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Temos visto um mercado em constante evolução e transformação: modelo híbrido, adoção de inteligência artificial, Blockchain e muito mais. Frente a esse cenário, será que os profissionais da próxima geração estão preparados para lidar com as novas intempéries do Real Estate?
Segundo Miles Smith, Senior Industry Growth & Strategy Manager da Graphisoft, o setor AECO (Arquitetura, Engenharia, Construção e Operação) já vive uma competição global por profissionais capazes de unir domínio técnico em BIM e aplicação prática de Inteligência Artificial.
“O AECO está sendo pressionado a se digitalizar mais rapidamente por produtividade, industrialização, relatórios de sustentabilidade e exigências de dados ao longo do ciclo de vida. Isso aumenta a competição por profissionais capazes de entregar BIM em escala e aplicar automação e IA aos fluxos de trabalho”, afirma. Um dos sinais mais evidentes, segundo ele, é a inclusão acelerada de módulos de IA em programas de formação, como no caso do mestrado da Instituto Tecnológico ZIGURAT.
Para Smith, a IA altera profundamente o perfil exigido pelo mercado. “O profissional deixa de ser apenas um operador de software e passa a ser orientado por informação. O valor não está apenas na modelagem, mas na capacidade de estruturar dados, automatizar processos e apoiar decisões estratégicas. Estamos entrando em uma fase em que o ‘I’ do BIM, de informação, ganha mais relevância do que nunca.”
Com esse cenário, certificações internacionais também ganham peso. “Elas funcionam como um sinal portátil de competência em equipes distribuídas globalmente”, diz Smith, reforçando que o Certificado Oficial Graphisoft agrega diferenciação competitiva em projetos transfronteiriços.
O conceito openBIM, segundo ele, contribui para essa mobilidade ao padronizar formatos e práticas colaborativas. “Quando os profissionais trabalham dentro de padrões compartilhados, suas competências tornam-se reconhecíveis internacionalmente.”
A escassez de talentos, por sua vez, é mais evidente em mercados maduros, onde a digitalização já se tornou mandatória. “Profissionais avançados em BIM e coordenação são mais raros, especialmente aqueles que combinam expertise técnica com habilidades digitais.”
Smith também destaca que a digitalização impacta diretamente risco, custo e cronograma. “Modelos coordenados reduzem retrabalho, a transparência de dados permite decisões mais precoces e fluxos padronizados aceleram a execução. Isso aumenta previsibilidade, um fator central para investidores.”
Para ele, a educação tradicional ainda não acompanha a velocidade da transformação. “Muitos programas enfatizam teoria, enquanto o mercado valoriza aprendizado aplicado e experiência real com plataformas utilizadas globalmente. Por isso, parcerias entre tecnologia e academia tornam-se estratégicas.”
A colaboração remota em nuvem amplia tanto oportunidades quanto competição. “As fronteiras geográficas se tornam menos relevantes. Isso expande o pool de talentos para empregadores e aumenta a concorrência entre profissionais.”
No médio prazo, Smith é categórico: “Equipes com fortes capacidades digitais entregam mais eficiência, transparência e previsibilidade, atributos cada vez mais valorizados pelo capital.”
Sob a perspectiva brasileira, Diego Vargas, Diretor de Vendas da Graphisoft Brasil, avalia que o país avança de forma consistente. “A adoção do BIM cresceu com apoio de iniciativas públicas e demanda privada. Ainda há espaço para evoluir na integração entre BIM e IA, mas isso representa uma grande oportunidade.”
Segundo Vargas, a escassez de mão de obra qualificada pode afetar a competitividade do mercado nacional na atração de capital internacional. “A limitação de talentos aumenta o risco de execução e pode retardar projetos, impactando a confiança dos investidores.”
Ele reconhece que parte dos grandes empreendimentos já opera com maturidade digital semelhante à europeia ou norte-americana, mas ressalta que o nível ainda é heterogêneo no país. A colaboração remota, por sua vez, cria uma dinâmica dupla: “Amplia oportunidades para brasileiros atuarem globalmente, mas também permite que empresas estrangeiras concorram localmente.”
Para Vargas, a formação técnica internacional tende a estabelecer padrões globais de qualidade, especialmente quando alia metodologia, domínio validado de ferramentas e aplicação prática.
Por fim, ele reforça que a digitalização transcende a fase de projeto. “Os dados gerados no desenvolvimento tornam-se ativos de longo prazo, apoiando construção, operação, monitoramento de desempenho e retrofit. O ciclo de vida deixa de ser fragmentado e passa a ser contínuo e orientado por dados.”
Diante dessa nova fase do mercado imobiliário comercial, fica claro que a formação profissional deixou de ser apenas técnica e passou a ser estratégica. Em um ambiente cada vez mais digital, global e orientado por informação, quem dominar tecnologia e capacitação aplicada terá vantagem competitiva.











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