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Com 11.4 milhões de pessoas, a cidade de São Paulo é um polo econômico e comercial. Faria Lima, Vila Olímpia e Paulista são algumas regiões que atraem empresários e investidores. Porém, o centro histórico, que já foi disputado, está com seus escritórios cada vez mais vazios. Segundo a plataforma de dados Market Analytics, a taxa escritórios vagos na região estava em 12,4% ao final de 2019 e agora, ao final do 2T23, está em 22,1%. Os dados são referentes aos prédios de escritórios de Classes A+, A e B monitorados pela plataforma da SiiLA no Centro de São Paulo.
Para acabar com o “vazio urbano” da área central, a prefeitura criou o Programa Requalifica Centro. Para entender melhor os planos da região, a redação do REsource, entrevistou o Secretário Municipal de Urbanismo e Licenciamento, Marcos Duque Gadelho.
O Programa Requalifica Centro, conhecido também como Lei do Retrofit, por meio de incentivos fiscais, busca requalificar empreendimentos antigos da região central construídos até 1992, estimulando o mercado imobiliário da região e atraindo investimentos.
Um exemplo recente é o Edifício Taquari, que permaneceu 3 anos desocupado e agora vai passar por uma reforma que o transformará em um empreendimento de uso misto, com 120 moradias e salas comerciais no térreo e mezanino. A previsão é que a obra dure dez meses e que as unidades sejam negociadas a preço de mercado.
Segundo Marcos Duque Gadelho, o Centro, por toda a sua história, possui a infraestrutura necessária para abrigar pessoas e empresas. “Constatou-se que esta região central tem uma importância significativa em termos de infraestrutura, por já ter sido sede empresas importantes. Ou seja, temos a possibilidade de ter um adensamento populacional muito grande na região”, conta o secretário.
O Centro, que segundo a Prefeitura possui 2.089 hectares, foi uma das regiões mais prósperas de São Paulo por muito tempo. Porém, por diversas razões, inclusive por conta do crescimento econômico e das Operações Urbanas Consorciadas, muitas empresas que estavam estabelecidas ali acabaram migrando para outras áreas da cidade.
O Secretário conta que o Programa não é apenas uma iniciativa que irá requalificar prédios, mas sim que irá trazer uma nova cara para o centro de São Paulo. Ele afirma também que, devido à estrutura que já possui, a região pode absorver 200 mil pessoas.
Para esse repovoamento, seria necessário trazer não só incentivos urbanísticos, mas também fiscais. A isenção do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) por 3 anos após a reforma é um dos incentivos previstos pelo programa.
Segundo o secretário, estão sendo realizados 25 processos de retrofit, 6 deles já estão licenciados e 19 estão na etapa de avaliação.
Tombamento
Além do retrofit, empreendimentos tombados se beneficiam do potencial construtivo. O prédio Alexandre Mackenzie, mais conhecido como Shopping Light, é um exemplo. Ele foi inaugurado em 1929 e serviu como escritório para a empresa distribuidora de energia elétrica The São Paulo Tramway, Light and Power Company.
O Shopping, que agora habita o prédio, ocupa a área desde 1999. Além de preservar a história, o empreendimento conta com 180 lojas, já abrigou uma balada em seu rooftop, possui centro de convenções e uma exposição permanente sobre sua história.
“Além de bonito é sustentável”
Para o arquiteto e urbanista Fernando Consoni, apesar de não ser um movimento tão popular, o retrofit é importante para cidade, quando abordamos questões ambientais. “É uma prática que nós incentivamos bastante. É um jeito que a gente vê de dar longevidade para edificação. Quanto mais longeva é, mais sustentável. Então, é muito mais ecológico você aplicar o retrofit em uma edificação do que fazer a sua demolição e a construção de uma nova. Isso tanto com geração de resíduo, de entulho, quanto de emissão de carbono. Então, o retrofit, a reforma em si, é sempre a melhor opção. É aquele famoso que além de bonito é sustentável”, conta.
Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), o setor de construção civil foi responsável por mais de 34% da demanda de energia e cerca de 37% das emissões de CO2, durante o ano de 2021.
“Então, o que é mais sustentável? Uma obra que dura 200, 300 anos, mas que talvez na sua raiz, ela não tenha um processo construtivo tão sustentável, ou é melhor uma obra que dure menos, mas que o seu processo construtivo seja mais sustentado? Então, são duas linhas de raciocínio a respeito de sustentabilidade na construção civil que eu acho que, num futuro muito próximo, isso vai encontrar um denominador comum”, diz o urbanista.
Qual o valor do preço pedido dos escritórios na região do Centro?
Segundo dados do Market Analytics, a média de preço pedido para empreendimentos comerciais no centro de São Paulo é de R$ 57,69/m². O valor está abaixo da média da cidade, que é de R$ 80/m² e fica próximo do preço pedido em regiões mais afastadas, como Marginal Tietê (R$ 49,68/m²) e Chácara Santo Antônio (R$ 57,62/m²). O valor também está bem próximo ao pedido em escritórios na região do Paraíso (R$ 57,88/m²).











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