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2025 foi um ano de mudanças em São Paulo. Segundo a análise de dados da SiiLA, disponível exclusivamente na plataforma Market Analytics, o período apresentou a melhor média histórica nas regiões de CBDs, com os melhores resultados de absorção bruta e líquida em escritórios de alto padrão (A+ e A), além de uma vacância que praticamente se igualou ao patamar pré-pandêmico.
Os dados indicam que o ano atingiu um recorde de absorção líquida positiva, de 215 mil m², e um recorde também na absorção bruta de 416 mil m². Ao mesmo tempo, a taxa média de vacância nas regiões CBDs chegou a 16,2%, tecnicamente empatada com os números de 2019, quando o índice foi de 16,09%.
As movimentações mostram que o ano foi marcado por decisões mais racionais de ocupação. Consolidação de áreas, busca por eficiência operacional, qualidade construtiva e localização passaram a pesar mais do que a simples presença física.
Algumas das grandes locações registradas no ano foram anunciadas pelas empresas como estratégicas para suas operações, como foi o caso das Casas Bahia, que se aproveitou de uma devolução da WeWork no Centenário no início do ano e consolidou sua operação em 16.495 m² de área na Berrini.
A XP também chamou a atenção ao realizar uma expansão de 17 mil m² no Julieta Building, imóvel localizado na Chácara Santo Antonio.
Esse comportamento favoreceu regiões tradicionais de negócios, mas também impulsionou uma dispersão mais qualificada da demanda, com empresas migrando para eixos que combinam infraestrutura, acesso e custos mais competitivos.
Apesar do cenário amplamente positivo, a Faria Lima destoou do restante da cidade. Em 2025, a região registrou absorção líquida negativa de 12,2 mil m², o pior desempenho de sua série histórica. O resultado marca um ponto de inflexão para o principal eixo corporativo do país.
As devoluções vieram, sobretudo, de empresas do setor financeiro — protagonistas na consolidação da região ao longo dos últimos anos. Reag, CCB Brasil, Stone Pagamentos, Blue Bank, Múltipla e Banco Master estão entre as companhias que deixaram o eixo, em movimentações envolvendo áreas superiores a mil metros quadrados.
Embora fatores extraordinários tenham influenciado casos específicos, que passam por liquidações e operações policiais — como nos casos do Banco Master e da Reag —,o principal vetor estrutural é o nível recorde de preços. Desde 2024, os valores de locação na Faria Lima superam R$ 400/m², pressionando o custo de ocupação e reduzindo a atratividade do eixo em um ambiente corporativo cada vez mais orientado à eficiência.
A maré desfavorável da Faria Lima ainda está longe de acabar. O Banco Master, por exemplo, ainda possui espaços que deverão ser devolvidos aos proprietários, incluindo áreas em torres iconicas, como o prédio da baleia, o B32, e Pátio Victor Malzoni.
Olhando para frente, os dados de 2025 ajudam a antecipar um cenário mais equilibrado a partir de 2026. A expectativa é de estabilidade nos preços médios, sem novas escaladas abruptas, especialmente fora da Faria Lima.
Ao mesmo tempo, o mercado paulista de escritórios de alto padrão deve receber cerca de 230 mil m² de novo estoque em 2026. Diferentemente de ciclos anteriores, essa oferta chega parcialmente protegida por contratos de pré-locação, o que reduz o risco de grandes impactos sobre a vacância.
As pré-locações indicam que empresas voltaram a planejar expansões com antecedência, priorizando edifícios mais eficientes, bem localizados e alinhados às novas exigências de ESG, tecnologia e experiência do usuário. Esse comportamento reforça a leitura de que o novo estoque tende a ser absorvido de forma gradual e saudável.
A tendência para os próximos anos é de absorção contínua, porém mais seletiva, com menor tolerância a preços excessivamente elevados e maior foco na qualidade dos ativos. Para proprietários, o desafio será repassar o preço e ainda assim manter os inquilinos, já que com novo estoque chegando, novos empreendimentos entram no radar dos ocupantes.
Uma interpretação dos dados pode indicar que 2025 marcou o encerramento do ciclo de recuperação, enquanto 2026 desponta como o início de uma fase de maturidade do mercado corporativo paulistano — caracterizada por equilíbrio entre oferta, demanda e preços. Uma dinâmica que reforça o papel dos dados na tomada de decisão, disponíveis na íntegra na plataforma Market Analytics da SiiLA.







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