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Nos últimos dias, as gigantes asiáticas de e-commerce Shein, Shopee, e outras foram mencionadas em diversas reportagens na imprensa por conta de uma nova regra da Receita Federal que previa o fim da isenção de imposto para produtos importados, adquiridos por pessoas físicas, para valores de até US$ 50 (em torno de R$ 250 reais em compras). Contudo, diante da repercussão negativa do tema, o Governo Federal voltou atrás da decisão de taxar as remessas internacionais.
Nos últimos meses, as empresas asiáticas vinham sendo acusadas de concorrência desleal por varejistas nacionais, pois estariam se beneficiando da regra fiscal para escapar da tributação, o que as permite praticar preços mais baixos no mercado brasileiro em um cenário de crise econômica, que vem forçando as companhias nacionais a fechar lojas, reduzir custos operacionais e, consequentemente, pressionando a curva de desemprego.
Apesar de o governo ter decidido manter a isenção das importações, a Receita Federal vai aumentar a fiscalização. A partir do mês de julho, o fisco exigirá que os Correios enviem um formulário completo com detalhes sobre a compra e o comprador, como CPF, antes da entrada da remessa no Brasil. Desta forma, a Receita pretende rastrear os CPFs que trazem grandes volumes de importados. O governo ainda deve anunciar novas medidas em maio visando coibir práticas ilegais.
O aumento da fiscalização pode frear o avanço das asiáticas, que poderão ser pressionadas para repensar suas estratégias no país. Segundo a plataforma Market Analytics, o setor de e-commerce tem sido o responsável pelas maiores locações de condomínios logísticos no Brasil nos últimos anos. Atualmente, as empresas de e-commerce já são responsáveis por quase 14% de toda a área locadas em condomínios logísticos no Brasil, considerando o mercado geral (classes A+, A e B). A expectativa da ABComm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico) é que o e-commerce movimente R$ 185,7 bilhões em vendas em 2023.
A chinesa Shein teve faturamento de R$ 8 bilhões no ano de 2022 no Brasil, o que representou um crescimento de 300% em relação a 2021. Os dados foram divulgados em relatório do BTG Pactual em janeiro de 2023. Vale pontuar que a empresa começou a vender no país em meados de 2020. Em novembro de 2022, a marca abriu uma pop-store que funcionou durante cinco dias no Shopping Vila Olímpia, na zona sul de São Paulo, que atraiu longas filas de consumidores. No total, a empresa já contabiliza mais de 9 mil funcionários em todo o mundo e vende para mais de 150 países.
Por sua vez, a Shopee foi criada no ano de 2015, em Cingapura e desembarcou no Brasil em 2019. No último ano, a Shopee liderou os downloads de aplicativos no país, ultrapassando Mercado Livre e Magazine Luiza.
Segundo levantamento exclusivo da SiiLA com base nos dados do fechamento do primeiro trimestre de 2023, juntas, Shein e Shopee ocupam cerca de 186 mil m² em condomínios logísticos no Brasil, das classes A+, A e B. A Shopee lidera as locações, com mais de 112 mil m² e presença em diversos estados, como São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul. A maior locação é no Prologis Castelo 41, um ativo classe A, localizado na região de Barueri, no estado de São Paulo, que tem mais de 74 mil m² de área bruta locável (ABL).
Por sua vez, a Shein tem locados mais de 80 mil m² no GLP Guarulhos II, próximo da capital paulista. O ativo leva a classificação A+ e foi entregue em 2021, com mais de 250 mil m² de ABL.
As asiáticas também têm locado área de lajes corporativas no país para suas operações. A Shopee tem no total mais de 20 mil m² em escritórios de alto padrão da capital paulista, distribuída por edifícios imponentes, como o B32, e Faria Lima Plaza, ambos na região da Faria Lima e no Berrini One e Thera Corporate, localizados na Berrini. Com ocupação mais tímida, a Shein inaugurou recentemente espaço administrativo em andar no edifício Vera Cruz II, um classe A+, localizado na Faria Lima.
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