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Em frente ao Cemitério da Consolação ergue-se o Passeio Paulista, um empreendimento de classe A+ sob propriedade da Brookfield e Fibra. Além das duas grandes empresas, o projeto foi desenvolvido pelo escritório aflalo/gasperini arquitetos, responsável pelo edifício-sede da IBM, o Complexo Rochaverá (torres Ebony, Marble, Crystal e Diamond), o Tribunal de Contas de São Paulo (SP), o Teatro Claudio Santoro em Campos do Jordão (SP), o Hotel Fasano Itaim, entre outros.
Roberto Aflalo Filho, arquiteto e sócio-diretor do escritório de arquitetura, compartilha um pouco sobre o o processo criativo do projeto. Aflalo revela que, embora haja elementos identificáveis, os empreendimentos pensados e produzidos pelos profissionais são inidentificáveis pela autenticidade, pelo desejo de "criar um projeto interessante".
O Passeio Paulista é considerado um projeto interessante pelo arquiteto. Localizado na região central de São Paulo, o empreendimento possui 46 mil m² distribuídos em 21 pavimentos com espaço para comércio, serviços e lazer, além de uma área com lofts residenciais. Aflalo afirma que em seus projetos é essencial a comunicação do ocupante com a cidade. No empreendimento em questão, todos os andares possuem terraço e em uma cidade onde ainda há carência de áreas verdes, a vista para o Cemitério da Consolação traz um alívio do concreto, vidro e aço que dominam a paisagem de outras regiões paulistanas.
"Privilegiou-se muito a vista. A presença do cemitério, na verdade, é superinteressante, por causa da vegetação. Ela está no meio da cidade, em um lugar absolutamente denso e a vista do seu conjunto, do seu escritório, é um mar verde com colinas, até o (Estádio do) Pacaembu e coisas do gênero podem ser vistas. Então, essa condição é bastante atípica", conta.
Para entender os "porquês" do projeto, é necessário voltar no tempo. Os primeiros esboços previam um hotel e um edifício corporativo; com a evolução do projeto, o lado hoteleiro foi deixado de lado e a torre única "puro sangue" foi privilegiada.
"Existiam dois aspectos interessantes que estavam em nossas cabeças no momento. Tínhamos um crescimento muito grande da atividade de coworking. Então, esse foi um dos aspectos que nos levou a fazer alguns andares maiores e mais flexíveis", explica.
Além de seguir o movimento de flexibilização do trabalho, do compartilhamento de salas e da otimização de espaço, a aflalo/gasperini arquitetos buscou referências no passado, mais precisamente no Conjunto Nacional, localizado na Avenida Paulista.
"O outro quesito foi a referência, que para nós, é algo muito importante, nesse caso foi o Conjunto Nacional. Ele possui um conceito que privilegia o térreo mais fluido – um uso misto no sentido de estar dividindo espaço com atividades comerciais e lojas", explica o arquiteto.
Apesar da entrada principal ser na rua da Consolação, durante o desenvolvimento foi acrescentado outro terreno que dava acesso à rua Bela Cintra.
Além de todo o aproveitamento das áreas de um empreendimento, Aflalo acredita que para criar um projeto dessas proporções, ou você faz algo relevante e interessante, ou o prédio será apenas mais um edifício medíocre e genérico no horizonte paulista.
"Essa questão artística é uma coisa curiosa. Porque, de fato, há uma oportunidade de você ter uma expressão artística num edifício é enorme, o edifício é uma escultura urbana, é um objeto colossal em termos de volumetria. A gente sempre brinca aqui que é uma oportunidade que passa, ou você imprime alguma coisa ali que seja interessante e agregue na cidade, ou essa oportunidade passa, você faz mais um predinho, onde vão olhar aquela paisagem genérica e aquilo talvez um dia seja demolido ou qualquer coisa do gênero", conta Aflalo ao ser indagado sobre a linha tênue entre a arte e a técnica na concepção de um edifício.
Além do pragmático, da técnica, do básico estrutural seguindo as normas, a viabilidade tecnológica e econômica, há a arte. Roberto Aflalo, que faz parte da segunda geração da aflalo/gasperini arquitetos, conta que para ser icônico, é necessário explorar o potencial, sair do plano técnico e ir ao plano artístico.
Com altos e baixos, o mercado imobiliário é perceptível para os arquitetos e é analisado como cíclico. Aflalo explica que, do ponto de vista dos projetistas, o mercado vem se aquecendo e melhorando. Anteriormente, por conta da pandemia e do home office, o ritmo dos projetos arquitetônicos havia diminuído, mas vem se aquecendo novamente.
Dados do Market Analytics mostram isso; a cidade de São Paulo ainda está com uma vacância alta, 22,8%, muito acima de 2019, que estava em ritmo de queda, 15,2%. Apesar do momento de vacância alta, como na Chucri Zaidan, isso é cíclico e tem hora para acabar, como conta o sócio-diretor do escritório de arquitetura.
"Em determinado momento, eles fazem um edifício X está com um aluguel de R$300/m², a partir daí o mercado inteiro vai atrás daquele número, como se ele fosse um objetivo a ser alcançado. Nisso há um boom de prédios, chacoalhando a economia. Depois do baque, há um excesso de oferta e de prédios vazios. Aí leva um ciclo de 5 a 10 anos, para se recuperar. Enquanto isso, esses prédios vão sendo ocupados, lentamente. Depois de um tempo, os números começam a ficar positivos. As empresas começam a crescer e ocupar prédios. Só que aí o pessoal se empolga, o preço começa a subir outra vez. O mercado é assim, cíclico", finaliza.











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