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O último trimestre com grandes absorções na Faria Lima foi em 2022, quando, no quarto trimestre (4T), houve uma absorção líquida em ativos de classe A+, A e B superior a 10 mil m². Desde então, a região tem apresentado uma sucessão de entregas de lajes e debandadas de inquilinos.
No segundo trimestre deste ano (2T2024), a região registrou 4,4 mil m² de absorção líquida negativa, com um total de 12,3 mil m² de saídas de inquilinos. Atualmente, a taxa de vacância da região é de 10,9%, um aumento de 0,57% em relação ao trimestre anterior.
Desde 2023, a Faria Lima registrou absorções líquidas negativas, exceto no último trimestre do ano, onde os números cravaram em 2 mil m². Nos primeiros três meses de 2024, a região registrou o segundo maior número negativo de sua história, com 10,5 mil m², superando o auge da pandemia, que foi de 6 mil m² negativos no primeiro trimestre de 2021 (1T2021), e ficando atrás da crise político-econômica de 2016, quando registrou 10,8 mil m² no terceiro trimestre de 2016 (3T2016).
O setor financeiro lidera as saídas da Faria Lima. Desde o primeiro trimestre de 2023, eles representaram 23% de todas as novas áreas vagas. Só nos primeiros seis meses de 2024, o segmentou representou 25% das saídas, totalizando 13 mil m² que foram deixados vagos.
A maior saída foi da SulAmérica Seguros, que desocupou o Edifício Roberto Bratke, liberando 12 mil m² de uma única vez. A saída da seguradora aconteceu no primeiro trimestre de 2024 e estava programada desde 2023, quando a operação de saúde da empresa foi comprada pela Rede D’Or e os funcionários foram realocados para um novo empreendimento na região da Av. Paulista.
Outra grande saída é da Meta, proprietária do Facebook, Instagram e WhatsApp, que deixou de ocupar 7,9 mil m² do Birmann 32. No caso da empresa norte-americana, não foi uma saída completa do edifício, pois a companhia ainda ocupa parte do empreendimento.
A Caixa Econômica Federal, por exemplo, ocupava dois conjuntos no edifício New Star, apesar de possuir uma agência bancária, a instituição deixou de locar sua parte corporativa e manteve a agência no térreo. Ao REsource, a empresa pública não informou os motivos da saída, mas afirmou que está realocando a equipe para outras unidades próximas.
“A CAIXA informa que as áreas em questão estão atualmente desocupadas e em processo de devolução ao proprietário. Com relação às unidades que estavam instaladas no local, houve o remanejamento para outros imóveis locados pelo banco, onde já se centralizam diversas unidades administrativas. Destacamos, portanto, que não houve nova locação para atender a uma demanda específica, e sim racionalização dos espaços já ocupados”, informou ao REsource.
Em empreendimentos de classe A+ e A, a Faria Lima possui o segundo maior custo total de ocupação, que é de R$ 288,29/m², ficando atrás apenas do Itaim Bibi, com R$ 357,14/m². Diferente da Faria Lima, o estoque de empreendimentos do Itaim Bibi é inferior, com 239 mil m² contra 784 mil m² da Faria Lima.
Um dos principais fatores que pode influenciar o ecossistema imobiliário da região é o fato de o Valor Médio de Mercado da Faria Lima ser de R$ 237,52/m², quase o dobro da média das regiões centrais de negócios (CDBs) paulistas, que é de R$ 126,92/m². Todas essas cifras aumentam os custos das empresas nessa área, fazendo com que os aluguéis ultrapassem a casa do milhão, como já foi noticiado anteriormente.
Por exemplo, em 2020, o Google alugou 7,1 mil m² por R$ 1,4 milhão, ou R$ 206,91/m², no edifício Pátio Victor Malzoni. Mais recentemente, o Banco Master passou a ocupar o espaço que pertencia à Meta e à Shopee no Birmann 32, desembolsando R$ 2,3 milhões para ocupar 7,9 mil m².
A expansão e popularização dos escritórios boutique vêm chamando a atenção de diversas empresas, principalmente daquelas que ocupam lajes menores. A Galapagos Capital, por exemplo, deixou de ocupar quase 400 m² do San Paolo na Faria Lima para ocupar 100% do Edifício Rebouças 3507.
Localizado na região de Pinheiros, na Av. Rebouças, a Galapagos passou a ocupar os 3,2 mil m² do edifício boutique. O custo de ocupação não variou muito, saindo de R$ 189,94/m² no prédio da Faria Lima para R$ 142,54/m². Porém, na nova sede, a empresa está ocupando um edifício inteiro recém entregue.
A Chucri Zaidan, apesar de possuir a maior quantidade de metros quadrados vagos, é uma das regiões que vem recebendo uma das maiores reduções de vacância – saindo de 27% e chegando a 25,1%.
Ela foi uma das áreas de São Paulo que teve a maior diminuição de vacância no último ano. Com uma redução de 5,86 pontos percentuais, a Chucri Zaidan saiu de 31% de vacância no primeiro trimestre de 2023 (1T2023) para 25,1% no segundo trimestre de 2024 (2T2024).
Toda a área da Rebouças, que está dentro da região de Pinheiros, também vem chamando a atenção de inquilinos e proprietários, após a revisão da lei de zoneamento.
Para especialistas da SiiLA, esse esvaziamento não significa o fim da Faria Lima, que ainda é uma das regiões mais consolidadas e desejadas da cidade, mas destaca que a área é uma concentração de grandes players.
Das 143 empresas que saíram ou reduziram espaço na região, 59 ocupavam 300 m² ou menos, e 122 ocupavam menos de mil metros quadrados. Por outro lado, há grandes empresas se estabelecendo na área, como o Banco Master, que alugou o Birmann 32, e a Uber, que expandiu sua área no Faria Lima Plaza.











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