Se inscreva para ficar por dentro das novidades do mercado imobiliário, dos eventos, notícias e análises!

O avanço acelerado do TikTok Shop no Brasil começa a redesenhar o equilíbrio do e-commerce e a acender um sinal de alerta entre os grandes players do setor, como o Mercado Livre. Lançada no país em maio de 2025, a plataforma de social commerce alcançou US$ 46,1 milhões em volume bruto de mercadorias (GMV) em agosto, após movimentar apenas US$ 1 milhão no mês de estreia — um crescimento de 4.500% em apenas três meses, segundo dados compilados pela Tabcut
O ritmo de expansão já se traduz em impacto mensurável ao Mercado Livre, líder do comércio eletrônico na América Latina. De acordo com relatório do Itaú BBA, nos primeiros cinco meses de atuação no Brasil, a operação do TikTok Shop já representa cerca de 2% das vendas do Mercado Livre no país, com metade desse volume vindo da aba de marketplace, em um ambiente competitivo descrito pelo banco como “o mais difícil já visto”.
Parte dessa tração está ancorada no modelo de “compra por descoberta”, que integra conteúdo, entretenimento e transação em uma única jornada. Dados divulgados pelo próprio TikTok indicam que, nos primeiros cinco meses de operação, a receita diária média (GMV) cresceu 26 vezes, enquanto o número de criadores com vendas mensais avançou 12 vezes e o de vendedores ativos, 11 vezes. As transmissões ao vivo se consolidaram como principal alavanca de conversão, com crescimento de 143% no GMV gerado por lives durante a Black Friday, segundo a plataforma.
Estudo recente da Klavi, divulgado em fevereiro de 2026, reforça a mudança de comportamento do consumidor. A TikTok Shop já supera a Temu em número de consumidores e transações no e-commerce brasileiro, impulsionada por maior capilaridade e compras por impulso, ainda que com tickets médios mais baixos. O movimento sugere que, mesmo em estágio inicial, a plataforma chinesa deixa de ser apenas uma aposta emergente e passa a se firmar como um vetor estrutural de pressão competitiva sobre os incumbentes do setor.
Desde meados de maio, o Mercado Livre vê suas ações oscilando e, em um período de 12 meses, caindo cerca de 16%, na NASDAQ. Dentro do Ibovespa, o papel da empresa caiu 24,5% no mesmo período. Segundo a JP Morgan, as ações da companhia operaram abaixo do brenchmark, sendo elevado apenas recentemente ao status, saindo de neutro, para compra.
A elevação de status não vem de um mérito exclusivo do Mercado Livre, mas também de um ambiente competitivo mais favorável. Stefan Furtado, gerente regional da Manhattan Associates, não acredita em uma substituição imediata do Mercado Livre por empresas que seguem o modelo de social commerce, como o TikTok Shop, pelo menos, no curto prazo.
“O social commerce deve crescer de forma muito relevante nos próximos anos, mas não necessariamente substituir players como o Mercado Livre, pelo menos não no curto prazo. O que devemos observar é uma redistribuição do protagonismo dentro do e-commerce, com as redes sociais capturando uma parcela maior das compras por impulso e das jornadas de descoberta de produtos”, explica.
Furtado explica que a principal vantagem do Mercado Livre e outros players mais tradicionais, é a malha logística. “O Mercado Livre e outros grandes marketplaces ainda possuem vantagens estruturais importantes, especialmente em logística, escala e confiança do consumidor, fatores que levam anos para serem construídos.”
Dados da SiiLA mostram que o Mercado Livre ocupa 2.1 milhões de m² de condomínios logísticos de todo o Brasil. Hoje a companhia é a maior ocupante logística do Brasil e apresenta evoluções constantes em sua ocupação. Porém, ao mesmo tempo que há o crescimento dela, as concorrentes não ficam para trás, a Shopee também está ganhando terreno e está próxima de seu primeiro milhão, em metros quadrados.
A plataforma de análise de dados da SiiLA monitora transações de todo o país. Monitorado pela equipe de inteligência de mercado da SiiLA, os quatro maiores players de e-commerce possuem cerca de 40 transações monitoradas, sendo 60% do Mercado Livre. Valores pagos e detalhes dos contratos podem ser consultados na plataforma exclusiva para assinantes da SiiLA, o Market Analytics.
Dentro dessa equação, o TikTok Shop ainda não possui números. A plataforma atualmente atua com parceiros para realizar sua logística, ou seja, a empresa em si não loca diretamente galpões e nem possui centros de distribuição. Porém sua maior força está no fator humano, as compras por impulso.
“Ao mesmo tempo, plataformas como o TikTok Shop estão reduzindo drasticamente a distância entre inspiração e compra, criando um modelo extremamente poderoso para determinadas categorias e perfis de consumo”, explica o gerente regional da Manhattan Associates.
Furtado explica que para o futuro, o mais provável é que tais empresas coexistam de forma complementar, tendo como vantagem não o canal de vendas, mas sim a capacidade de atender o consumidor de forma mais imediata.
“As empresas que conseguirem alinhar marketing, vendas e fulfillment com velocidade e precisão tendem a sair na frente, independentemente de onde a jornada de compra começa”, finaliza.











Se inscreva para ficar por dentro das novidades do mercado imobiliário, dos eventos, notícias e análises!
