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A cidade maravilhosa, o Rio de Janeiro, é famosa por suas praias, pontos turísticos e sua história. No entanto, essa combinação de turismo e belezas naturais não tem sido suficiente para impulsionar o mercado de escritórios na região, que atualmente registra uma alta taxa de vacância, de 32,9%.
Dados do Market Analytics, da SiiLA, apresentados durante o Panorama do Mercado Imobiliário do Rio de Janeiro, evento organizado pelo SECOVI RIO, mostram que, historicamente, a vacância em ativos de classe A+, A e B na cidade nunca esteve abaixo dos 30%.
Durante a apresentação, Giancarlo Nicastro, CEO da SiiLA, destacou que, apesar da redução no preço pedido pelos imóveis, tanto a taxa de vacância quanto o valor de mercado se mantiveram estáveis. O menor índice de espaços vagos foi registrado em 2019, com 32,1%, uma diferença inferior a 1 ponto percentual (p.p.) em relação aos números atuais.
“O Rio de Janeiro sempre foi altamente dependente de três setores: óleo e gás, setor público e financeiro – este último, com participação cada vez menor. Desde 2017, quando a Petrobras começou a devolver escritórios, a cidade nunca conseguiu se recuperar plenamente. Porém, o poder público tem adotado medidas para reverter esse cenário, como a revisão do zoneamento, o incentivo à construção de empreendimentos residenciais no Centro e o estímulo a setores estratégicos da economia para revitalizar a região central. Além disso, a reabertura da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro pode atrair novamente empresas do setor financeiro, contribuindo para a redução da vacância”, comenta Nicastro.
Ainda não há uma resposta categórica para explicar o desempenho estagnado do mercado corporativo carioca. No entanto, Nicastro apresentou alguns fatores que podem ter dificultado a redução da vacância e o crescimento do setor.
Em 2016, a vacância era de 32,9%, reflexo de uma crise econômica e política nacional que resultou no impeachment da então presidente, Dilma Rousseff. Além disso, os investimentos em infraestrutura para as Olimpíadas impulsionaram temporariamente a economia local, mas também deixaram um legado de endividamento para o estado.
No ano seguinte, 2017, o Rio de Janeiro enfrentou uma grave crise fiscal, reduzindo os investimentos públicos e impactando o mercado imobiliário. Outro fator relevante foi o desdobramento da Operação Lava Jato, que levou a Petrobras a devolver 52 mil m² de escritórios, elevando a vacância para 35,9%.
Entre 2018 e 2019, houve uma leve recuperação, com a taxa de vacância caindo para 32,8% e 32,1%, respectivamente. No entanto, a pandemia de 2020 interrompeu esse movimento e trouxe novos desafios para o setor.
O ano de 2021 marcou o pior momento para os escritórios na capital carioca, com a vacância atingindo 36,6%. Instabilidade política, inflação elevada e incertezas globais contribuíram para esse cenário.
Nos anos seguintes, o mercado começou a dar sinais de recuperação. Em 2022, a vacância caiu para 34,7% e, em 2023, para 34,1%. A retomada gradual da economia pós-pandemia e um cenário político mais estável ajudaram nesse processo, ainda que o mundo enfrentasse desafios macroeconômicos, como conflitos geopolíticos e incertezas financeiras.
Em 2024, a vacância caiu para 32,9%, representando uma melhora de 1,22 p.p. em relação ao ano anterior. Apesar da relativa estabilidade política, o setor público ainda enfrenta desafios fiscais e financeiros.
Na reta final da apresentação, Nicastro apresentou projeções para os próximos anos. A expectativa é que a vacância do mercado carioca só fique abaixo dos 30% em 2026, quando poderá atingir chegar na casa dos 29%.
Em termos de novos empreendimentos, a previsão é de um acréscimo modesto ao estoque da cidade. Para 2025, espera-se a entrega de apenas 3 mil m². Em 2026, o volume deve subir para 24 mil m², e em 2027, para 35 mil m².
“As perspectivas são otimistas, já que o mercado de imóveis residenciais segue aquecido tanto em vendas quanto em locação, atraindo mais moradores e visitantes para a cidade. Esse movimento, aliado ao retorno gradual aos escritórios, uma tendência já consolidada nas principais cidades do mundo, indica que o home office deixou de ser predominante. Assim, é apenas uma questão de tempo para que as ocupações voltem a crescer no Rio de Janeiro”, finaliza Nicastro.
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