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A Heineken está um pouco mais amarga nesse final de ano. O fundo de investimento da Rio Bravo, o RCRB11, divulgou um fato relevante afirmando que a empresa está, desde outubro, inadimplente no Continental Square, na região da Vila Olímpia, em São Paulo, no qual ocupa 1.7 mil m² dos 27.3 mil m² do empreendimento.
De acordo com o documento, “o motivo da inadimplência é essencialmente operacional, dado que a inquilina cedeu a posição de locatária para outra empresa do grupo Heineken.”
O texto informa também que não há quaisquer problemas com créditos que tenham causado a inadimplência. Em comunicado ao REsource, a cervejaria reafirma que a situação está relacionada a questões técnicas e não a uma crise financeira.
“O Grupo HEINEKEN esclarece que a situação pontual decorre exclusivamente da alteração da razão social vinculada ao contrato de locação. Os trâmites financeiros já foram retomados e todos os compromissos serão devidamente cumpridos, mantendo a relação transparente com o fundo”, afirma.
O impacto da inadimplência da Heineken vai pesar um pouco no bolso dos cotistas do fundo da Rio Bravo. O imóvel responde por cerca de 5% da receita contratada do RCRB11.
A gestora estima que o efeito direto dessa falta de pagamento no resultado do fundo é de aproximadamente R$ 0,08 por cota ao mês. Mesmo assim, o guidance de distribuição para o semestre permanece inalterado, em R$ 0,94 por cota, podendo ser revisto conforme a evolução do caso e dos demais recebimentos.
A Rio Bravo afirma estar tratando a situação como prioridade e já conduziu negociações com a Heineken para regularizar os valores em aberto. A gestora diz esperar que a companhia consiga resolver o problema “tão logo isso seja possível”, ainda que não descarte novos atrasos.
De acordo com os dados do terceiro trimestre, a empresa enfrentou dificuldades de vendas em todo o mundo. No Brasil, a companhia informou uma desaceleração do mercado causada pelo acúmulo de estoque, que antecedeu o aumento de preços em julho.
Além disso, algumas marcas, como Heineken e Amstel, registraram quedas no período. Comparado ao mesmo trimestre do ano anterior, as receitas líquidas caíram € 349 milhões.
Os dados mostram ainda que a empresa sofreu com o câmbio: a desvalorização de moedas estrangeiras frente ao euro reduziu a receita em € 304 milhões. Mesmo com o aumento de preços (Price-Mix +€ 269 milhões), isso não foi suficiente para compensar a queda de volume e o impacto cambial. Em termos simples: a empresa vendeu menos e ainda foi penalizada pelo câmbio, fazendo a receita cair de € 7,679 bilhões para € 7,330 bilhões, apesar dos preços mais altos.
Esse cenário se soma a um momento de reestruturação da companhia. A Heineken nomeou Alex Carreteiro como seu próximo presidente regional das Américas. Ele assume o cargo em março de 2026 e será baseado em Miami, nos Estados Unidos. Carreteiro substitui Marc Busain, que deixou o comando da operação em outubro de 2025. Antes da nomeação, o executivo liderava a área de Foods da PepsiCo no Brasil e Cone Sul.











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