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Competição — a palavra vem do latim competitio, -onis, derivada do verbo competere, e basicamente significa “disputar algo”. E isso define Thiago Leomil. O empresário já foi sócio de diversas empresas e, hoje, é sócio fundador da inVista. Seu espírito competitivo sempre esteve ao seu lado, e isso não se limita apenas aos esportes, mas também à vida profissional.
Atraído pela complexidade da profissão, Leomil ingressou na faculdade de engenharia em 1997, em um mercado que ele definiu como “pequeno e restrito”, logo, competitivo.
“Falar que você era estudante de engenharia civil naquela época era uma afronta, porque o mercado era muito pequeno, muito restrito, pouquíssimos profissionais — muito qualificados, mas o mercado de trabalho era pequenininho”, relembra.
“Formei-me em 2002, num cenário ainda desafiador; muitos engenheiros civis migravam para Telecom, que vivia um momento forte, e poucos permaneciam atuando na área 'pura' de engenharia”, conta.
Começou na Alphaville Urbanismo, mas foi na Gafisa, a partir de 2006, que sua carreira ganhou contornos de competição de alto nível. Encarou prazos quase impossíveis, obras sem orçamento fechado e logística complicada — e transformou tudo em vitórias.
“Foi super desafiador. A Gafisa fazia obras para terceiros. Peguei um empreendimento sem orçamento fechado, com prazo super curto e custo apertado. Era para construir duas torres residenciais em 18 meses. Eu tinha 27 anos, era o segundo engenheiro da obra, e o sênior foi transferido para Curitiba. Logo fiquei responsável pelo projeto. O incorporador, Manuel Lotufo, foi até a obra, colocou a mão no meu ombro e disse: ‘Isso aqui tem tudo para dar errado. Prazo, custo, projeto, logística — e aí, vai entregar?’ Não havia outra saída a não ser dizer sim. E entregamos. Foi premiada em prazo e qualidade, e virou um case dentro da companhia”, relembra.
O primeiro grande desafio rendeu um dos maiores prêmios que um competidor pode ter: o reconhecimento. Leomil ganhou confiança e logo começou a crescer dentro da Gafisa.
“Foi ali que minha carreira de fato começou.”
Depois disso, outros desafios começaram a permear sua carreira. Criou um departamento técnico para a Gafisa no Rio de Janeiro, voltou para São Paulo, mas vivia viajando. Nesse período, a empresa cresceu.
“A Gafisa virou um monstro, chegou a ter mais de 150 canteiros. Depois da aquisição da Tenda, passei a liderar 2.300 funcionários, mais de 50 canteiros e quase 40 coordenadores. Eu respondia por quase metade da performance técnica da construtora. Hoje, olhando para trás, percebo que já era empreendedor, mesmo ainda sendo executivo”, relembra.
Mas o desafio ainda era pequeno. Após fazer um MBA, Leomil queria algo diferente, algo novo. Pediu demissão, mas no dia seguinte a Even o convidou para trabalhar, e ele aceitou — embora esse não fosse o destino dele.
“Dentro de mim já havia uma inquietação: eu queria algo novo. Um belo dia, Eduardo Carone me ligou. Eu não sabia o que era uma asset, não sabia nada de mercado financeiro, mas algo me puxava para isso. Me apaixonei pelo projeto, pedi demissão e entrei na Vista. Um mês depois, Eduardo saiu da sociedade. Eu estava recém-casado, sem reservas, minha esposa descobriu que estava grávida, e pensei: não tem volta, só há um caminho: para a frente.”
Assim como na Gafisa, Leomil teve um grande desafio, agora
em uma área que ainda estava iniciando. No mundo dos negócios, reaprendeu a
trabalhar.
“Eu sofria. Até que um ex-colega me disse: ‘Você não é mais o camisa 10. Vai ter que ter humildade e aprender tudo de novo. Daqui a dois anos, você vai saber o que eles sabem, mas eles nunca vão saber o que você sabe.’ Aquilo foi o clique. Voltei para casa, peguei meu caderninho, comecei a anotar termos, estudar e perguntar”, conta.
Com dedicação e esforço, a Vista cresceu, estruturou fundos imobiliários e chamou a atenção da XP, que comprou a gestora. Nesse período, Leomil conta que a empresa era uma “máquina” que crescia 40% ao ano.
“Depois, eu e um colega fomos para a Julius Baer liderar a área imobiliária. Foram quase cinco anos, R$ 3 bilhões investidos, uma curva de aprendizado monstruosa em governança, cultura de cliente, tecnologia. Participei de comitês de crédito, marketing, tecnologia, gente. Cresci muito”, relembra.
Em 2022, Leomil ainda queria crescer, queria desafios e aventuras. Sugeriu, com a Julius Baer, empreender, e assim nasceu a inVista, inspirada em tudo que ele já aprendeu.
“Saímos em bons termos da Julius Baer e fundamos a inVista, com eles como primeiro cliente. Embora a inVista tenha começado em 2022, eu digo que nossa história começou em 2013, lá atrás, na Vista. Hoje, somos uma gestora que oferece soluções imobiliárias customizadas, entendendo a dor do cliente antes de propor qualquer tese”, conta.
Thiago acredita que a prosperidade é maior do que dinheiro. Multiplicar capital é parte do trabalho, mas prosperidade é multiplicar valor, gerar impacto positivo na vida das pessoas. Por isso, a inVista vai além e também apoia causas sociais.
“A ideia começou no começo do ano passado, mais ou menos entre maio e junho. Queríamos construir uma forma de gerar prosperidade para as pessoas, indo além de simplesmente transformar dinheiro em mais dinheiro. Trabalhamos com o Projeto Pamplona, focado em esportes como jiu-jitsu e muay thai, oferecendo aulas com professores capacitados que transmitem valores de disciplina, esforço e trabalho em equipe”, conta.
“A princípio era uma doação, mas tudo que fazemos, vamos ver de perto, para checar se a galera mais precisa, se há destino útil. Cheguei lá e falei: 'Cara, não é um dinheiro que vai resolver, vamos ter que ajudar'”, relembra.
Thiago Leomil pratica diversos esportes, joga golfe e vive pelo esporte. O golfe talvez seja o maior desafio de sua vida esportiva, porque exige técnica, mente e paciência. Porém, sua inspiração vai além dos campos: vem das manhãs de domingo da década de 1980, com Ayrton Senna.
“Senna não foi só um piloto de Fórmula 1, mas um herói nacional e uma referência de mentalidade. Ele representa disciplina, paixão pelo que faz, romper limites e acreditar em algo maior. Para mim, ele simboliza uma mentalidade de vida, não apenas um esportista”, conta.
Em 2017, Leomil decidiu comprar seu primeiro capacete do Senna. Isso foi além de sua vida pessoal e passou a fazer parte da cultura da inVista.
“Quando fundamos a inVista, trouxemos o primeiro capacete para a sede como símbolo. Assim nasceu uma cultura empresarial inspirada na mentalidade de Senna — paixão, disciplina, superação e espírito coletivo. Isso influencia como trabalhamos e como queremos gerar prosperidade para as pessoas.”











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