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Preço pedido: quando os proprietários inflam os valores e acabam remando contra a maré

  • Disparidades chegam a 50% acima da média regional; análise da SiiLA aponta valorização gradual, mas alerta para distorções que comprometem a leitura do mercado
Hermano Souza, Vice-presidente sênior e Country Manager da Prologis no Brasil
Hermano Souza, Vice-presidente sênior e Country Manager da Prologis no Brasil
Por: SiiLA News

A prática de inflar preços pedidos é comum nas negociações do mercado imobiliário. Em geral, proprietários determinam um valor pedido acima do que estão dispostos a aceitar, como margem para negociação.

No entanto, essa estratégia nem sempre visa apenas facilitar o acordo. Em alguns casos, ela vem sendo utilizada para elevar artificialmente os valores de referência de uma determinada região — comprometendo a leitura real do mercado.

Um caso recente em Cajamar, importante polo logístico com cerca de 3 milhões de m² de estoque de empreendimentos de padrão A+ e A, acendeu o alerta. Com vacância atualmente em 10,34%, a região registra um preço pedido médio de R$ 28,48/m². Mas esse número esconde disparidades: em seu último caderno de disponibilidade, uma das empresas que atuam na região, a Prologis, anunciou ativos por até R$ 42/m² — quase 50% acima da média regional.

O movimento chama atenção por ter ocorrido poucos meses após uma transação que zerou a vacância de um dos ativos do portfólio da própria empresa. Em dezembro de 2024, a LG alugou 9,5 mil m² no Prologis Cajamar I por R$ 30/m², valor compatível com a média das negociações efetivas na região.

Para ilustrar esse cenário, o valor de mercado (do inglês market rent) para Cajamar, no segundo trimestre de 2025, foi de R$ 26,80/m², em imóveis com especificações técnicas semelhantes ao analisado da Prologis e de classe A+ e A. Sendo assim, o valor está quase R$ 2 abaixo da média dos preços pedidos e mais de 35% inferior aos valores mais altos anunciados.

O indicador leva em conta variáveis como transações reais, padrão construtivo, disponibilidade e condições comerciais, e funciona como um parâmetro técnico para balizar análises e negociações.

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