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Avenida Paulista, Chucri Zaidan, Faria Lima, Vila Olímpia, Itaim Bibi... são lugares onde não faltam pessoas engravatadas e apressadas por todos os lados. O porquê disso? Essas áreas são consideradas os CBDs da cidade São Paulo. Mas o que é isso?
Os Central Business Districts (CBDs), são os grandes centros comerciais da cidade, frutos de um movimento tradicionalista e centralizador do mercado. Essas regiões, portanto, se tornam o lar dos grandes escritórios, lojas e instituições financeiras e culturais que fazem o país girar. Mas será que essa “aglomeração” é uma boa estratégia?
A partir de uma visão macro da situação, esses polos ao reunir diferentes empresas, setores e serviços facilitam o networking entre profissionais de diversas áreas e são grandes chamarizes para investidores tanto nacionais quanto internacionais. Com isso consequentemente a região passa a sediar os melhores serviços de transporte público, energia, saúde, saneamento... impulsionando o desenvolvimento de seus arredores e facilitando a vida dos colaboradores das empresas. Isso sem contar com o valor simbólico de uma instituição financeira por exemplo, ter seu espaço corporativo na Faria Lima, o que a garante prestígio e reconhecimento.
Contudo, se analisarmos mais de perto: Trânsito, custos elevados, desigualdade entre regiões, locais projetados apenas para negócios que ficam desertos a noite, baixa integração com outras regiões da cidade, pandemia trazendo tendências como home-office... Até castelos de cristais tem suas rachaduras.
Para entender um pouco mais sobre a questão, REsource entrevistou o CRO global da Graphisoft, Richard Doll. A Graphisoft é uma multinacional de software fundada em 1982 especializada no desenvolvimento de soluções BIM para arquitetos e planejadores. Nesta semana Richard está no Brasil para palestrar na Conferência de Arquitetura e Urbanismo, a CAU 2025.
Richard compartilha sua visão sobre a complexidade dos projetos e ambientes urbanos construídos especialmente em São Paulo: “Há muitos atores diferentes que precisam colaborar para que esses empreendimentos aconteçam. Esse é um desafio que vemos em várias cidades do mundo: equilibrar as demandas de espaço, mobilidade e sustentabilidade.”
A partir dessa análise, o executivo ressalta que os ambientes de trabalho precisam ser repensados, destacando o modelo tradicional presencial obrigatório como obsoleto. Ele cita as longas horas de deslocamento como um problema não só relacionado ao fluxo da cidade mas também de produtividade para os funcionários que muitas vezes já chegam aos escritórios exaustos:
“Precisamos criar espaços que incentivem colaboração, encontros presenciais e criatividade, mas também dar flexibilidade para o trabalho remoto. Os escritórios do futuro devem ser ambientes de workshops, colaboração e encontros estratégicos, não apenas mesas enfileiradas.”
Seguindo essa linha, Richard explica que a tendência do mercado atualmente é descentralizadora e comenta que muitas empresas atualmente já funcionam bem distribuídas globalmente. A necessidade de proximidade física para o contato tem se reduzido cada vez mais: “Teremos polos colaborativos mais descentralizados, mas ainda assim clusters estratégicos que concentram inovação e networking.”
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