Se inscreva para ficar por dentro das novidades do mercado imobiliário, dos eventos, notícias e análises!

A lógica do Real Estate, historicamente associada a um mercado linear e conservador, foi profundamente transformada nos últimos anos. O setor, que por muito tempo operou sob padrões previsíveis, agora é desafiado a abandonar a estagnação e se reinventar para atender a novas dinâmicas de uso, comportamento e demanda.
Entre as mudanças mais estruturais está a consolidação do modelo de trabalho híbrido, que redefiniu a forma como empresas ocupam, avaliam e se relacionam com seus espaços. A seguir, veja como essa nova lógica tem impactado os diferentes setores do Real Estate.
Do ponto de vista dos investimentos, o trabalho híbrido deixou de ser apenas uma mudança comportamental e passou a influenciar diretamente a leitura de risco e retorno dos ativos corporativos. Raul Grego Lemos, portfolio manager na TRX Investimentos compartilha sua visão:
“O avanço do trabalho híbrido elevou o grau de seletividade na análise de risco dos FIIs de escritórios. Ativos bem localizados, eficientes e alinhados às novas demandas corporativas passaram a apresentar uma relação risco-retorno mais resiliente.”
Nesse novo cenário, o retorno deixou de ser medido apenas pelo valor do aluguel. “Hoje ele incorpora, de forma mais relevante, a previsibilidade de ocupação e a liquidez do ativo ao longo do tempo”, explica a Lemos. O foco sai do ganho imediato e passa para a sustentabilidade do investimento.
Para a gestora, o trabalho híbrido não é uma tendência passageira, mas uma transformação estrutural. “O risco não está no híbrido em si, mas na inadequação do ativo a esse novo padrão de uso.”
“Sobre edifícios antigos, a leitura é clara: ainda há espaço, mas condicionado à modernização.” Ou seja, para continuarem competitivos, costumam exigir retrofit e adequação às novas expectativas dos usuários. Caso contrário, o risco de obsolescência e vacância estrutural se intensifica.
Essa dinâmica acentuou a polarização do mercado. “Ativos prime passaram a concentrar maior demanda e liquidez, enquanto ativos secundários enfrentam desafios adicionais de ocupação e precificação”, aponta o gestor, o que tem levado investidores a priorizarem qualidade, mesmo que com retornos iniciais mais baixos.
Com essa tendência, os critérios para a escolha das sedes corporativas também se transformaram profundamente, passando a priorizar o bem-estar, a qualidade dos espaços e a integração entre as equipes como estratégias para estimular o trabalho presencial.
“O ambiente corporativo sempre foi guiado pela eficiência: quantas pessoas por metro quadrado cabem aqui. Hoje a pergunta mudou. A busca é por criar um espaço de trabalho qualitativo, um ambiente agradável, que ofereça diferentes situações para você trabalhar”, comenta José Luiz Lemos, sócio do escritório Aflalo Gasperini.
“Você não trabalha só sentado na sua mesa. Pode estar numa sala, numa área de recepção, numa área externa. Criar diversidade de situações dentro do escritório virou uma demanda muito grande.”
Essa mudança revela uma nova função social do escritório, que passa a ser também um espaço de convivência, troca e estímulo criativo. A arquitetura surge como ferramenta para criar ambientes mais humanos e flexíveis.
“Antigamente o coordenador tinha uma mesa maior, o gerente uma sala, o diretor uma sala com reunião. A tendência é não ter nada disso. É tudo mais uniforme, com espaços para diferentes dinâmicas.”
Um exemplo dessa visão é o Salma Tower, na Faria Lima:
“Trazer um jardim para cada andar é o retrato da busca por um ambiente qualitativo. Você não precisa ir para um canto fechado para respirar. Você tem um espaço vivo ali.”
Lemos ainda afirma a mudança nos rendimentos e na liquidez de ativos atualizados.
“Esse prédio tem cerca de 10% a mais de valor de locação. A média da Faria Lima é 300 reais o metro quadrado, ali chega a 330. As pessoas pagam pelo jardim.”
Além disso, a imagem corporativa ganha peso.
“Estar bem inserido na cidade já é um grande diferencial. Mas não é só localização. A empresa escolhe estar num prédio porque quer associar sua imagem à qualidade e a uma certa visão de mundo.”
Diante desse novo cenário, o escritório deixa de ser apenas um local de trabalho e passa a assumir um papel estratégico na construção da cultura, da identidade, da atratividade das empresas e nos seus rendimentos.











Se inscreva para ficar por dentro das novidades do mercado imobiliário, dos eventos, notícias e análises!
