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O tráfego de veículos mais intenso do que antes da pandemia, a movimentação de pessoas nas imediações do cruzamento corporativo mais disputado da maior metrópole brasileira (estamos falando da Av. Faria Lima com a av. Juscelino Kubitscheck, na cidade de São Paulo) e em outras regiões comerciais paulistanas, tais como Vila Olímpia, Paulista e outras, são constatações que podem ser vistas a olho nu e que testemunham que os paulistanos estão frequentando os escritórios mais dias por semana.
No mercado financeiro, os dias de trabalho híbrido já ficaram para trás. Boa parte das empresas voltou 100% todos os dias da semana e há quem diga que há grandes bancos que já trocaram notebooks de seus funcionários por desktops em uma política que pode ser questionável, mas que sinaliza fortemente a visão dessas empresas: o trabalho presencial deve voltar – e com força! Essa tendência pode ser observada através dos dados e estatísticas do monitoramento desse mercado.
Enquanto isso, na terra do Tio Sam, a cidade de Nova York amarga nada menos do que o equivalente a área de 30 unidades do Empire State Building de escritórios vazios. O icônico arranha-céu foi entregue em 1931 e, durante muitas décadas, levou o título do edifício mais alto do mundo. Esse esvaziamento prolongado dos prédios comerciais, além do prejuízo para investidores e proprietários, vem afetando toda uma cadeia de empresas de varejo, serviços e restaurantes, localizados no entorno dos espaços comerciais, que também sofre com alta vacância, que é a maior já vista em todo o país.
No mercado norte-americano, segundo a Moody´s Analytics, a taxa de vacância está na casa dos 20% no final de 2023 e não é pouca coisa, pois estamos falando do maior mercado desse ativo em todo o mundo. Estudo da Moody´s indica ainda que as empresas e colaboradores estão efetivamente utilizando apenas 50% da capacidade dos espaços.
No caso dos EUA, não é apenas a continuação do trabalho híbrido que preocupa. O calo aperta mais embaixo. Os valores de prédios de escritórios estão em queda desde a pandemia, chegando a menos de 40% do que era praticado. Além disso, especialistas acreditam que muitas empresas ainda não tomaram decisões a respeito da redução de espaço necessário para suas atividades.
Contratos comerciais costumam ser de longo prazo, em média de 5 a 10 anos. Vimos o movimento de readequação feito por empresas nos últimos três anos e ainda há inquilinos que não definiram o modelo definitivo – se será 100% presencial, híbrido ou totalmente remoto. Ou seja, por lá, é muito provável que muitos empresários ainda decidam reduzir área.
O relatório mais recente sobre trabalho híbrido da McKinsey - que avaliou grandes cidades mundiais, concluiu que a presença nos escritórios é 30% menor do que antes da pandemia.
De acordo com o relatório, a tendência é que a procura por espaços de escritórios continue a cair e a previsão, em um cenário moderado, é de que a demanda seja 13% menor nos EUA em 2030 do que era visto em 2019, fato que deve seguir pressionando os preços de aluguel.
Chicago, por exemplo, tem quase 60 milhões de metros quadrados vagos, o que representa quase o dobro de todo o estoque existente de escritórios do Brasil, México e Colômbia, juntos.
Por outro lado, as estatísticas desse mercado em países latino-americanos, acompanhadas pela SiiLA, vêm sinalizando um cenário mais favorável para o mercado imobiliário comercial. Os dados do final de 2023 da plataforma Market Analytics apontam perspectivas de queda nas taxas de vacância para esses países.
Em São Paulo, analisando os prédios comerciais das classes A+, A e B, das principais regiões corporativas da cidade, o final de 2023 registrou absorção líquida (total de locações menos as devoluções) de 65,6 mil m². Esse número já fica perto do mesmo indicador do 3T19, ainda na fase de pré-pandemia, em que foi contabilizado 67,1 mil m². A taxa de vacância ficou em 20,5% no último trimestre de 2023, enquanto estava em 21,2% no 3T23. Considerando os ativos de alto padrão (A+ e A), a previsão de mercado é ainda mais positiva, com a estimativa de queda nas áreas vagas pelos próximos três anos.
Na Cidade do México, o maior mercado de escritórios do México, que concentra mais de 12,2 milhões de m² de ativos, a taxa de espaços vagos frente o estoque total ficou em 21,2%, contra 22,2% no 3T23. A absorção líquida do último período do ano foi de 114 mil m². Na capital mexicana, a taxa de vacância já é a menor desde o 3T21.
Bogotá, capital da Colômbia, terminou o ano com 12,1% de vacância e 16,9 mil m² de absorção líquida. No 3T23, a taxa estava em 12,7%. Outro destaque foi o aumento do preço médio pedido, que vem subindo gradualmente.
Segundo Giancarlo Nicastro, CEO da SiiLA, o fator cultural pesa bastante a favor da retomada do presencial nos países latinos. “Culturalmente, as populações latinas valorizam o estar junto, o olho no olho. Há também a questão de durante a pandemia, o home office foi forçado e não houve tempo para que os funcionários adequassem suas casas para trabalhar remotamente. É natural que, aos poucos, as pessoas voltem a frequentar os espaços de trabalho de três a quatro dias por semana.”
"Muitos ficaram receosos que a pandemia acabasse com os escritórios, mas eles estão mais vivos do que nunca”, emenda o executivo. Para confirmar a tese, Nicastro cita a transação recente realizada pelo Itaú Unibanco para adquirir a sede do Itaú BBA pelo prédio de alto padrão Faria Lima 3500, por quase R$ 1,5 bilhão. Trata-se da maior transação de venda de um ativo único no Brasil, de acordo com o executivo.











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