Se inscreva para ficar por dentro das novidades do mercado imobiliário, dos eventos, notícias e análises!

Em julho deste ano, um anúncio feito pelo TRX Real Estate (TRXF11), fundo de investimento imobiliário da TRX Investimentos, chamou a atenção do mercado como um todo. Na ocasião, o fundo anunciou que vai construir o novo centro de oncologia e hematologia do Hospital Albert Einstein, um imóvel de 41,6 mil metros quadrados localizado no Parque Global, megaempreendimento multiuso da Benx na Marginal Pinheiros, zona oeste de São Paulo.
A divulgação causou um "buzz" (tradução para 'burburinho', no inglês) no setor, já que poucos fundos atualmente apostam em ativos como hospitais. Uma fonte do mercado de FIIs chegou a citar para a equipe de reportagem do REsource que havia até uma certa rejeição por parte dos investidores com esse tipo de imóvel.
O motivo da aversão à inclusão de hospitais nos portfólios imobiliários deve-se, entre outros fatores, a casos de insucesso, à idade dos imóveis hospitalares disponíveis, à especificidade dos empreendimentos, à dificuldade de possíveis despejos por serem negócios de impacto social e de saúde, além de se tratarem de espaços monousuários, ou seja, com apenas um inquilino, o que é considerado um risco maior.
Apesar disso, o TRXF11 vai desembolsar R$ 621,3 milhões por 70% do novo complexo hospitalar do Einstein. A Benx, dona do terreno, permanecerá com 30%. Além do hospital, o complexo, que terá um total de 218 mil metros quadrados, contará com apartamentos residenciais, salas corporativas, shopping, faculdade e hotel.
Ao REsource, o gestor do TRXF11, Gabriel Barbosa, explica os motivos que levaram o Fundo a investir nesse novo espaço e o que leva o ativo a ser considerado um "trophy asset" para a equipe de Real Estate da TRX Investimentos.
"De forma inicial, quando surgiu essa oportunidade, obviamente não olhamos com bons olhos, já que há esse receio com ativos hospitalares. No entanto, ao analisarmos friamente, entendemos que se tratava de uma boa oportunidade. Por ser o Einstein, um hospital reconhecido internacionalmente e com uma grande reputação no mercado, junto das condições estabelecidas no negócio, avaliamos que o ativo seria de grande valia para o Fundo", explica Barbosa.
Entre as condições que favoreceram a decisão do TRXF11 em investir na construção do empreendimento, está o fato de o contrato ser no modelo "built to suit", ou seja, o imóvel será entregue sob medida para atender às necessidades específicas do locatário, no caso, o Hospital Albert Einstein. Além disso, o contrato é do tipo "atípico", com uma locação estabelecida por longos períodos. No caso do acordo entre o TRXF11 e o Einstein, a locação tem um prazo de 20 anos, sem previsão de revisionais, conforme explica Barbosa.
O Fundo também destaca que o hospital será o mais moderno da América Latina e que o imóvel está inserido em um complexo multiuso, que incluirá outros ativos. O Einstein também contará com um seguro fiança locatício, o que garante a liquidez dos recebimentos e os dividendos aos cotistas do Fundo.
"Estamos pagando em torno de R$ 21,5 mil por metro quadrado. Entendemos que, com esse preço, em conjunção com as condições estabelecidas, o ativo tem tudo para se valorizar em índices acima da inflação", comenta Barbosa, que acrescenta: "nosso objetivo era comprar 100% do imóvel."
Ainda segundo o gestor, o receio do próprio Fundo em relação a ativos hospitalares deve continuar, mas oportunidades futuras serão avaliadas caso a caso.
No ato de assinatura do negócio, o TRXF11 desembolsou R$ 5 milhões como sinal, e a previsão é que, até dezembro deste ano, sejam pagos mais R$ 160 milhões. O restante, cerca de R$ 456,3 milhões, será quitado de acordo com o cronograma estabelecido no contrato. No total, serão investidos R$ 621,3 milhões por 70% do ativo hospitalar.
O TRX Real Estate, até então, possuía um portfólio de 590,5 mil m² de Área Bruta Locável (ABL), espalhados em 50 imóveis focados em “renda urbana”, com espaços locados para grandes varejistas como Assaí, Pão de Açúcar, Extra, Carrefour, Grupo Mateus, Obramax e Leroy Merlin.
Entre os últimos negócios, o TRXF11 assinou contrato para a construção da primeira loja da Leroy Merlin em Salvador em 2022. O acordo com o Hospital Albert Einstein marca a diversificação da carteira do FII.
A previsão inicial é de que o hospital entre em operação em meados de julho de 2026. Por conta de um acordo de carência de seis meses, contados a partir do início da ocupação do empreendimento, o retorno oriundo da locação está previsto para começar em janeiro de 2027. A partir daí, o fundo projeta um cap rate estabilizado de 8%.
Segundo o site especializado em FIIs, Clube Fii, atualmente existem apenas seis fundos especializados em ativos hospitalares: o HCRI11 (Hospital da Criança) e o NSLU11 (Hospital Nossa Senhora de Lourdes/Rede D'Or), sendo que ambos tem o BTG Pactual como administrador; o HUCG11 (Hospital Unimed Campina Grande), que possui a Coinvalores como administradora; o HUSC11 (Hospital Unimed Sul Capixaba), do qual a Rio Bravo aparece como administradora fiduciária; o HUSI11 (Hospital Unimed Salto/Itu), sob administração da Trustee DTVM; e o NVH11 (Hospital São Luiz Blocos A, B, C, D e E), que tem a Genial Investimentos como administradora.











Se inscreva para ficar por dentro das novidades do mercado imobiliário, dos eventos, notícias e análises!
