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Em matéria recente divulgada pelo REsource, mostramos quais são as diferenças entre a logística seca, climatizada e refrigerada. Essas duas últimas, cabe salientar, têm registrado aumentos contínuos de demanda por diversos motivos relacionados ao mercado, mesmo que o custo desse tipo de operação possa ser até 200% maior.
Segundo empresas do ramo como a Mundial Logistics e a Luft Healthcare, especializada em logística voltada à área da Saúde, a logística climatizada pode ter um custo entre 20% a 30% maior quando comparada à logística seca.
"No caso dos refrigerados, essa diferença pode caracterizar um salto ainda maior. Nesses a gente chega a falar em um custo 50% acima em relação à logística climatizada", indica o gerente de soluções da Luft Healtcare, Paulo Bastos.
Há, ainda, a cadeia logística voltada aos produtos congelados e/ou ultracongelados, que incluem, por exemplo, vacinas específicas, insumos hospitalares e itens de medicina diagnóstica, bem como outros produtos que precisam chegar ao destino mantidos a temperaturas de até -70°C até a sua aplicação ou uso. Para estes casos, o custo operacional logístico pode ser entre 150% e 200% maior.
Diversos fatores, entre eles uma norma criada pela Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2020 — a RDC 430 —, mas que só foi implementada, de fato, em março deste ano, têm impactado no aumento da demanda por logísticas climatizadas e refrigeradas.
No caso da RDC 430, responsável por padronizar a qualidade na logística e no transporte de medicamentos, o impacto se deve, principalmente, à inclusão de medicamentos que não precisam de prescrição médica, ou seja, livres para compra sem receita, na categoria de produtos que precisam ser armazenados, transportados e distribuídos sob controle de temperatura.
"Estamos passando por um momento de transição, em que o monitoramento desse tipo de medicamento específico também deve ser feito de ponta a ponta. Entendemos que, nesse ponto, o desafio maior é no transporte, não tanto no local de armazenagem. Nesse contexto, surge a necessidade de climatizar o transporte para toda essa cadeia de produtos", afirma Bastos, da Luft Healthcare.
Além da RDC 430, a demanda crescente também ocorre por conta do aumento, ano a ano, das vendas de medicamentos, boa parte delas oriundas do e-commerce farmacêutico, que é outra área em crescimento no País.
Não à toa, a Mundial Logistics, por exemplo, vem investindo no aumento da capacidade para realizar a logística climatizada e refrigerada. No início deste mês, a empresa anunciou um aporte de R$ 30 milhões em um novo centro de distribuição (CD) com 40 mil metros quadrados de classe A+ em Guarulhos.
Este novo CD inclui espaços projetados para atender às necessidades do setor de saúde, trade marketing, entre outros mercados, oferecendo 50 mil posições para paletes e ampliando em 60% a capacidade atual das operações. Além disso, o projeto trará inovações em quesitos como torre de controle, inteligência artificial (IA) e automação.
"Este é um investimento de extrema importância para atender às demandas e aos desafios crescentes do mercado logístico, com atenção especial para materiais de Ponto de Venda (PDV) e os setores regulados pela Anvisa, tais como cosméticos, alimentos e bebidas”, comentou Fernando Passos, que integra o Conselho Administrativo da Mundial Logistics Group.
Também seguindo a tendência, a concorrente Luft Healthcare afirma que a perspectiva de aumento de demanda entre agosto de 2023 e agosto de 2024 está na ordem de 23%.
O braço de logística de termolábicos da Luft Logistics possui, atualmente, quatro armazéns totalmente climatizados: um Itapevi (SP), com 40 mil metros quadrados; um em Itajaí (SC), com 21 mil metros quadrados; um no Rio de Janeiro (RJ), com 6,6 mil metros quadrados; além de um em Aparecida de Goiânia (GO), com 3,5 mil metros quadrados.
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