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No Dia Internacional da Mulher, é crucial destacar a influência e as contribuições das mulheres em vários setores, incluindo o mercado imobiliário comercial. Na SiiLA, reconhecemos e valorizamos o papel essencial das mulheres no desenvolvimento e inovação do mercado. Cientes dos desafios persistentes, reiteramos nosso compromisso em promover um ambiente de trabalho inclusivo e igualitário, onde todas as vozes sejam ouvidas e valorizadas igualmente.
A participação das mulheres no mercado imobiliário comercial vem crescendo nos últimos anos. Apesar do progresso, reconhecemos que ainda há barreiras que limitam o desenvolvimento da equidade de gênero na indústria. Nesse contexto, a reflexão e o diálogo são indispensáveis para avançar em direção a um mercado imobiliário mais inclusivo e equitativo.
Neste Dia Internacional da Mulher, refletimos sobre as conquistas das mulheres e reconhecemos o caminho a percorrer. Para enriquecer essa reflexão, apresentamos uma série de entrevistas com mulheres líderes e executivas no setor imobiliário comercial, que oferecem suas valiosas perspectivas e experiências no setor. Através de suas vozes, buscamos inspirar e motivar um diálogo construtivo que promova um futuro mais inclusivo e equitativo.
– Como a presença e o papel das mulheres no setor imobiliário evoluíram durante a sua carreira?
Ao longo da minha carreira, vivenciei diversas culturas, incluindo o mercado financeiro, um ambiente mais tradicional onde ser uma mulher ascendente é mais difícil. Também trabalhei para empresas que eram líderes no processo de diversidade. Gosto de acreditar que, em ambientes organizacionais, de maneira geral, alguns mais imaturos que outros, temos estruturas mais preparadas para atender a essa demanda. Na WeWork, por exemplo, temos 62% de funcionárias mulheres na América Latina, e nos níveis de gerência e liderança, essa porcentagem está acima de 50%. Portanto, temos as duas métricas mais buscadas, abrangendo todo o corpo de funcionários e raramente refletidas na alta liderança. Isso é motivo de grande orgulho; estamos cercados por talentos femininos, refletindo um avanço considerável. Além disso, temos um processo de compliance e denúncia voltado para monitorar e manter nossos ambientes inclusivos, respeitosos e diversos para os funcionários. Abraçamos a missão de manter nossas comunidades dessa forma.
– Quais estratégias são essenciais para promover a igualdade de gênero e inclusão no mercado imobiliário comercial?
A diversidade deve estar em todos os lados. Geralmente, gosto de pensar nisso por duas perspectivas. Uma delas é a força da liderança em acreditar nisso, estabelecer metas para isso, ser muito vocal, transparente e não ter vergonha de assumir essa causa. O problema surge quando essa abordagem depende de uma liderança específica que a faça com o poder do grito. No dia em que o grito se torna menos forte ou a liderança se vai, os processos se revertam, e os preconceitos retornam. As empresas naturalmente optam pelo caminho mais fácil. E o caminho mais fácil não é o mais diverso.
Então, há o lado dos processos. Isso significa analisar o processo de recrutamento e garantir a paridade de candidatos que são finalistas para uma posição, para que você não chegue à fase final apenas com homens brancos heteros para escolher. Em outras palavras, como inserir uma oportunidade igual para todos competirem por aquela posição naquela fase final? Outro momento crucial está no processo de promoção e avaliação interna. As pessoas escolhidas são realmente as melhores, com as maiores avaliações de desempenho, o maior nível de entrega e ajuste cultural? Não pode ser apenas uma escolha porque o líder está recomendando. Eu acredito muito nas metas para esse assunto; isso depende muito da empresa e de sua maturidade. Não adianta estabelecer a meta sem mudar o processo.
– Que conselho você daria para jovens mulheres que aspiram a cargos de liderança no setor imobiliário?
Esse conselho é válido tanto para homens quanto para mulheres. A primeira coisa é ter clareza sobre o seu propósito versus o propósito da empresa. Quando esse propósito está claro, as escolhas ficam muito mais fáceis de serem trilhadas. Seja fiel ao seu propósito. Nós, mulheres, recebemos muito mais julgamento em geral. Há tanto viés associado às nossas escolhas como mulheres, mães, filhas e chefes. E aqui vem a dica principal: abafe o barulho dos julgamentos. Entenda qual é o seu propósito e não tenha vergonha dele. Não tenha vergonha de dizer que deseja um emprego mais flexível para trabalhar em casa o máximo possível.
Outra dica importante é fazer pactos com membros da família, a comunidade, o chefe, seus aliados, as pessoas que são importantes para que esse propósito aconteça. A verdade é que na vida de uma mulher que trabalha, especialmente se houver uma escolha pela maternidade, a única certeza que você pode ter é que não consegue fazer nada sozinha. Você precisa de um ecossistema te suportando.
– Como a presença e o papel das mulheres no setor imobiliário evoluíram durante a sua carreira?
Meu primeiro contato com o mercado imobiliário corporativo foi aos 17 anos, quando comecei a trabalhar como recepcionista na Herzog. Após um estágio, muito trabalho, e enfrentar barreiras por ser jovem e mulher, assumi a liderança comercial na empresa em apenas alguns anos, e em uma idade muito jovem. Hoje percebo que fui muitas vezes acuada, pressionada por ser mulher. Desde então, passaram-se mais de duas décadas, e testemunhei a profissionalização do setor imobiliário e a quebra de barreiras em um mercado fundamentalmente masculino, liderado por mulheres que, assim como eu, agora representam nosso setor com maestria. Atualmente, as principais consultorias corporativas no Brasil têm executivas mulheres, indicando uma mudança significativa.
– Que conselho você daria a jovens mulheres que aspiram a cargos de liderança no setor imobiliário?
Para as jovens mulheres que aspiram a cargos de liderança no setor imobiliário, recomendo buscar inspiração nas histórias de mulheres pioneiras e perseverantes. Um exemplo claro é minha avó, que, com determinação e coragem, trilhou o caminho de uma humilde costureira a uma bem-sucedida proprietária de uma loja de bebidas. Então minhas dicas são: você precisa gostar da dinâmica do mercado e depois, a receita é conhecimento, trabalho e coragem.
– Como a presença e o papel das mulheres no setor imobiliário evoluíram durante sua carreira?
Estou neste setor há mais de 30 anos. Comecei a trabalhar em uma empresa de desenvolvimento imobiliário, onde os cargos executivos eram predominantemente ocupados por homens. Havia algumas mulheres nos departamentos de marketing e recursos humanos, mas não em cargos executivos. No entanto, ao longo dos anos, observamos uma evolução lenta, mas significativa, no México. Hoje, mais de 41% dos colaboradores em FIBRAs (Fundos de Investimento Imobiliário) são mulheres, e entre 2020 e 2022, a participação feminina nos comitês técnicos aumentou de 10% para 17%. Além disso, nesse mesmo período, a participação das mulheres em comitês intermediários subiu de 2% para 9%, e houve avanços na igualdade salarial. Em 2022, relatou-se que apenas 0,5% das mulheres recebiam salário mínimo no setor. Embora o progresso ainda não seja suficiente, o setor de FIBRAs se destaca, especialmente em comparação com o setor empresarial mexicano, onde apenas 11% das mulheres participam de conselhos executivos, segundo um estudo do IPADE.
– Quais estratégias são essenciais para promover a igualdade de gênero e a inclusão no mercado imobiliário comercial?
Implementar estratégias que abordem a equidade no local de trabalho é essencial para promover a igualdade de gênero e a inclusão no mercado imobiliário comercial. Uma das medidas mais eficazes é a promulgação de políticas de licença paternidade e maternidade, bem como horários para amamentação. Essas iniciativas fomentam um ambiente de trabalho mais equitativo, onde homens e mulheres podem equilibrar suas responsabilidades familiares e profissionais sem sacrificar o desenvolvimento de suas carreiras. Ao reconhecer que ambos os gêneros têm papéis familiares importantes, uma cultura inclusiva é promovida, desafiando estereótipos de gênero tradicionais e contribuindo para um mercado imobiliário comercial mais diversificado e equitativo.
Além disso, é essencial implementar políticas abrangentes que abordem vários aspectos da equidade no local de trabalho, como normas explícitas contra a discriminação de gênero, códigos éticos, diretrizes e protocolos para garantir igualdade de oportunidades, monitoramento da disparidade salarial, linhas de denúncia confidenciais e cotas de gênero que, embora não sejam uma solução definitiva, podem impulsionar a busca por talentos diversos e promover uma maior representação feminina em cargos de liderança.
– Como você acha que a diversidade de gênero enriquece a tomada de decisões e a inovação no mercado imobiliário?
Incluir mulheres na tomada de decisões não apenas impacta positivamente o ambiente de trabalho, a estrutura e a satisfação e desempenho dos funcionários, mas também é crucial para a produtividade. Representando aproximadamente metade da população, excluir as mulheres significa ignorar metade do potencial humano. Isso se reflete em todas as áreas, pois as mulheres trazem perspectivas únicas, trazem soluções inovadoras e uma sensibilidade diferente, que ajudam a eliminar pontos cegos na gestão de negócios. De acordo com o Fundo Monetário Internacional, ter entre 50% e 60% de mulheres na força de trabalho pode aumentar a produtividade do PIB per capita em até 10%.
– Que conselho você daria a jovens mulheres que aspiram a cargos de liderança no setor imobiliário?
Para jovens empreendedoras no setor imobiliário ou em qualquer setor predominantemente liderado por homens, eu aconselharia quatro coisas: primeiro, confie em si mesma para superar desafios, vença o medo do fracasso e limite até mesmo o perfeccionismo excessivo; segundo, estude bastante, pois a educação é essencial para romper barreiras; terceiro, ouse aplicar o que aprendeu com consistência e perseverança, pois isso desenvolve o talento; e quarto, apoie outras mulheres criando uma rede de solidariedade.











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