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Vila Olímpia ganha força como refúgio corporativo diante da escalada de preços da Faria Lima

  • Com escritórios até 51% mais baratos que os da Faria Lima, região atrai empresas de tecnologia e ocupantes em busca de proximidade com o principal eixo financeiro de São Paulo sem absorver os mesmos custos
Bruno Milan, diretor executivo da MaxCorp, que explicou como a Vila Olimpia se tornou alternativa à Faria Lima
Bruno Milan, diretor executivo da MaxCorp, que explicou como a Vila Olimpia se tornou alternativa à Faria Lima
Por: SiiLA News
02/06/2026

A Vila Olímpia deixou de ser apenas uma alternativa à Faria Lima e passou a consolidar uma identidade própria dentro do mercado corporativo paulistano. Impulsionada por empresas de tecnologia, coworkings e ocupantes em busca de redução de custos sem abrir mão de localização e qualidade, a região vive um novo momento de absorção, mesmo ainda carregando parte das cicatrizes deixadas pela pandemia.

Dados do Market Analytics da SiiLA mostram que a vacância dos escritórios A+, A e B da região caiu de 18,29% no fim de 2021 para 12,30% no primeiro trimestre de 2026. No mesmo período, a absorção líquida voltou ao terreno positivo e a demanda ganhou força principalmente a partir de 2024.

Segundo Bruno Milan, diretor executivo da MaxCorp, a pandemia atingiu a Vila Olímpia de forma mais intensa do que outros eixos corporativos tradicionais da cidade.

“A Vila Olímpia sofreu, em conceito, muito mais que a Faria Lima e outras regiões”, afirmou.

Por ser um bairro fortemente dependente da dinâmica corporativa presencial, a região viu empresas reduzirem espaços e adiarem decisões durante o auge do home office. Ainda assim, o cenário começou a mudar nos últimos meses, impulsionado principalmente pela migração de ocupantes vindos da própria Faria Lima, JK e Marginal Pinheiros.

“Nos últimos meses houve um movimento muito forte de procura pela região, principalmente de inquilinos que estavam localizados na Faria Lima, JK, Marginal e por aí”, disse Milan.

Mesmo com a melhora dos indicadores, o executivo afirma que o mercado ainda mantém um ambiente competitivo entre proprietários, especialmente em edifícios de maior qualidade.

“Você não tem mais tanto espaço para negociações com carências absurdas. Mesmo assim, para ativos mais qualificados, ainda existe uma boa janela de negociação. Os proprietários continuam em uma competição relevante”, afirmou.

Historicamente vista como uma extensão mais acessível da Faria Lima, a Vila Olímpia passou a construir um perfil próprio, fortemente associado ao setor de tecnologia. Hoje, além de empresas digitais, a região concentra operações de coworking ocupando prédios inteiros e empresas que priorizam flexibilidade e eficiência de custo.

“A Vila Olímpia há muito tempo já está consolidada como um polo de tecnologia”, afirmou Milan.

O CUBO, por exemplo é o maior coworking do país, com 19.6 mil m², e concentra empresas de tecnologia e start-ups em seu core. Criado pelo Itaú, o CUBO é autodenominado como “ecossistema omnicanal onde a inovação acontece na prática, todos os dias”.

O subsetor de tecnologia é o segundo maior na região, com 44.9 mil m², perdendo apenas para finanças que possui 71.3 mil m². Ao todo, a área ocupada por inquilinos em empreendimentos A+, A e B é de 542 mil m².

Para o executivo, a diferença de preços entre os dois mercados ajuda a explicar o atual movimento de migração corporativa. Segundo ele, o custo elevado da Faria Lima tem levado empresas a reconsiderarem a necessidade de permanecer na região.

Dados de mercado mostram que o valor de mercado médio na região está em R$ 143,76 por m², enquanto Faria Lima e JK registram patamares de R$ 293,46/m² e R$ 263,79/m², respectivamente.

Na prática, isso significa que a Vila Olímpia opera com valores cerca de 51% inferiores aos da Faria Lima e 45% abaixo dos praticados na JK. Para empresas que desejam manter presença física próxima aos principais centros financeiros e corporativos de São Paulo, mas com menor pressão imobiliária, a região passou a representar uma alternativa estratégica.

“Com os preços praticados hoje na Faria Lima, as empresas que permanecem lá realmente precisam do endereço. Porque, 500 metros adiante, você encontra um prédio no mesmo padrão pela metade do preço”, disse.

Apesar da recuperação consistente, o mercado ainda acompanha fatores macroeconômicos e políticos que podem influenciar decisões corporativas ao longo do segundo semestre. Ainda assim, a expectativa do executivo da MaxCorp é de continuidade na absorção da região, especialmente se os preços da Faria Lima continuarem pressionados.

“Não acho que isso vá piorar. E acredito que ainda exista espaço para esse movimento ficar mais forte conforme os preços da Faria Lima continuarem subindo”, afirmou Milan.

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