações e Sistemas Logísticos.
Atualmente, as companhias, juntas, ocupam cerca de 118.9 mil m² de condomínios logísticos no Brasil. Os quais fazem partes de portfólio de fundos de investimentos imobiliário, como da XP, BTG e Vinci.
A própria Vinci, já emitiu um comunicado aos cotistas informando que o imóvel, Extrema Business Park, possui seguro fiança e que “até a presente data, não há qualquer descumprimento no pagamento de obrigações locatícias por parte do Inquilino, e o Fundo não foi informado oficialmente a este respeito e não houve, até o momento, tratativas formais com o Inquilino relacionadas ao referido pedido de recuperação judicial.”
Entre 2020 e 2021, apenas a Mobly possuía mais de 100 mil m² em condomínios logísticos. Hoje, a companhia conta com 82 mil m² de área ocupada. Esses números levam em consideração apenas condomínios logísticos e não incluem lojas e galpões isolados.
A recuperação judicial também reforça uma mudança importante no varejo de móveis e decoração. Durante a pandemia, o setor viveu uma explosão de demanda impulsionada pelo home office, algo visto no crescimento momentâneo entre 2020 e 2021.
Passada a febre do “cantinho do café”, vieram os juros altos, o crédito restrito e uma realidade menos instagramável para o consumo. Agora, o grupo tenta convencer credores de que ainda existe espaço para reorganização. Afinal, entre a falência e a recuperação judicial, o varejo brasileiro sempre prefere tentar mais uma “última liquidação”.
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