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Marcada para ocorrer no dia 5 de novembro deste ano, a eleição presidencial que vai decidir o próximo presidente dos Estados Unidos já é debatida por investidores de todas as modalidades pelo fato da economia norte-americana embasar, e muito, o futuro de mercados econômicos de países emergentes. Mas, afinal, será que há um candidato melhor ou pior para os fundos de investimento imobiliário e seus cotistas no Brasil?
Ao que tudo indica, a decisão do eleitor norte-americano, hoje altamente polarizado, ficará entre a atual vice-presidente do país e representante do partido democrata, Kamala Harris, e o ex-presidente e representante do partido republicano, Donald Trump.
Apesar do pleito ocorrer daqui a mais de dois meses e considerando que possíveis eventos de outras naturezas possam afetar fundos imobiliários no Brasil, é factível que as ideologias econômicas consideravelmente diferentes dos dois candidatos possam alterar os rumos e as escolhas dos investidores.
Para o head de research e sócio do Clube FII, Danilo Barbosa, o impacto da escolha dos norte-americanos nos fundos é caracterizado mais de forma indireta do que direta.
"Entendo que o impacto maior pode ser nos juros, mas há uma árvore de possibilidades. Trump, por exemplo, tende a aumentar os gastos públicos por lá, forçando o FED a elevar sua taxa básica de juros, enquanto Kamala, por ser do mesmo partido do atual presidente, Joe Biden, tende a manter o traçado econômico já observado no governo atual", explica Barbosa.
No entanto, o especialista ressalta que, ao observar as três últimas eleições, em que houve alternância de poder entre republicanos e democratas, não ocorreu qualquer correlação específica que implicasse em impacto significativo nos FIIs no Brasil.
"Em termos de fundos de tijolos, o impacto, a meu ver, é zero. Ganhando um ou outro, os aluguéis continuarão a ser pagos, o que nos leva a crer que os fundos continuarão em níveis estáveis por estarem definitivamente mais ligados ao cenário interno", afirma.
Por outro lado, esse cenário interno ao qual Barbosa se remete, é que pode ser impactado de forma mais relevante ou não a depender do resultado da eleição.
Possíveis novos aumentos de juros por parte do FED poderiam gerar uma espiral inflacionária em países emergentes como o Brasil. Com isso, o dólar ficaria mais caro, o que pode gerar alta de preços por aqui, forçando a Selic para cima.
Diante do cenário ainda incerto sobre a decisão dos eleitores nos Estados Unidos, é provável que o Banco Central do Brasil deixe para o ano que vem as próximas decisões acerca da taxa Selic.
"Se antes a previsão era de fechar o ano em 9%, agora essa chance é remota", diz Barbosa.
Os juros menores tendem a atrair mais investidores aos fundos imobiliários. Nos últimos 12 meses, o desempenho dos fundos de “tijolo” ainda supera o dos FIIs de “papel”, em um cenário atribuído principalmente ao início do ciclo de cortes da Selic – que beneficia especialmente quem investe diretamente em imóveis.
A discussão sobre mudanças no ritmo de queda da taxa de juros, entretanto, reduziu o otimismo do mercado e estimulou a busca por ativos de menor risco, que ficaram mais atrativos.
Em junho deste ano, o IFIX, índice dos fundos imobiliários mais buscados na Bolsa, sustentava uma alta de 1,35% no ano. Ainda assim, com a perspectiva de manutenção na taxa Selic, fundos como Kinea Hedge Fund (KNHF11), por exemplo, diminuíram o ímpeto por alocações em fundos "de tijolo", confirmando a desconfiança atual nesta classe de ativos.
Para Barbosa, do Clube FII, caso Trump seja eleito, os gastos públicos por parte do governo norte-americano tendem a ser maiores, aplicando mais gastos iniciais por parte do tesouro estadunidense, puxando os juros para cima. Além disso, o republicano tem planos de aumentar tarifas de importação e diminuir a carga tributária interna, aumentando ainda mais o rombo fiscal americano ao longo do tempo, num ciclo que favorece ainda mais o aumento das taxas.
Com Kamala, o cenário previsto é o de continuidade do governo Biden, o que leva economistas e analistas de mercado a crerem em um cenário econômico mais previsível. Além disso, por estar mais alinhada ao espectro político do atual governo brasileiro, sua eleição tende a impactar menos os investidores tupiniquins.
Em entrevista recente ao Valor, o diretor-presidente da Smart House Investments, André Colares, afirmou que um governo de Kamala tende a ser benéfico para os mercados emergentes. A democrata tem um viés bem menos protecionista, embora seu antecessor não tenha revertido totalmente as barreiras implantadas por Trump enquanto esteve no governo, entre 2016 e 2020.
Para ele, Kamala tem uma postura mais cooperativa em relação ao comércio internacional, o que favorece a estabilidade econômica global.
Neste caso, uma política bilateral entre Brasil e Estados Unidos tende ser favorecida com Kamala no poder, o que torna o ambiente econômico mais estável e pode até ajudar numa possível valorização do real frente ao dólar, elevando a atratividade dos ativos imobiliários.
Ao analisar o histórico de cotação e rendimentos do fundo KNRI11 desde 2016, é possível observar picos tanto em governos republicanos como democratas.Outro analista do setor, no entanto, vê o contrário. Para o especialista em investimentos imobiliários e diretor de operações da Neoin, Jonata Tribioli, se Trump for eleito, suas políticas podem beneficiar diretamente setores como o imobiliário nos EUA e, indiretamente, no Brasil.
"A abordagem pró-mercado e os incentivos fiscais de Trump poderiam manter as taxas de juros baixas, favorecendo investimentos em imóveis e fortalecendo o setor de real estate nos EUA. Isso poderia aumentar o apetite por ativos de risco em mercados emergentes", opina o analista.
Em contrapartida, caso a democrata Kamala Harris seja a escolhida, na avaliação de Tribioli, a atual vice-presidente do país poderia adotar uma política regulatória mais rigorosa e aumentar impostos, especialmente sobre setores mais ricos.
"Isso poderia criar um ambiente menos favorável para investimentos em real estate, devido a possíveis aumentos de custos e maiores restrições regulatórias", comenta.
Além disso, para o especialista, a administração da democrata também poderia investir significativamente em infraestrutura e programas sociais, criando novas oportunidades para o setor imobiliário, especialmente em áreas de habitação social e desenvolvimento urbano sustentável.
Por fim, um foco em políticas ambientais rigorosas poderia impactar o setor de construção e desenvolvimento imobiliário, influenciando as prioridades de investimento e a alocação de recursos em fundos que focam em um real estate sustentável.











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