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Esta perspectiva negativa para o setor também está afetando os preços das ações dos dois maiores proprietários de escritórios de Nova York, a SL Green (NYSE:SLG) e a Vornado Realty Trust (NYSE:VNO), que estão com queda de mais de 70% desde o início do ano.
A maior razão para a piora no mercado de escritórios dos EUA é o aumento do custo da dívida. Com a inflação em alta, o Federal Reserve dos EUA aumentou a taxa dos fundos federais nos últimos 12 meses em 450 pontos-base, chegando a 4,75%. Como a maioria das grandes propriedades de escritórios nos EUA está sobrecarregada por dívidas, o aumento do custo de empréstimos evaporou o patrimônio líquido dos proprietários.
No longo prazo, o maior problema é que apenas cerca de 50% das pessoas voltaram ao escritório dos EUA, na comparação aos níveis pré-pandemia. Os locatários muitas vezes estão reduzindo ou até devolvendo seus espaços quando os contratos vigentes terminam. Essa mudança na demanda colocou uma pressão negativa sobre os valores de aluguéis e sobre as taxas de ocupação, causando uma queda nos investimentos.
Por outro lado, o setor de escritórios no Brasil está performando melhor. Este estilo americano de negócios atrelados às dívidas não é comum no país e, portanto, o mercado de imóveis corporativos não sofreu tanto com a inadimplência como nos EUA. Mais importante ainda, grande parte dos funcionários brasileiros voltaram a trabalhar presencialmente nos escritórios, tanto por conta da cultura local tanto pelo fato de que muitas casas não possuem boas estruturas para o home office. Segundo a SiiLA, ao final de 2022, a taxa de vacância para imóveis classes A+ e A na principal região do país, a Faria Lima, em São Paulo, era de apenas 5,07% e a média do valor pedido de aluguel estava 15% acima da registrada no ano anterior. Um grande contraste com a região de Midtown Manhattan, em Nova York, onde as taxas de vacância de escritórios estão próximas de 17%, os aluguéis estão estagnados, e não há grandes perspectivas de melhora no curto prazo.
Mesmo com o Brasil enfrentando turbulências políticas e econômicas, o mercado de ativos de escritórios de alto padrão não tem o mesmo grau de problemas estruturais que o dos EUA. Este fato chama a atenção de investidores estrangeiros a curto prazo, especialmente considerando a taxa de câmbio historicamente favorável. Essa é a visão também de Giancarlo Nicastro, CEO da SiiLA, que pergunta: "O que você prefere: um imóvel comercial em Midtown Manhattan que está 20% vago, que tem uma dívida que não pode ser refinanciada e não está sendo utilizado pelos inquilinos, ou um escritório na Faria Lima que é uma propriedade livre de dívidas, operando com capacidade total e com aluguéis em curva crescente?"
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