CONTEÚDO EXCLUSIVO
Se inscreva para ficar por dentro das novidades do mercado imobiliário, dos eventos, notícias e análises!

A Nelson Willians Advocacia entrou nas manchetes após uma série de investigações envolvendo o advogado que deu o nome da organização, e não demorou para que os desdobramentos alcançassem o mercado imobiliário. Mas essa não é a primeira vez que uma grande operação impacta a rotatividade de locações em polos corporativos, o mercado de escritórios viu mais do que alguns exemplos nos últimos anos.
Para a Nelson Willians, a saída do CENU (Centro Empresarial Nações Unidas), na Zona Sul de São Paulo, foi segmentada. A empresa deixou cerca de 2.050 m², no 17° e 2° andar da Torre Oeste, mas segue com os andares 7° e 25° do prédio, aproximadamente 1.538 m². O escritório também entregou 1.053 m² do Galleria Corporate, em Campinas (SP) depois de supostas quebras de contrato por inadimplência. Ainda contam com diversos outros prédios em diferentes estados do país, como o Edifício Arcel, em Campinas, o Canopus Corporate Savassi, em Belo Horizonte (MG) o Curitiba Trade Center (PR).
A reportagem entrou em contato com a empresa para ter mais informações sobre os impactos das investigações em outros endereços, mas até a publicação não obteve retorno.
O caso mais emblemático ocorreu no início do segundo trimestre de 2026, quando o Banco Master entregou, oficialmente, os 14.446 m² do Auri Plaza Faria Lima, que ocupava como monousuário desde 2024. O prédio havia passado por uma reforma de aproximadamente R$ 400 milhões, segundo fontes internas, e as melhorias em sua infraestrutura elevaram o aluguel, o valor de mercado atual é de R$ 230 e o prédio segue 100% vago.
No Pátio Victor Malzoni, o Master deixou 4.799 mil m² entre 2024 e 2026. Na Torre Sul, os conjuntos 51, 52, 53 e 54 desocupados no segundo trimestre de 2026 foram imediatamente locados pelo BTG (1.885 m²). 1.542 m² dos conjuntos 21, 22 e 81, deixados no segundo semestre de 2025, seguem vazios. Já na Torre Norte, os conjuntos 111, 112, 113 e 114, que totalizam 1.372 m², foram totalmente locados pela Rolex no mesmo trimestre da saída, sem impacto em vacância.
A Blue Bank deixou quatro andares de 7.920 m², do Birmann 32 que foram totalmente locados por Shopee e GCB Investimentos.
Responsável pelo maior escândalo financeiro da história do Brasil, o Banco Master teve seus principais diretores presos durante a Operação Compliance Zero, que revelou uma longa estrutura de fraudes bilionárias, lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva. Os casos que se desenrolaram a partir dessa operação ainda seguem em investigações e o banco foi liquidado, assim como a Blue Bank e outas empresas do grupo que integravam os esquemas financeiros.
Dentro dos desdobramentos do Caso Master, a gestora Reag Investimentos, deixou 5.101 m² no Bothanic Faria Lima Corporate no último trimestre de 2025, que foram totalmente locados pela BMA Advogados no segundo trimestre de 2026. No Amadeus Business Tower, os 250 m² deixados no primeiro trimestre de 2026 foram imediatamente locados pelo Banco ABC, e o Plaza Iguatemi Business Center segue com os 494 m² do 17° andar vagos desde a saída da gestora.
Também liquidada pelo Banco Central no âmbito da Compliance Zero, a Reag era administradora de um fundo ligado a operação Carbono Oculto, que apurou casos de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis e possível elo com o crime organizado.
O Grupo Fictor desocupou 2.304 m² do Jatobá Green Building no segundo trimestre de 2026, que seguem vagos. A Fictor também foi notada após relações com o Master, quando tentou comprar o banco em novembro de 2025, dois meses depois, entrou com um pedido de recuperação judicial. Seu fundador, Rafael Góis, foi um dos alvos da Operação Fallax, que investiga supostas fraudes contra a Caixa Econômica Federal. De acordo com o Estadão, supostas divergências contábeis foram identificadas por credores e ainda são investigadas na empresa.
Na última terça (18), a Laspro Consultores, administradora judicial da Fictor, aceitou o pedido de destituição do fundador e do grupo de administradores em meio a investigações de suposta pirâmide financeira. O REsource entrou em contato com o Grupo, mas, até a publicação desta reportagem, não obteve retorno.
Do total de 38.417 m² de área analisada, impactada por crises e investigações, mais da metade segue sem novos locatários. Ativos premium, como o Birmann 32, tem maior demanda de locação devido a localização, infraestrutura, e eficiência arquitetônica, o que faz com que seus espaços sejam disputados com mais afinco.
Já prédios como Auri Plaza Faria Lima, enfrentam desafios como desvincular o ativo ao emblemático caso Master e mostrar ao marcado todas as características que o tornam atrativo, uma vez que o metro quadrado era 58% mais caro que o de outros da mesma classe na região, quando o banco ainda era o ocupante.











Se inscreva para ficar por dentro das novidades do mercado imobiliário, dos eventos, notícias e análises!
