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O conceito de trabalho híbrido, que foi difundido com força por todo o mundo e se tornou comum durante a pandemia de Covid-19, está se estabelecendo de maneira mais sólida nas empresas brasileiras após um período em que as práticas pareciam temporárias. De acordo com a 24ª edição do Índice de Confiança Robert Half (ICRH), 59% das companhias brasileiras pesquisadas operam em sistema híbrido, enquanto 76% dos trabalhadores consideram esse modelo ideal. A maneira como as empresas estruturam suas rotinas no ambiente híbrido revela tendências que se solidificaram: escritórios estão se tornando locais dedicados a atividades colaborativas e criativas.
"Nos meses do final da pandemia e do início da retomada do trabalho presencial, o foco das organizações era manter os colaboradores separados, evitar aglomerações, implantar medidas sanitárias", diz Mário Verdi, CEO da Deskbee, plataforma de gestão do workplace especializada no trabalho híbrido. "Os dados atuais da nossa plataforma, já em um momento de tração total nos escritórios, revelam um movimento bem diferente no mercado corporativo brasileiro. Hoje, as empresas querem ver seus funcionários de volta ao presencial, interagindo mais e produzindo juntos", acrescenta o executivo.
O aumento das reservas de salas de reunião em comparação com as reservas de estações individuais de trabalho sinaliza essa tendência. No primeiro semestre de 2023, houve um crescimento de 70% nas reservas de salas de reunião e 49% nas reservas de estações de trabalho. Os dados são da plataforma Deskbee, que registra as práticas de uso em escritórios, onde foram feitas mais de 5 milhões de reservas nos últimos seis meses. A plataforma tem cerca de 350 mil usuários cadastrados. Outro dado interessante revela a preferência do trabalho presencial às quartas e quintas, dias da semana que concentram 65% das reservas.
Para tornar seus escritórios mais atrativos e adequados ao modelo híbrido, as empresas estão adotando estratégias inovadoras com foco na experiência do colaborador. Além do desenvolvimento de espaços de reunião, a criação de "salas de trabalho" se destaca como uma nova tendência. Esses espaços são planejados para acomodar equipes específicas que buscam colaborar de forma mais intensiva e espontânea.
"Diferente do conceito da sala de reunião, as salas de trabalho são planejadas para oferecer acomodação para times ou squads específicos, que desejam trabalhar juntos em um espaço privativo, durante todo o dia de expediente", explica o CEO da Deskbee. "Esse modelo favorece a colaboração e as trocas eventuais e espontâneas de ideias e insights, mesmo que cada colaborador esteja trabalhando em um projeto ou uma tarefa individual naquele momento."
Além disso, iniciativas como programas de gamificação tem sido uma das estratégias adotadas pelas empresas para trazer os funcionários para perto e incentivar a presença física no escritório. "No último semestre, desenvolvemos em parceria com a Cielo, um programa de pontos que recompensa quem frequenta pessoalmente o escritório, numa estratégia de gamificação que vem sendo adotada por diversas organizações. Tudo isso corrobora com a visão de que as empresas querem estar preparadas para receber seus colaboradores, e querem que eles se sintam incentivados e motivados a estar no espaço físico das companhias algumas vezes por semana ou por mês."
A consolidação do trabalho híbrido também tem impacto na atração de talentos, já que muitos profissionais consideram o modelo fator determinante ao escolher uma empresa para trabalhar. Dados do Índice de Confiança Robert Half apontam que 38% dos profissionais empregados no Brasil buscaria um novo emprego caso a companhia adotasse um modelo exclusivamente presencial.
"Observamos que as empresas menores buscam nosso software para controlar a ocupação no uso compartilhado do escritório, evitando superlotação e falta de espaço - já que optaram por utilizar escritórios com menos lugares disponíveis do que o número total de colaboradores da organização", destaca Verdi. "Já as empresas maiores vêm apresentando um aumento significativo no número de reservas de salas de reunião, como reflexo do uso do escritório para fins de interação e colaboração. Os dados que observamos na plataforma mostram que cada vez mais empresas, independente do porte, optam por otimizar sua infraestrutura de real estate para a realidade do híbrido, indicando que o modelo está cada vez mais consolidado no Brasil."
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