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Last mile, ou “última milha”, é um conceito que nasceu originalmente no setor de telecomunicações, com os antigos telefones com fio. Com o tempo, o termo passou a ser usado também no mundo logístico, especialmente para se referir à entrega ao cliente final.
Conceitualmente, o last mile se aplica em todos os cenários, mas, dependendo da região do mundo, apresenta características distintas — como é o caso do Brasil e dos Estados Unidos.
Leandro Rovai, head global de portfólio e estratégia de real estate na PepsiCo, explica que as operações em ambos os países refletem realidades diferentes, que ele resume em três pontos: maturidade de mercado, infraestrutura e perfis de stakeholders.
“Nos EUA, a alta disponibilidade de imóveis adequados, localizados em zonas urbanas bem estruturadas, somada a um ecossistema imobiliário profissional, permite decisões estratégicas baseadas em dados, previsibilidade de custos e soluções moldadas às necessidades do negócio”, explica.
Já no caso do Brasil, apesar da evolução da infraestrutura — como mostra a plataforma Market Analytics da SiiLA —, a oferta de condomínios logísticos ainda é pequena para as proporções do país. Nos últimos oito anos, o mercado de ativos de classe A+ e A cresceu mais de 105,4%, passando de 11.4 milhões de m² em 2018 para 23.5 milhões de m² no terceiro trimestre de 2025.
Uma das empresas que mais se beneficiam do modelo de last mile é a Amazon. Em ambos os países, há o conceito de same day delivery, no qual a compra é entregue no mesmo dia em que é realizada. No entanto, a operação brasileira é mais limitada, enquanto a norte-americana realiza entregas até mesmo durante a madrugada.
Além disso, o uso da tecnologia é um fator fundamental no last mile nos Estados Unidos. Enquanto o mercado brasileiro ainda está em expansão, regiões mais maduras já direcionam seus esforços para outros aprimoramentos da cadeia logística, como destaca Rovai:
“Enquanto nos EUA a discussão sobre last mile gira em torno de eficiência e automação, no Brasil ainda estamos focados na viabilidade logística e na adaptação à realidade local.”
Voltando ao exemplo da Amazon, a companhia norte-americana já está implementando o uso de drones no dia a dia, podendo entregar até 60 mil itens — como Apple iPhones, Samsung Galaxy phones, Apple AirTags, Apple AirPods, campainhas eletrônicas e termômetros Alpha Grillers Instant Read Food Thermometers —, segundo comunicado da empresa. As entregas, porém, se restringem a produtos de até 2,2 kg.
No Brasil, o uso de drones para entregas ainda é incipiente. Atualmente, ocorre apenas em Aracaju, no estado de Sergipe, e é destinado a entregas de comida via iFood.
Para o head global de portfólio e estratégia de real estate da PepsiCo, cada situação é específica de acordo com a região.
“Para empresas globais, isso exige estratégias diferenciadas por mercado, com forte presença local e atuação próxima aos players do setor”, finaliza.











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