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Em janeiro de 2024, a Prologis comprou um terreno em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, por R$ 850 milhões. A área, de 1 milhão de metros quadrados, abrigava anteriormente uma fábrica da Ford. Além dos desafios relacionados à aprovação do projeto, a companhia agora enfrenta outro obstáculo: o Metrô de São Paulo.
Armando Fregoso, country manager da Prologis, terá de demonstrar jogo de cintura diante da intenção do governador Tarcísio de Freitas de utilizar parte do terreno para construir uma estação e um pátio de manobras da Linha 20-Rosa.
“O que eu preciso lá é de 25% a 30% da fábrica, que é uma área muito grande, para fazer o pátio de manobras”, afirmou o governador em entrevista ao Diário do Grande ABC.
Questionado, o governo estadual ainda não definiu a localização do pátio de manobras, mas uma decisão deve ser tomada até o final de 2025.
“Possíveis alterações na localização do pátio da futura Linha 20-Rosa ainda estão em estudo e serão definidas durante a elaboração do Projeto Básico, cuja conclusão está prevista para o final de 2026”, informou a Secretaria dos Transportes Metropolitanos, em nota ao REsource.
O governo do Estado deverá pagar o valor venal do imóvel, somado a uma compensação financeira à Prologis, já que o projeto da empresa não chegou a ser executado. As obras ainda não haviam sido iniciadas, pois nem a prefeitura e nem a CETESB (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) — que também está sob administração de Tarcísio — aprovaram o empreendimento.
Existe, no entanto, a possibilidade de a compensação não ser exclusivamente financeira. Segundo o governador, a área inicialmente reservada para o pátio de manobras poderá ser cedida à empresa.
“Essa área estava inclusive destinada a ser pátio para a Linha 20. Então, tendo um pátio aqui, eu não vou precisar dessa área. Eu posso passar para a empresa, para ela ter um centro de logística lá na capital”, declarou Tarcísio.
Levando em consideração os 30% mencionados por Tarcísio, o Estado deverá desapropriar cerca de 300 mil m² do terreno. Nesse cenário, a indenização à Prologis deveria ser, no mínimo, de R$ 255 milhões — valor proporcional ao que a empresa pagou pela área, de forma a evitar prejuízo direto.
Porém, ao considerar o valor venal do terreno, R$ 602 milhões, valor base pago pelo estado em situações de desapropriação, e considerando a parcela requerida pelo estado para a construção do pátio de manobras, 30% dessa área corresponde a R$ 180 milhões, que é o valor mínimo a ser pago pelo Estado, a curto prazo, seria um prejuízo de R$ 75 milhões, desconsiderando o prejuízo a longo prazo.
O terreno da antiga fábrica da Ford tem um histórico turbulento. Após o encerramento das operações da montadora em 2019 e a venda do espaço em 2020 por R$ 550 milhões à Construtora São José, o pagamento não foi concluído. Assim, Credit Suisse e BTG Pactual assumiram o controle do ativo, com planos de investir R$ 1,2 bilhão em um grande complexo logístico, de 451 mil m² de ABL.
O projeto, porém, nunca saiu do papel. Passivos ambientais, falta de aprovação da CETESB e altos custos de manutenção — cerca de R$ 20 milhões por ano — travaram o desenvolvimento. Tentativas de revenda e até de permuta com outras empresas não avançaram, e o terreno permaneceu parado por cerca de três anos.
Corrigido pela inflação, o investimento inicial de R$ 550 milhões passou a valer cerca de R$ 720 milhões, mas o ganho líquido dos proprietários foi modesto diante dos custos acumulados. A área acabou sendo vendida em 2024 à Prologis, que desembolsou R$ 850 milhões pelo ativo — uma operação considerada de alto valor e que reacendeu o debate sobre sua viabilidade financeira.











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