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Em 2024, o Fonseca’s Tower, o misterioso empreendimento na Vila Olimpia, completará 10 anos desde que foi quase entregue e 20 anos desde que o projeto começou. Completamente vazio, sem placas de aluguel ou mesmo funcionários, o empreendimento se encontra embargado devido a falta do Habite-se.
O documento, ou a falta dele, impede que o empreendimento classe B de 8.550 m² de área privativa seja ocupado. Para entender a importância do Habite-se, ele é o alvará da prefeitura que atesta que a construção cumpre as exigências legais, seja de segurança, infraestrutura e práticas ambientais. A utilização do imóvel sem a devida autorização pode acarretar multas.
A 300 metros da estação de trem da Vila Olimpia e 100 metros do Shopping Vila Olimpia, o Fonseca’s Tower poderia alterar o mercado de ativos classe B da região, que não apresenta novos empreendimentos dessa classe desde 2018 e que vê sua vacância caindo desde 2021.
Sob propriedade da Marfon Empreendimento Imobiliários, o imóvel foi construído pela REM Construtora. A equipe do REsource não conseguiu entrar em contato com a proprietária para entender o que pode ter acontecido com o empreendimento. Já a construtora, ao ser questionada, comentou apenas que seguiu as recomendações e agiu de acordo om o projeto.
“A REM informa que foi contratada exclusivamente para executar a obra do empreendimento. Não figura, portanto, como incorporadora do imóvel. Em relação à construção, ressalta que o edifício foi entregue em conformidade com as especificações do projeto aprovado nos órgãos competentes. No tocante ao Habite-se, a solicitação do mesmo compete unicamente à empresa proprietária do empreendimento”, afirmou a construtora em nota.
Antes de ser vendido a Marfon, o terreno abrigava a Viação São Paulo e que era de propriedade da família Fonseca e foi vendido a família Marta em 1980, criando-se assim a Marfon – junção dos nomes “Marta” e “Fonseca”. A construção começou no final da primeira década e teve sua conclusão, física, em 2014.
Segundo documentos oficiais disponibilizados pela prefeitura de São Paulo, por meio do GeoSampa, e com uma análise cruzada com os dados do Market Analytics, estima-se que o empreendimento tenha cerca de 55 metros de altura, em uma região cujo parâmetro de ocupação estabelece um gabarito de altura máxima de 28 metros.
Dados da Secretaria da Fazenda municipal mostram que a área do terreno é de 2.900 m², o coeficiente de aproveitamento máximo é o dobro desse tamanho, ou seja, o empreendimento poderia chegar a 5.800 m², porém o resultado foi de 19.946 m² de área construída.
Sem uma declaração concreta do proprietário, não é possível afirmar a real causa da não entrega do empreendimento, mas especialistas acreditam que o excedente de espaço pode ter um papel importante nisso.
Segundo especialistas consultados, esse problema poderia ser contornado pelo CEPAC (Certificados de Potencial Adicional de Construção), que é um título mobiliário emitido pela Prefeitura que, por meio de um leilão, permite que o proprietário expanda a área de um determinado empreendimento.
O misterioso empreendimento pode se encaixar no subsetor 4B da Faria Lima, o que lhe permitiria acrescentar 0,9 vezes o tamanho máximo permitido de área construída, chegando a 11,080 m², ainda assim, esse valor não seria o suficiente para garantir que o Fonseca’s Tower seja entregue.











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