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Em São Paulo, o valor médio de locação de empreendimentos multifamily classe A é de R$ 233,67/m² — patamar comparável ao de escritórios de alto padrão na região da Faria Lima. Por isso, cada metro quadrado faz diferença. Um dos principais empreendimentos da JFL, o JFL 125, localizado na Avenida Rebouças, próximo à Faria Lima, está sendo acusado de inflar artificialmente a metragem de uma de suas unidades.
Segundo denúncia de um morador, a proprietária anunciava um apartamento de 138 m² como se tivesse 196 m². De acordo com apuração da equipe de reportagem, o imóvel foi locado por R$ 56.840 mensais. Parte das informações foi divulgada no LinkedIn, por meio do perfil da empresa do inquilino.
Com base em prints de conversas com corretores, recibos e contratos de locação, os denunciantes afirmam que a JFL garantiu a metragem anunciada. No entanto, um laudo técnico teria comprovado que a unidade 143 não possui os 196 m² informados.
Em um bate-papo com a equipe da JFL, eles esclareceram que, na verdade, o equívoco partiu do inquilino, pois o laudo técnico não considerou espaços como os armários embutidos e a varanda.
De acordo com a matrícula do imóvel, consultada pela equipe do REsource, a unidade 143 possui 145 m² (somando área coberta e descoberta). Isso representa uma diferença de 51 m² em relação ao valor divulgado, o que, na proporção de R$/m² equivaleria a uma diferença de R$ 14.790 no valor mensal do aluguel.
O inquilino afirma que a suspeita começou após a resistência da JFL em fornecer o carnê do IPTU. Diante da negativa, decidiu buscar pessoalmente as informações, que confirmaram suas desconfianças: o documento oficial também aponta 145 m² como a metragem da unidade.
A matrícula do imóvel é um documento público e definitivo no que diz respeito à metragem legal de uma propriedade. Segundo a literatura jurídica, qualquer anúncio ou contrato que mencione uma área superior à registrada está em desacordo com a realidade jurídica.
Nesse ponto, os executivos da JFL afirmaram que esse foi o primeiro equívoco do denunciante. A realidade é que a matrícula não considera a totalidade da unidade 143, pois esse ativo foi mesclado com a unidade 144, que somadas correspondem à metragem total inicialmente acordada entre as partes.
Por e-mail, o inquilino informou ao REsource que, mesmo tendo pago todos os aluguéis e encargos em dia, recebeu uma ordem de despejo. “Além do fato de que muita gente deve estar tomando esse golpe, eu continuo em um apartamento de 140 m² e com ordem de despejo, mesmo com todas as contas pagas”, afirmou.
O inquilino também relatou ter criado tags NFC com informações da denúncia e que as espalhou pelos andares do edifício para alertar outros moradores. Segundo ele, os dispositivos foram rapidamente recolhidos pela proprietária.
O Código de Defesa do Consumidor, em seus artigos 6º, 31 e 37, garante ao consumidor o direito a informações corretas, claras e precisas. A prática denunciada pode configurar infração aos direitos do consumidor.
Por outro lado, a JFL procurou a equipe do REsource e esclareceu a situação em uma conversa e em uma nota enviada.
“A JFL Living esclarece que as informações divulgadas não procedem e que a unidade em questão é fruto de uma junção física de duas matrículas, sendo uma de 116,6m2 e outra de 79,5m2, formando uma única unidade residencial de 196m2, de modo que todas as alegações e acusações são mentirosas visando à difamação da empresa e de seu controlador. A JFL Living reforça o compromisso com a conformidade legal, a integridade nas relações contratuais e os mais altos padrões de operação no modelo multifamily”, afirmam.
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