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Uma das principais regiões CBDs de São Paulo pode estar dando indícios de uma leve crise. A Avenida Juscelino Kubitschek (JK), tradicional polo corporativo da capital, começou a ser impactada por avisos de saída de inquilinos relevantes de seus escritórios.
Um exemplo emblemático, que ganhou destaque recentemente, foi o anúncio da saída da Amazon da torre E do Complexo JK. A empresa está transferindo suas operações para o Biosquare, localizado em Pinheiros, em um movimento de expansão que visa unificar as equipes que estavam espalhadas entre a antiga sede, o homeoffice e coworkings.
Atualmente, a região da JK conta com 432 mil m² de áreas corporativas classificadas entre A+, A e B — um volume considerável, embora menor em comparação com regiões adjacentes como Faria Lima (789 mil m²), Pinheiros (581 mil m²) e Vila Olímpia (603 mil m²). No entanto, as saídas programadas podem impactar diretamente a taxa de ocupação, hoje em 95,8%.
Um dos fatores que pode estar contribuindo para esse cenário é o aumento da atratividade de outras regiões. O caso da Amazon é ilustrativo: as empresas têm buscado áreas corporativas mais modernas, com infraestrutura adequada para acomodar suas operações e equipes, alinhadas aos novos modelos de trabalho, e que ofereçam melhor custo-benefício, com condições comerciais mais competitivas.
Além da Amazon, outras empresas também deixaram a região da JK recentemente. Publicis e DPZ&T, por exemplo, desocuparam o São Paulo Corporate Towers e se mudaram para o edifício Carlos Bratke – Jacarandá, na Berrini. Ambas pertencem ao mesmo grupo e a migração reforça uma tendência de movimentação dentro do mercado corporativo de São Paulo.
Esse movimento silencioso acende um alerta para um fenômeno cada vez mais relevante no mercado imobiliário: o shadow space. O termo se refere a áreas de escritório que ainda estão sob contrato e tecnicamente ocupadas, mas que já não são utilizadas pelas empresas — seja por operações reduzidas ou em vias de mudança.
O mapeamento da SiiLA considera como ocupados os espaços que possuem contrato de locação vigente. Portanto, mesmo que o inquilino já não esteja operando no local ou tenha anunciado sua mudança, o imóvel continua sendo contabilizado como ocupado enquanto o contrato estiver ativo. É o caso da Amazon: embora a empresa já tenha comunicado a mudança de sua sede para o próximo ano, ela segue registrada como ocupante da JK. Na prática, no entanto, o imóvel já não faz mais parte da sua estratégia de ocupação e pode ser considerado um shadow space.
Esse fenômeno cria uma espécie de vacância oculta. Especialistas apontam que, na JK, a presença crescente de shadow spaces pode ser um sinal de reconfiguração do eixo corporativo da cidade, em um movimento semelhante ao observado na Faria Lima. Com vacância baixa e preços elevados, inquilinos de grande porte têm buscado novas regiões para instalar suas sedes, optando por espaços mais flexíveis e financeiramente vantajosos.
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