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Na economia globalizada que vemos hoje, as empresas otimizam suas operações e custos por meio de estratégias de investimento estrangeiro, como nearshoring, offshoring e friendly-shoring. Essas táticas têm implicações diretas no mercado imobiliário comercial, especialmente em países como o México, que se tornaram destinos atrativos para a realocação e expansão de negócios e processos de produção, seja devido a incentivos de investimento ou proximidade de grandes mercados consumidores, como os Estados Unidos, e até mesmo o Brasil.
O nearshoring facilita a comunicação e a gestão da cadeia de suprimentos, movendo processos de produção para países vizinhos para aproveitar custos mais baixos, ao mesmo tempo em que se beneficia da proximidade geográfica, cultural e temporal. O México está liderando a onda entre os países latino-americanos, e um exemplo concreto é o recente aporte da Tesla em uma megafábrica em Monterrey (Nuevo León), com um plano de investimento de aproximadamente 5 bilhões de dólares.
Na esteira dos países da América Latina que devem se beneficiar desse movimento, está o Brasil que se destaca tanto pelo forte mercado consumidor, facilidade de exportação e potencial de geração de energia limpa. Por aqui, em linha com o exemplo mexicano, a montadora chinesa BYD pode ser mencionada como um case local. No final de 2023, a fabricante de carros elétricos assumiu uma fábrica que foi ocupada pela Ford para a produção de carros em Camaçari, na Bahia, com investimento inicial de R$ 3 bilhões e previsão de gerar 5 mil empregos.
O apetite da montadora no Brasil deve aumentar, tendo em vista que a montadora lidera o ranking entre as marcas que mais venderam carros elétricos em janeiro, de acordo com dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Segundo a entidade, a venda de híbridos e elétricos aumentou 167% em relação ao mesmo período de 2022.
Além dos benefícios fiscais e financeiros, o nearshoring oferece vantagens competitivas significativas em relação à agilidade operacional e flexibilidade. Estar mais próximo do mercado-alvo permite que as empresas respondam mais rapidamente às mudanças na demanda do consumidor e às flutuações do mercado. Isso possibilita uma maior adaptabilidade na produção e tempos de entrega mais curtos, resultando em maior satisfação do cliente e vantagem competitiva no mercado.
Além disso, o nearshoring pode servir como uma ponte para fortalecer relações comerciais e diplomáticas entre países vizinhos. Ao investir em países próximos, as empresas contribuem para o desenvolvimento econômico dessas regiões, fomentando uma maior cooperação e compreensão mútua, o que pode levar a um ambiente de negócios mais estável e previsível.
Por outro lado, o offshoring refere-se à realocação de negócios ou processos de produção para países distantes, geralmente para reduzir custos. Um exemplo de offshoring são os planos de expansão da Bosch Rexroth em Querétaro, México, com um investimento de 4.300 milhões de pesos (cerca de 239 milhões de dólares) para estabelecer uma nova fábrica.
Embora essa estratégia permita que as empresas aproveitem mão de obra mais barata e incentivos fiscais em países distantes, também pode apresentar desafios relacionados ao controle de qualidade, coordenação da cadeia de suprimentos e adaptação às regulamentações locais. No entanto, o offshoring oferece vantagens significativas, como acesso a mercados globais e talentos diversos, que podem impulsionar a inovação e melhorar a qualidade do produto.
Finalmente, o friendly-shoring é um termo mais recente que se refere à realocação de processos produtivos para países que oferecem vantagens econômicas e compartilham valores políticos, econômicos ou sociais semelhantes. Ao contrário do nearshoring e offshoring, que se concentram principalmente na proximidade geográfica e na redução de custos, o friendly-shoring enfatiza o alinhamento de valores e princípios entre a empresa investidora e o país anfitrião. Isso requer uma cuidadosa consideração de aspectos como governança, responsabilidade social e impacto ambiental das operações comerciais. Um exemplo de friendly-shoring é o investimento da HDF Energy em projetos de geração de energia de hidrogênio verde no México, entre 2023 e 2024, no valor de 2.500 milhões de dólares, destacando a importância da sustentabilidade e inovação nas decisões de investimento.
Um aspecto essencial do friendly-shoring é que ele pode gerar um impacto positivo e sustentável nas comunidades e ambientes onde os investimentos são feitos. O desenvolvimento econômico que inclui o meio ambiente do país receptor é promovido ao priorizar investimentos em países com práticas e políticas alinhadas aos valores da empresa. Adicionalmente, essa estratégia contribui para a reputação da marca, fortalecendo a confiança do consumidor e dos demais stakeholders, que valorizam cada vez mais práticas comerciais éticas e sustentáveis, e oferece vantagens competitivas a longo prazo, permitindo que as empresas antecipem regulamentações mais rigorosas e alinhem as operações comerciais às expectativas de uma sociedade cada vez mais consciente dos desafios globais, como mudanças climáticas e desigualdade social.
Do ponto de vista do mercado imobiliário comercial, investidores e desenvolvedores tendem a se beneficiar, visto que as multinacionais, ao adotar táticas de nearshoring, irão demandar área comercial logística para estabelecer suas linhas de produção nos países latinos-americanos. Os ativos localizados em regiões estratégicas e de alto padrão, que seguem padrões construtivos internacionais, devem sair na frente na preferência dos ocupantes. Em resumo, ao optarem por instalar operações na América Latina, essas empresas fomentam o crescimento econômico local, criando oportunidades para o setor imobiliário como um todo.











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