Se inscreva para ficar por dentro das novidades do mercado imobiliário, dos eventos, notícias e análises!

Na última quarta-feira (29), algumas das principais figuras do mercado imobiliário comercial se reuniram em um evento promovido pela SiiLA, no edifício Berrini One, para debater o futuro do setor.
A conferência, realizada em comemoração aos 10 anos da empresa, contou com nomes como Hilton Rejman, presidente executivo da Brookfield Properties; João Arthur Almeida, diretor e CIO da Suno; Miltom D’Avila, head de Real Estate do Itaú BBA; e Nessim Daniel Sarfati, fundador da Barzel.
O painel, mediado pelo CEO da SiiLA, Giancarlo Nicastro, abordou temas como transparência de dados, o avanço do setor logístico, a retomada dos escritórios e as perspectivas para os próximos anos.Ao falar sobre a evolução da transparência de dados, Sarfati relembrou a dificuldade de se obter informações no passado, em um mercado ainda guiado por decisões instintivas:
“Não havia informação, fotos, descrição, Google Maps... nada. Me lembro que tínhamos que ir à base aérea para conseguir fotos aéreas e desenhar possíveis locais de construção para novos empreendimentos na Faria Lima.”Na sequência, Rejman destacou o papel da SiiLA em ampliar o acesso a informações precisas:
“Antes era tudo muito restrito a modelos de contratação. Por isso, creio que é muito importante termos uma plataforma como essa. De modo geral, devemos incentivar o fornecimento de dados, isso auxilia todo mundo. Vemos essa tendência fora do país e agora precisamos disso no Brasil.”Sobre o segundo tema da noite, Almeida apontou o segmento logístico como um dos mais promissores:
"Em um momento de alta dos juros e dificuldade para projetos mais especulativos, a logística se destaca por seu ciclo curto de construção, sendo atraente tanto para pessoas físicas quanto institucionais. Além disso, a recente popularização das cotas seniores e subordinadas no varejo segmentou o investidor: a pessoa física, com juros altos, busca rendimento com segurança nas cotas seniores; já a institucional mira retornos de 25% a 30% viabilizados pelas cotas subordinadas.”Miltom complementou destacando a transformação recente do setor:
“O que aconteceu com a logística de 2020 para cá é emblemático: o avanço do e-commerce, o aumento do consumo e a demanda por prazos de entrega cada vez menores impulsionaram fortemente o setor e trouxeram o conceito de last mile, aproximando operações e galpões das cidades.”Durante o debate, Nicastro também trouxe à tona a evolução dos escritórios corporativos que hoje exercem papel estratégico na atração e retenção de talentos.
“Esse segmento mudou bastante. As lajes em si continuam comoditizadas e parecidas, mas as empresas, ao visitar um empreendimento, passaram a observar o entorno, o térreo, os serviços e o acesso ao transporte público. Hoje, o prédio deixou de ser um stand alone, onde a pessoa apenas chega, sobe e trabalha, tornou-se um centro de serviços, com restaurantes, cafés, cabeleireiros, sapatarias. É um novo produto. As empresas disputam os mesmos talentos, então o espaço também precisa encantar candidatos e ajudar a reter profissionais”, afirmou Rejman.Ao final, Nicastro provocou os participantes com a pergunta: “Como será o mercado em quatro anos?”
“Se os juros se mantiverem nesse patamar, provavelmente não veremos novas ofertas, e o preço dos ativos tende a se ajustar. Mas acredito que, até o fim deste ano ou início do próximo, com a inflação e o câmbio relativamente controlados, o juro nominal pode começar a ceder e mudar esse cenário”, analisou Almeida.
Encerrando o debate, Miltom reforçou a importância de estabilidade econômica e previsibilidade:
“Os instrumentos que temos hoje, Gian, já são suficientes, desde que o ambiente de juros seja mais baixo e previsível. Fundos imobiliários de desenvolvimento ou de renda são ferramentas de investimento muito democráticas e eficientes, mas precisamos de estabilidade. O crescimento do Real Estate veio apoiado em CRIs e LCIs; o essencial é que, do ponto de vista tributário, esses instrumentos continuem acessíveis. O desafio é compatibilizar o investimento de longo prazo, como ocorre em economias maduras, atraindo fundos de pensão e previdência. Não precisamos de grandes invenções, e sim do básico: previsibilidade e uma taxa de juros comportada.”











Se inscreva para ficar por dentro das novidades do mercado imobiliário, dos eventos, notícias e análises!
