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O mercado brasileiro de escritórios (classes A+, A e B) passa, de tempos em tempos, por transformações — ciclos de altos e baixos que impulsionam ou retraem a demanda. Hoje, os avanços tecnológicos e as crescentes preocupações com sustentabilidade impõem novas exigências ao setor, como mostra o levantamento da SiiLA, que aponta sete tendências para os escritórios corporativos.
A principal mudança é a redução da demanda por lajes corporativas tradicionais, impulsionada pela adoção do modelo híbrido de trabalho, que diminui a ocupação média por funcionário. Ao mesmo tempo, cresce o movimento de descentralização, com empresas buscando polos secundários ou espaços de coworking em busca de maior flexibilidade e redução de custos.
Para Thais Trentin, arquiteta, fundadora e CEO da Workplace, isso é um reflexo da mudança de cultura das empresas e a necessidade de economizar.
“Após a consolidação do modelo híbrido e a valorização da flexibilidade, muitas empresas perceberam que não precisam mais de grandes lajes corporativas em regiões centrais e de alto custo. Ao mesmo tempo, há uma mudança de mentalidade: os escritórios passaram a ser espaços de colaboração, e não apenas de presença física obrigatória. Isso permite layouts mais compactos, personalizados e melhor adaptados às dinâmicas atuais de trabalho”, conta.
Além disso, executiva explica que, com o avanço da tecnologia, é possível manter a produtividade e a integração das equipes mesmo com parte delas atuando remotamente.
“Migrar para regiões secundárias também oferece vantagens como menor custo de ocupação, menos tempo de deslocamento e acesso a talentos que valorizam uma melhor qualidade de vida”, completa.
Os dados da SiiLA mostram que, entre 2020 e 2025, os escritórios menores — de 500 m² a 750 m² — tiveram um aumento de 9,63% na ocupação. Já as lajes maiores, entre 1.000 m² e 2.000 m², registraram alta de 7,82%.
Em paralelo, há uma clara preferência por edifícios de alto padrão, especialmente nas classes A+ e A. O fenômeno conhecido como flight to quality evidencia a migração das empresas para prédios com melhor infraestrutura, certificações de sustentabilidade e localizações privilegiadas — mesmo que isso implique ocupar áreas menores.
A tecnologia também ganha protagonismo, com a adoção de soluções como IoT (Internet das Coisas) e automação predial para controle de climatização, iluminação e segurança. Aplicativos para gestão de reservas de estações de trabalho, salas e áreas comuns já fazem parte da rotina dos empreendimentos mais modernos, caracterizando a ascensão dos chamados "espaços inteligentes".
“Do ponto de vista da gestão, o IoT fornece dados valiosos sobre padrões de uso, ocupação e necessidades dos usuários, o que permite tomadas de decisão mais assertivas. Além disso, contribui para a sustentabilidade, um fator cada vez mais presente na agenda das empresas. A combinação entre tecnologia e bem-estar cria ambientes mais agradáveis, personalizados e adaptáveis ao novo modo de trabalho corporativo”, explica Trentin.
A crescente demanda por flexibilidade também impulsiona a expansão dos operadores de escritórios compartilhados, como Regus e WeWork. Apenas em São Paulo, esse segmento já figura como o décimo maior ocupante de escritórios, com 232 mil m².
Por fim, algumas regiões se destacam nesse novo cenário. O eixo Faria Lima, JK e Vila Olímpia, em São Paulo, segue como principal polo de escritórios do país, com baixa vacância e alta valorização.
Ao mesmo tempo, regiões secundárias e outras cidades — como Campinas, São José dos Campos, Curitiba e Recife — atraem empresas interessadas em reduzir custos sem comprometer a qualidade de vida oferecida aos funcionários.
“Acredito que a qualidade de vida passou a ser um critério estratégico para as empresas, tanto na atração quanto na retenção de talentos. Cidades como Campinas, São José dos Campos, Curitiba e Recife oferecem boa infraestrutura, polos de inovação e educação, além de um custo de vida mais equilibrado em relação aos grandes centros”, finaliza.
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