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Era uma segunda-feira, Marcos Saade, CEO da Space, nos recebeu no escritório da Space com um sorriso no rosto e piadas. Foram alguns minutos antes de começar a entrevista, no breve bate-papo sobre ancestralidades e restaurantes, já deu para notar que Saade é uma pessoa divertida e bem-humorada.
Formado em administração e finanças, Saade começou sua carreira longe da arquitetura. Hoje, à frente da Space, empresa referência em arquitetura corporativa, ele carrega no olhar o entusiasmo de quem acredita no poder dos espaços para transformar o trabalho.
“Aqui na Space, o carinho é dobrado. Eu até falei para o sócio que eu ´me apeguei à empresa´. Aqui é a minha casa, minha família de trabalho. Procuro cuidar das pessoas da melhor forma possível e pensar na prosperidade e na longevidade do negócio”, diz com naturalidade.
Estudante da PUC-SP, Saade teve seu primeiro emprego ainda no primeiro ano de faculdade. “Eu consegui uma vaga na área financeira em uma empresa de engenharia. Eu tinha um amigo da faculdade que era diretor lá, e eles precisavam de um assistente financeiro. Era um trabalho simples, e entrei para atuar na tesouraria. Foi um começo meio traumático — era o primeiro emprego, eu era muito novo, imaturo. O tempo parecia não passar. Eu tinha que ficar oito horas no trabalho e achava aquilo uma eternidade! Mas aos poucos fui aprendendo, me adaptando”, relembra.
Saade explica que seu chefe, nesse período, o ensinou muito sobre finanças, o fez se apaixonar por números e a matemática das coisas. O executivo ficou durante quatro anos na empresa, antes de ir para um estágio.
“Tive muita sorte na minha carreira: cruzei com pessoas muito competentes, pessoas do bem, e também com gente difícil — e aprendi com todos. Absorvi o que era bom, aprendi com o que era ruim, e fui moldando meu caráter e minha personalidade profissional”, conta.
Após seu primeiro emprego, Saade iniciou um estágio na Autolatina, uma joint venture entre a Ford e a Volkswagen que ocorreu nos mercados da América do Sul. Mesmo recebendo metade de seu salário, Saade topou o desafio.
“Eu comecei na área de formação de preço, depois fui para a controladoria da fábrica em São Bernardo. Em 1995 fui efetivado e, depois, assumi minha primeira função executiva na área financeira, dentro do departamento de marketing e peças e serviços”, explica.
Seu trabalho era a análise da margem de lucro e validação das campanhas junto às áreas financeira e de marketing. Com o tempo, descobriu uma verdadeira vocação para vendas e para o universo das marcas.
Após essa descoberta, realizou cursos e concluiu um MBA em marketing, o que o levou a assumir a área de vendas nacionais — atendendo setores como governo, frotistas e locadoras. Nesse período, liderava uma equipe composta por 10 a 12 pessoas e oito regionais de vendas.
“Mais tarde, recebi uma proposta para ir pra Volvo, onde fui diretor de vendas e marketing e, posteriormente, presidente da operação no Brasil. Depois fui para o grupo da Jaguar Land Rover, onde assumi a marca Jaguar, ainda importada na época. Minha missão era transformá-la em uma marca com operação própria no Brasil — montar rede de concessionárias, estrutura local etc.”, conta.
Assim, a carreira da Saade foi escalonando. Assumiu o departamento de marketing, com verba de R$ 100 milhões por ano. Seu trabalho ganhou destaque e reconhecimento.
A chegada de Marcos Saade ao setor de arquitetura corporativa pode até parecer uma virada brusca para quem vê de fora, mas, para ele, foi apenas mais uma evolução natural de uma carreira guiada por curiosidade e propósito.
“Quando você tem base em finanças e marketing, o que muda é o produto. O raciocínio é o mesmo: entender o cliente, o negócio e a experiência que se quer entregar”, explica.
Desde então, Saade se dedica a fortalecer a cultura interna e o posicionamento da marca no mercado, com foco em transformar o jeito de trabalhar — propósito que, segundo ele, vai muito além do design dos escritórios.
“O espaço físico influencia comportamento, colaboração e bem-estar. A arquitetura corporativa é sobre pessoas, sobre como elas se conectam, produzem e vivem melhor”, afirma.
Apesar de ter vindo do universo automobilístico, Saade enxerga muitas semelhanças entre carros e arquitetura — e fala disso com empolgação.
“Nos dois mundos, a tecnologia é um ponto-chave. É ela que garante eficiência, performance e qualidade. E, no fim, tanto um carro quanto um escritório representam conquistas, são lugares de pertencimento e orgulho.”
A paixão pelo design e pelo impacto que ele causa nas pessoas é o que o move. Ele fala sobre o prazer de encantar clientes e criar experiências memoráveis com o mesmo brilho de quem descreve um carro novo saindo da concessionária.
“Encantar o cliente com um projeto é como entregar um carro novo. É emoção, é identidade. É ver o brilho no olhar de quem se reconhece naquele espaço.”
Ao longo da conversa, um tema surge com força: liderança. Saade fala sobre ela com a serenidade de quem a aprendeu não apenas nos cargos que ocupou, mas nas relações que construiu.
“Eu fui executivo por quase 20 anos sem ser líder. Hoje entendo que liderança não é um cargo — é uma característica, é atitude. É o exemplo que inspira”, reflete.
Ele acredita que liderança deveria ser ensinada desde cedo, como disciplina fundamental em qualquer curso universitário. Essa filosofia se reflete no seu dia a dia à frente da Space, onde busca incentivar autonomia, empatia e propósito entre as equipes.
“Cuidar das pessoas é o que me move. O sucesso vem como consequência”, resume.
Fora do ambiente corporativo, Marcos Saade é o oposto do estereótipo do CEO sisudo. Disposto e bem-humorado, ele tem no esporte e na família seus escapes preferidos.
Foram oito anos de CrossFit, até uma lesão o fazer desacelerar. Hoje, Saade pratica musculação, natação e futebol — este último, em partidas semanais com o filho.
“Corro mais que muito moleque!”, brinca.
Mas, acima de tudo, valoriza o tempo em família.
“Tempo de qualidade é o que mais importa. Pode ser em casa, assistindo TV, passeando com a cachorra ou saindo para comer. Isso me recarrega.”
Quando fala sobre o que ainda quer realizar, Saade é direto: quer continuar aprendendo, transformando e inspirando.
Mais do que números e metas, o que o motiva é o impacto humano — nas pessoas, nas empresas e nos espaços que ajudam a moldar o futuro do trabalho.
“Transformar o jeito de trabalhar é a nossa missão. Mas, no fundo, o que eu quero é transformar o jeito de viver — com mais equilíbrio, propósito e significado.”
Com a fala firme e o sorriso fácil, Marcos Saade mostra que o segredo da liderança está em unir estratégia e sensibilidade. Porque, no fim das contas, quem entende de gente, entende de negócios.











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