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América Latina ainda não está integrada. E não é preciso estudar tratados comerciais para perceber isso. Basta olhar para a fragmentação dos seus principais mercados de escritórios: entre mais de 24 mil empresas monitoradas pela SiiLA em México, Brasil e Colômbia, apenas 80 têm presença nos três países, ocupando mais de 1,3 milhão de metros quadrados.
A falta de sobreposição regional não é uma anomalia, é um problema estrutural. O Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF) já alertou que enquanto 35% e 60% do comércio na Ásia, Europa ou América do Norte permanece dentro da própria região, na América Latina esse índice é de apenas 15%.
Isso significa que, em outras regiões, as empresas operam como redes, enquanto aqui cada país funciona como um sistema isolado. Assim, mesmo que as nações reforcem suas fortalezas individuais, o que se perde não é só eficiência — são oportunidades reais de desenvolvimento.
Segundo o Banco Mundial, a América Latina representa 6,7% do PIB global. De acordo com o CAF, uma integração regional efetiva poderia elevar o PIB per capita entre 4% e 10% no médio e longo prazo — desde que apoiada por infraestrutura compartilhada, logística coordenada e marcos regulatórios compatíveis.
Das 80 empresas com presença simultânea no México, Brasil e Colômbia, apenas quatro são latino-americanas: FEMSA e Neoris, do México; Natura, do Brasil; e SONDA, do Chile. Juntas, ocupam mais de 20 mil m² em cidades-chave como Cidade do México, Monterrey, Querétaro, Bogotá, Medellín, Curitiba, Porto Alegre e São Paulo. As demais empresas vêm da América do Norte, Europa, Ásia ou Oceania.
Os setores mais internacionalizados dominam: serviços profissionais, TAMI (tecnologia, publicidade, mídia e informação) e FIRE (finanças, seguros e mercado imobiliário), que, por sua natureza, podem liderar a conexão regional. Ainda assim, outros setores — como manufatura, saúde e bens de consumo — também começam a pesar na balança.
Enquanto poucas empresas latino-americanas conseguem operar simultaneamente em México, Brasil e Colômbia, entre 65% e 85% do total de empresas que atuam em cada um desses países — individualmente — são locais.
Portanto, o desafio não é a ausência delas na América Latina, mas sim seu alcance. O fato de que a maioria das empresas seja local confirma que há um ecossistema dinâmico, mas ainda limitado. Então, o próximo passo não é multiplicar sedes, mas sim pensar em redes, fomentar alianças e escalar modelos operacionais.
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