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Um empreendimento classe A com 6,4 mil m² de área locável BOMA, distribuídos em três andares, tornou-se a nova sede da Netflix no Brasil. O OPI-7, localizado na Avenida Rebouças, em São Paulo, foi escolhido como nova sede da gigante do streaming em um processo de BID conduzido pela CBRE.
Segundo a apuração conjunta entre a equipe de inteligência da SiiLA e o time de jornalismo do REsource, a Netflix está pagando cerca de R$ 209/m² pela locação. O edifício está inserido em Pinheiros, onde o valor de mercado gira em torno de R$ 141,75/m². Fontes do mercado indicam que o preço pedido durante o período de comercialização do ativo era de R$ 165/m², aproximadamente 26% abaixo do valor fechado com a Netflix.
A controvérsia, no entanto, gira em torno da estrutura societária do OPI-7. O imóvel pertence a uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) formada por 12 sócios, entre eles executivos e gerentes da própria CBRE — empresa responsável por intermediar a locação para a multinacional.
Entre os envolvidos estão Adriano Sartori, CEO da CBRE, e Edson Ferrari, diretor da companhia. Além disso, a Athié Wohnrath, empresa de arquitetura e soluções de obras responsável pelo projeto do espaço para a Netflix, também integra o quadro societário do OPI-7.
Ou seja, entre os proprietários do empreendimento estão representantes diretos da empresa intermediadora (CBRE) e da responsável pelo projeto (Athié Wohnrath).
A chegada da Netflix ao OPI-7 ocorreu por meio de um BID — processo competitivo comum na compra e locação de imóveis comerciais, no qual empresas apresentam propostas estruturadas para adquirir ou ocupar determinado ativo.
Além de deter participação no imóvel, a CBRE também atuou como consultoria para a Netflix, sendo responsável por conduzir a seleção dos imóveis analisados durante o processo de busca de um novo imóvel.
As propostas são feitas dentro de um prazo estabelecido, considerando não apenas o preço, mas também fatores como condições de pagamento, segurança da transação e agilidade na negociação. A escolha do vencedor não necessariamente recai sobre a melhor proposta financeira, mas sim sobre a oferta que melhor atende às necessidades do locatário.
Até o momento, Netflix e CBRE não se pronunciaram oficialmente sobre o caso.
A CBRE estabelece suas práticas de governança e conduta ética a partir de um código interno chamado RISE — Respeito, Integridade, Serviço e Excelência. Entre os princípios descritos, a empresa define conflito de interesse como qualquer circunstância em que vínculos pessoais possam comprometer a imparcialidade nas decisões de negócios.
“Um conflito de interesse ocorre quando seus interesses pessoais (família, amizades, fatores financeiros ou sociais) poderiam comprometer suas decisões de negócios e colocar em dúvida a imparcialidade de seu julgamento e ações. Mesmo a menor aparência de conflito pode ser potencialmente prejudicial aos relacionamentos comerciais (diminuir a confiança, gerar desconfiança e manchar a reputação) da CBRE em termos de negociação justa. Não devemos usar a propriedade ou informações da CBRE ou utilizar de nossas posições perante a CBRE para ganho pessoal”, afirma o documento.
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