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Um dos conceitos econômicos mais aplicáveis ao mercado imobiliário é a rigidez nominal de preços. Uma das teorias clássicas da economia aponta que os preços — nesse caso, os contratos de locação — tendem a ser mais resistentes a reduções.
A resistência em baixar valores nominais é um fenômeno social e psicológico. Somada à inflação inercial, conceito que explica como os aluguéis continuam subindo mecanicamente mesmo em períodos de mercado desaquecido, devido aos índices de correção inflacionária, essa dinâmica ajuda a entender por que os preços de locação avançam continuamente, chegando a patamares acima de R$ 300/m² de área privativa.
Esses fatores foram observados pela equipe de inteligência da SiiLA. Um caso recente é a locação da Vinci Compass no Leblon Offices – BM 336, no Rio de Janeiro, por R$ 367,78/m², totalizando R$ 899 mil mensais para 2,4 mil m².
Ainda assim, a operação da Vinci não figura entre as maiores do ano. Em janeiro, a Monte Azul fechou contrato de R$ 438,69/m² por 181 m² de área privativa no Platinum Offices, na região do Itaim Bibi, em São Paulo. Outras negociações no Platinum Offices ou no Plaza Iguatemi— este último já abordado em reportagem do REsource — reforçam uma tendência que ultrapassa as teorias econômicas sobre preços inflacionados, conectando-se também à dinâmica da vacância.
Felipe Laragnoit Leite, Sócio da Primaz&Co, afirma que o aumento dos preços possui um grande impacto pela lei da oferta e da procura, somada a restrições construtivas da região.
“O aumento dos valores de aluguel em grandes regiões como a Faria Lima basicamente se dá pela lei da oferta e da procura e, principalmente, pelas restrições construtivas, como o CEPAC, que existem ali. Ou seja, novas obras são muito limitadas, há poucas entregas, e com isso, pela própria dinâmica de oferta e demanda, os aluguéis vão subindo. A Faria Lima, em específico, acabou se consolidando como uma espécie de grife. Não é só a qualidade dos prédios que pesa, mas também o prestígio do endereço. Muitas vezes, empresas do mercado financeiro, como assets, fazem questão de ter no cartão de visita o endereço na Faria Lima, porque isso tem impacto para o negócio e para a marca. Por isso, essas empresas não renunciam à região e aceitam pagar valores muito altos, chegando a R$ 300 e, em alguns casos, até R$ 400/m²”, explica.
Nem tudo são flores. Com o avanço acentuado dos valores de locação, algumas empresas podem optar por deixar as regiões mais caras. Na Faria Lima, por exemplo, no segundo trimestre de 2025, houve absorção líquida negativa de 5,5 mil m² em imóveis de padrão A+ e A.
Essa não foi a primeira vez que o movimento ocorreu. No primeiro trimestre de 2024, a região também registrou uma debandada de inquilinos: empresas como Pirelli, SulAmérica, Banco da China e outras decidiram migrar para áreas com preços mais acessíveis.
Ainda assim, isso não impediu o Scotiabank de renovar seu contrato por R$ 400/m², nem o Banco Master de expandir sua presença na região. A Faria Lima se consolidou como centro financeiro, e a tendência é que companhias fora desse segmento deixem a região, concentrando-se em áreas adjacentes.
“Existe um limite de teto que algumas empresas conseguem pagar. Às vezes, o executivo quer estar na Faria Lima, mas a companhia tem restrições orçamentárias. Isso é muito comum em grandes corporações de setores que não são do mercado financeiro. Esses ocupantes, que demandam áreas muito grandes — de 5, 10, 15 mil metros quadrados — acabam não conseguindo sustentar os valores da Faria Lima, que hoje chegam a R$ 300 ou até R$ 400 por metro quadrado. Por isso, a tendência é que essas empresas de outros setores, que ainda estão na região, acabem migrando para áreas próximas, onde o custo é mais viável”, afirma o executivo.
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