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Segundo o vice-presidente de fullfilment da Daki,
Rafael Pinto, o foco
é o cliente:
“Para nós, o last mile representa a proximidade com o cliente, garantindo que
produtos de alimentação e consumo imediato estejam a poucos minutos de
distância. Não é só um centro de distribuição, mas um hub urbano que conecta
estoque, tecnologia e conveniência”.
Operações de grande porte já são naturalmente complexas; no caso da Daki, essa dificuldade se intensifica devido à rigidez inerente ao controle da distribuição de alimentos. O vice-presidente comenta os grandes da empresa:
“Perecibilidade, controle rigoroso de qualidade e necessidade de reabastecimento constante. Além disso, o estoque precisa ser descentralizado para garantir proximidade, mas sem perder eficiência. A gestão de categorias sensíveis, como frescos e congelados, exige processos diferenciados de armazenamento e transporte.”
De acordo com Rafael, a Daki nasceu justamente como uma empresa voltada 100% ao last mile ultrarrápido, essa especialização auxilia a empresa a se destacar na nova dinâmica do mercado:
“Acreditamos que o last mile será cada vez mais parte do cotidiano do consumidor. A tendência é que a entrega rápida deixe de ser diferencial e se torne requisito básico. As empresas que conseguirem aliar velocidade, sustentabilidade e experiência vão se destacar. Quem saiu na frente lidera a transformação.”Acompanhando a perspectiva de outro setor, o COO da Dafiti, Alexandre
Faria, comenta: “O last mile está ligado à finalização da interação com o
cliente. É o momento em que a promessa do serviço se concretiza onde temos como
missão garantir a melhor experiência ou serviço, sendo o ponto de contato
decisivo para a satisfação do cliente.”
Ainda na linha de melhorar o nível de satisfação do consumidor, Faria destacou o
que eles mais valorizam: “Preço e prazo são disparadamente fatores decisivos na
compra, mas é válido dizer que rastreabilidade em tempo real e facilidade de
devolução vêm ganhando cada vez mais importância para o consumidor.”
A Dafiti não tem problema com a perecibilidade de seus produtos, mas o executivo relata que o grande desafio do setor são os custos de frete, especialmente em um país como o Brasil com dimensões continentais. Em paralelo a isso, o aumento da demanda por entregas mais rápidas e gestão das devoluções de peças também são barreiras a serem superadas.
Por fim, sobre a atualização frente a novas tendências tecnológicas do mercado para auxiliar no last mile, Faria discorre: “Aplicamos análise de dados e inteligência artificial para previsão de demanda e tendências de moda, ajudando a alinhar o sortimento de produtos ao gosto do consumidor e reduzir perdas de estoque. Temos um CD com alto nível de automação e a cada dia temos aportado mais uso de IA na gestão de transportes.”
Ao falar de saúde, a conversa se torna diferente. Castro
traz esse diferencial já na concepção do modelo last mile para o setor: “O
mercado se adaptou pela necessidade urgente que surgiu na pandemia. Antes, usávamos
motoboys exclusivos; depois vieram os aplicativos, e isso tornou tudo muito
mais rápido. Foi tanto uma resposta à pandemia quanto a tendência mundial
puxada por market places.”
Desde seu nascimento no segmento, o modelo last mile torna explicita a sua
importância e significado para a área: “Outras categorias têm mais tempo, o
canal farmacêutico não”. É uma demanda emergencial que altera completamente
a lógica operacional.
Para alcançar um alto nível de capilaridade nas cidades e
conseguir manter as entregas dentro dos prazos, o Grupo DPSP, dono da Drogaria
São Paulo e da Drogaria Pacheco tem mais de 1.600 lojas que também atuam como
pontos de distribuição e 7 centros de distribuição propriamente ditos, número
muito superior ao de outros setores. Além disso, as farmácias estão em contato
direto a rua facilitando o despache dos produtos em comparação a uma loja de
shopping.
Mas e o controle de qualidade na entrega? Afinal determinados remédios requerem
cuidados especiais em seu transporte e armazenamento.
O conceito de last mile é universal, porém o que ele
representa para diferentes segmentos, a forma como ele é estruturado e as
preocupações que o envolvem são diferentes. Enquanto a Dafiti prioriza cumprir
um prazo (não necessariamente o mais ágil) e ter um preço competitivo, a Daki
precisa de agilidade para suprir demandas rapidamente a fim de satisfazer
clientes e gerar rotatividade nos estoques evitando prejuízos por
perecibilidade.
Um se preocupa com perecibilidade e utiliza dark stores para entrega rápida, já
o outro tem o olhar voltado a preço e rastreabilidade da entrega gerando
confiança e respeitando prazos, porém, o que deu para perceber é que o foco é
sempre um só: o cliente.











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