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O “boom” de uma pandemia não parou o mercado imobiliário comercial no Brasil. Desde 2022, empresas reavaliam seus escritórios corporativos, enquanto os modelos híbrido e flexível ganham espaço. Segundo dados da plataforma Market Analytics, cerca de 253 mil m² de escritórios em São Paulo são ocupados por empresas de coworking em prédios de Classes A+, A e B monitorados pela SiiLA.
Tiago Alves, CEO do IWG (International Workplace Group) no Brasil, uma das principais empresas do setor, explica em entrevista exclusiva ao REsource como os espaços flexíveis se tornaram uma solução atrativa nos últimos anos.
“O crescimento dos coworkings no Brasil foi de 20%, enquanto globalmente alcançou 40%. Modelos de contrato flexíveis, com prazos curtos e imóveis prontos para uso, são uma alternativa vantajosa, permitindo as empresas maior agilidade e adaptação às demandas do mercado”, analisa Alves.
Além dos custos elevados de locação de escritórios tradicionais e das penalidades de rescisão em contratos longos, mudanças nos hábitos de trabalho têm incentivado a adoção de espaços flexíveis. Em São Paulo, por exemplo, o fluxo nos escritórios é maior às terças, quartas e quintas-feiras, enquanto segundas e sextas registram menor movimento.
Essa tendência não é exclusiva do Brasil. Um estudo recente da Morning Consult, realizado com mais de 3 mil trabalhadores nos Estados Unidos, revelou que, dos 65% que trabalham presencialmente, 46% preferem o modelo híbrido.
"Cada vez mais, as empresas estão expandindo sua busca por talentos além dos mercados tradicionais. Hoje, elas têm a oportunidade de contratar profissionais em regiões antes consideradas inacessíveis devido aos elevados custos de deslocamento e manutenção de escritórios fixos” comenta o especialista. Ele explica, porém, que para atrair e reter esses talentos, é necessário atender às novas expectativas dos trabalhadores, que não querem mais perder horas atravessando a cidade para chegar ao trabalho.
Os escritórios flexíveis oferecidos pela empresa de Tiago Alves têm se destacado como uma solução para essas empresas. Com espaços distribuídos por diferentes pontos das grandes cidades, os colaboradores podem escolher estações de trabalho próximas de suas residências ou locais convenientes, oferecendo o escritório flexível.
A tendência apontada por Tiago Alves para 2025 é o investimento em espaços integrados a projetos multiuso, incluindo shoppings centers. O executivo comenta que com a redução na demanda de áreas por grandes lojas de varejo, muitos desses espaços estão sendo convertidos em coworkings, oferecendo uma nova forma de utilizar áreas subutilizadas.
Além disso, a aposta em shoppings é estratégica para atrair colaboradores. Shoppings além de toda a sua ampla oferta de lojas e serviços, oferecem também segurança.
A empresa comandada por Tiago já entregou alguns projetos em centros de compras, incluindo a abertura de unidades em shoppings como o Flamboyant, em Goiânia, e o Center Shopping em Uberlândia.
Além da novidade de espaços em shoppings, o crescimento de coworkings e espaços flexíveis seguirão com projeções de crescimentos até 2030, segundo o executivo.
“Cerca de 30% dos imóveis comerciais ao redor do mundo estão sendo operados sob modelos flexíveis. No Brasil, o segmento ainda representa cerca de 2% do total de espaços comerciais, o que demonstra o enorme potencial de crescimento. O conceito de ´escritório´ está em plena mutação. Não se trata mais de um espaço fixo, mas de um ambiente adaptável que atenda às necessidades de um modelo de trabalho cada vez mais híbrido e dinâmico”, finaliza o CEO do IWG.
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