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O avanço da tecnologia tornou o trabalho remoto uma realidade. Mas qual modelo é o mais saudável e eficiente? Para Elenise Martins, da EMRH, “o bem-estar do colaborador está diretamente ligado à cultura da empresa e à forma como os líderes a sustentam”. Ela alerta que “o home office ampliou a autonomia, mas diluiu os limites entre vida pessoal e trabalho”.
Na prática, Camilo Zanette, diretor da Croma, confirma a mudança de lógica: “O foco passou a ser entrega e não controle de presença”. Segundo ele, “o escritório virou um espaço de encontro e construção coletiva”, enquanto “o modelo híbrido se tornou parte da proposta de valor ao colaborador”.
Essa flexibilidade também é a base do modelo adotado pela Employer Recursos Humanos. Segundo Fabiana Zandroski, gerente de RH Estratégico, a empresa atua hoje com os três formatos. “Atualmente, a Employer opera com os modelos remoto, híbrido e presencial, definidos de acordo com as atividades e o contexto de cada área.” O principal motivador foi equilibrar qualidade de vida e eficiência: “O tempo de deslocamento pode ser bastante estressante e pouco produtivo, por isso flexibilizamos sempre que é possível manter acompanhamento e performance adequados”.
Para Elenise, a transição para formatos flexíveis exige maturidade organizacional. “O equilíbrio vem da disciplina do colaborador e, principalmente, da clareza da empresa sobre horários, entregas e expectativas.” Ela reforça que autonomia não significa ausência de gestão: “Delegar não é abandonar. Dar autonomia não é deixar de acompanhar”.
Fabiana concorda e ressalta que a flexibilidade precisa ser sustentada por estrutura. “Operar com mais de mil colaboradores em diferentes modelos exige lideranças capacitadas e times maduros para gerir rotinas, entregas e comunicação. Quando não há organização, o impacto na produtividade pode ser negativo.”
Zanette observa que esse cenário transformou o papel das lideranças. “O modelo híbrido exigiu uma mudança profunda, menos baseada em controle e mais orientada à confiança, clareza de objetivos e gestão por resultados.”Apesar dos avanços do trabalho remoto, Elenise destaca que o presencial continua essencial para a construção da cultura. “O aculturamento praticamente não acontece à distância. A vivência do dia a dia é fundamental, especialmente para novos colaboradores.” Para ela, o escritório deixa de ser apenas um espaço físico e passa a cumprir uma função estratégica de pertencimento e identidade.
Na Employer, esse desafio é enfrentado com rituais organizados. “Mesmo com times distribuídos, é fundamental garantir proximidade. Promovemos encontros recorrentes com pautas que reforçam cultura, propósito e direcionamento estratégico”, explica Fabiana. “Sempre que possível, também realizamos eventos presenciais para fortalecer o senso de união.”
Ela afirma que os efeitos são mensuráveis. “Identificamos avanços em indicadores como eNPS, engajamento e percepção de valor dos benefícios. O modelo de trabalho aparece de forma recorrente como um dos aspectos mais valorizados nas pesquisas internas.”Para Elenise, a produtividade deixou de estar associada ao tempo de permanência no escritório. “Hoje o que importa é a entrega. Se a pessoa entrega em menos tempo, por que não?”
Fabiana confirma que, dependendo da área, houve ganhos
concretos. “Observamos melhorias em métricas de performance e produtividade,
impulsionadas pelo uso de ferramentas digitais.” Além disso, a flexibilidade se
consolidou como benefício estratégico. “As pessoas relatam melhor gestão do
tempo e mais satisfação, o que contribui para equipes mais engajadas.”
Com isso, Elenise explica por que o híbrido ganhou força. “Ele equilibra a vivência da cultura no escritório com a flexibilidade e a produtividade do trabalho remoto.”
Na Employer, o modelo também impactou positivamente a retenção. “Observamos evolução no engajamento e na permanência dos profissionais, especialmente em áreas onde a flexibilidade é decisiva”, afirma Fabiana. “O formato passou a ser percebido como um diferencial competitivo.”
Na prática, o híbrido se consolida como a síntese entre cultura, eficiência e qualidade de vida: preserva o papel estratégico do presencial no engajamento e no aculturamento, enquanto atende à busca por autonomia e resultados que define o novo mundo do trabalho.











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